Sociedade

São casas a cair na ruína que servem de escape para a droga

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Dois incêndios em estruturas devolutas, na última semana, voltam a levantar o assunto dos “perigos” das casas e espaços devolutos em S. João da Madeira. Populares alertam para a necessidade de “vedar o acesso”, uma vez que se trata de um perigo

Um incêndio numa casa não habitada, na rua Oliveira Júnior, mobilizou vários bombeiros, apoiados por quatro viaturas e agentes da PSP, na última sexta-feira, dia 24.
De acordo com o que disse uma fonte dos Bombeiros de S. João da Madeira a ´O Regional’, as chamas deflagraram pouco depois das 17 horas, numa altura em que combatiam um outro incêndio que deflagrava num dos edifícios da antiga fábrica da Oliva, que também se encontrava devoluta. “Nunca estiveram em risco outras habitações nem pessoas. Ambos os fogos foram rapidamente circunscritos”, explicou a mesma fonte, não adiantando as possíveis causas de ambas as ocorrências.
Tal como o ´Regional’ deu conta nas últimas semanas há aproximadamente mil edifícios devolutos em S. João da Madeira, um número demasiado alto para uma cidade que se debate com a falta de casas para arrendar.
Por toda a cidade, há prédios a cair e imóveis em maior ou menor estado de degradação. Luís Almeida conhece bem a rua Oliveira Júnior, e esta casa em particular. “Era frequente ver as pessoas a entrarem. O perigo das casas devolutas está ao virar da esquina”, defendendo também que “mais do que os sem-abrigo estes espaços são frequentados por toxicodependentes”.
Devolutas e velhas, a degradação destes imoveis é notada por todos. “Eu vivo na cidade há vários anos, e isto tem vindo a agravar-se”. São casas a cair na ruína que servem de escape para toxicodependentes e, como têm muito lixo, “basta um pequeno descuido para ir tudo pelo ar”, revela Luís.
Comerciantes e populares da rua Oliveira Júnior confirmam que a casa em questão era frequentada por pessoas “sem-abrigo”, e há muito que temiam que “esta realidade viesse a acontecer”, assumindo mesmo que as autoridades e autarquia conheciam a situação. “Há muito que pedimos à Câmara Municipal para vedarem as portas e janelas com tijolos para impedir a entrada e evitar a invasão do espaço”.
Relativamente a estas ocorrências, de dois incêndios em imóveis privados, a autarquia, disse a ‘O Regional’, que acompanhou de perto a respetiva evolução, nomeadamente através do presidente da Câmara Municipal e dos serviços de proteção civil, salientando a “pronta e eficaz intervenção dos bombeiros voluntários” lembrando que as autoridades policiais “estão a averiguar se essas situações tiveram origem criminosa” para agirem em conformidade, de forma, nesse caso, a “identificar os responsáveis”.
O município assume ainda ter recebido a informação, no local, de que as duas únicas pessoas que se encontravam a pernoitar nas antigas instalações do complexo industrial da Oliva “recusaram a oferta de alojamento de emergência”, que lhes foi apresentada pela equipa técnica do Trilho – Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira, entidade que faz o acompanhamento destas pessoas.
Já relativamente ao edifico da rua Oliveira Júnior, a Câmara Municipal “já havia notificado os proprietários para levarem a cabo a vedação do imóvel”.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa de 30 de março ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/

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