Sociedade

S. João da Madeira: 40 anos a fazer história

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O 16 de maio passado ficou marcado pelos 40 anos que assinalam o momento em que São João da Madeira se tornou cidade, alcançando a sua independência de Oliveira de Azeméis – na altura, sede do concelho.

“Penso que esta cidade não parou e continua a não parar. Normalmente, é mais fácil os sanjoanenses fazerem críticas à sua cidade, mas não admitem críticas dos que vêm de fora; é uma característica nossa”, foram algumas das palavras mencionadas pelo comissário das comemorações do Dia da Cidade, Jorge Cortez, num vídeo que foi exibido no início da cerimónia solene. No seu discurso, o militante do PCP do concelho não escondeu a “surpresa” e a “honra” de ter sido convidado para comissário, partilhando com os presentes “uma impressão estranha” ao pensar que “já se passaram 40 anos”.
“Há 40 anos, São João da Madeira era uma vila que, há muito, tinha ultrapassado os requisitos legais para ser cidade”, afirmou Jorge Cortez, enfatizando três aspetos sobre a história coletiva da cidade – a aceleração do ritmo de desenvolvimento da indústria e das várias instituições relevantes, a eletrificação do concelho (uma conquista que não estava ao alcance de qualquer terra) e o facto de a Santa Casa da Misericórdia ter construído o primeiro hospital da terra. “Todos sabemos qual era a ambição da freguesia mais populosa e com maior rendimento do concelho de Oliveira de Azeméis: era, sem qualquer margem para dúvidas, a emancipação concelhia”, contextualizou.

A história foi percorrida a pente fino pelo comissário, que recordou que, ao longo de décadas, a luta dos sanjoanenses contribuiu para que os salários fossem superiores aos da média nacional. “Infelizmente, no início do século XXI, este panorama alterou-se. Hoje, o salário está bastante abaixo do salário médio nacional. Por outro lado, o setor do calçado sofre grandes abanões… Assistimos, com grande tristeza, ao encerramento de empresas emblemáticas”, lamentou Jorge Cortez, acrescentando: “Nunca perder o sentido crítico e nunca nos darmos por satisfeitos é a lição que temos que tirar do passado. Cada um tem a sua opinião sobre as prioridades para São João da Madeira.”
Foi exatamente por aí que o autarca sanjoanense, Jorge Vultos Sequeira, centrou o seu discurso. Na área da habitação, discriminou estratégias de candidaturas de construção e requalificação de casas habitacionais, a aquisição de imóveis privados – como a antiga sede do Núcleo do Sporting Clube Portugal, o edifício do Nicho na Rua Oliveira Júnior e o edifício da antiga fábrica de chapéus Vieira Araújo – e o arrendamento municipal de casas a privados a preços mais acessíveis, entre outras. “Este é o mais vultoso investimento em ação social alguma vez realizado na história da nossa cidade”, considerou o edil sanjoanense. Outras vertentes, como a rede viária, a economia local e o desporto, também foram citadas como parte integrante da evolução da cidade de São João da Madeira.

Em entrevista ao jornal “O Regional”, Jorge Vultos Sequeira declarou que o atual desafio das cidades é a questão da habitação. “A habitação acessível para as pessoas de baixo rendimento é uma prioridade; elegemos, de facto, a habitação como uma prioridade da nossa ação política”, garantiu o autarca, acrescentando um tema que não abrangeu no seu discurso. “Temos a questão da sustentabilidade e do ambiente, uma constante da nossa política. Há uma necessidade de adaptação da cidade ao processo das alterações climáticas e à sustentabilidade, matéria na qual trabalhamos todos os dias”, descreveu, apelando à colaboração dos cidadãos na adoção de bons comportamentos ambientais.
Em relação aos empresários sanjoanenses, Jorge Vultos Sequeira quis deixar uma mensagem de “confiança”. “Num mundo tão competitivo como aquele em que vivemos, só nos diferenciando é que conseguimos triunfar e eu sei que isso é feito, todos os dias, pelos empresários de São João da Madeira”, afirmou. “É importante que ninguém se resigne e que queira sempre mais”, acrescentou, dando como exemplo a SANJOTEC, que conta com robótica, tecnologia ambiental de ponta ou aparelhos de aeronavegabilidade, como ferramenta de atração e fixação de empresas de alto valor científico e tecnológico. “Em 2022, as empresas da SANJOTEC faturaram cerca de 81 milhões de euros. É um indicador absolutamente extraordinário”, exemplificou o edil.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3989, de 22 de maio de 2024 ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/

 

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