
A sua ligação à relojoaria começou quando ele ainda era menor de idade. Abel Rodrigues é um dos relojoeiros mais antigos em S. João da Madeira e já passou por todas as fases da tecnologia dos relógios.
A ligação de Abel Rodrigues, de 68 anos, à relojoaria começou quando ainda era menor de idade, com 10 anos. “O meu pai tinha esta profissão e eu, quando vinha da escola, ajudava-o a desmontar despertadores, para começar a aprender e, depois, a montar os mesmos”, explica.
Das cerca de nove relojoarias que existem em S. João da Madeira, só “três é que dispõem de relojoeiros”. Trabalha na cave de uma ourivesaria na rua Oliveira Júnior, desde que cumpriu o serviço militar há mais de 50 anos. “Estou em fim de carreira”, graceja. Sobe e desce vários degraus ao longo do dia e já passou por todas as fases da tecnologia dos relógios.
Para muitos, o relógio é uma peça de coleção. Para outros, um bem necessário para o dia a adia. Quem cuida deles, olha para a relojoaria como uma arte “que se está a perder em Portugal”.
Abel ainda trabalha por amor à arte, que considera “pouco valorizada”, e diz que a “não está ao alcance de qualquer pessoa, pois é uma profissão que exige muita perícia, paciência e concentração”.
Para si, a sua profissão é sinónimo de perfeição. “Obriga-nos a pensar muito. Muitas vezes, não consigo perceber porque é que o relógio não funciona”, conta.
Explicou também a ‘O Regional’ que “as grandes dores de cabeça” têm vindo a mudar. “Começaram a entrar no mercado os relógios eletrónicos, a pilhas. Nessa altura, os relógios manuais ou mecânicos começaram a cair em desuso, e basta olhar para as montras das ourivesarias”.
Artigo disponível, em versão integral, na edição nº 3884 de O Regional,
publicada em 24 de março de 2022
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