
O politólogo Carlos Jalali esteve nos Paços da Cultura, no último sábado, para promover uma reflexão em torno dos desafios que se colocam à democracia, num momento em que há “sinais muito preocupantes” que pairam sobre o seu futuro.
“Vale a pena tentarmos prever, antever, antecipar alguns dos desafios que as democracias poderão vir a enfrentar nas próximas décadas”. Foi este o mote para a intervenção do politólogo e professor universitário Carlos Jalali na mais recente edição do ciclo de conferências “Pensar Futuro”, uma iniciativa da Câmara Municipal de S. João da Madeira que decorreu, no passado sábado, no auditório dos Paços da Cultura. “Acho que essa é uma reflexão relevante a fazer numa altura em que nos aproximamos da comemoração dos 50 anos do nascimento da democracia portuguesa”, sustentou o orador nas suas palavras iniciais.
Antes de olhar para o futuro, Carlos Jalali começou por fazer uma breve abordagem histórica, lembrando que o século XX ficou “conhecido como o século da democracia”, fruto de “uma expansão muito acentuada dos valores democráticos em todo o mundo”. E traduziu essa afirmação em números: “Em 1900, três em cada quatro cidadãos do mundo viviam em regimes autocráticos fechados”, mas 100 anos depois “mais de metade da população mundial - 53% - vivia num regime democrático”.
Um crescimento democrático no qual “Portugal desempenha um papel muito importante”, como assinalou o conferencista, dando nota de que o 25 de Abril de 1974 é identificado em vária literatura “como o momento histórico em que a democracia se começa a expandir massivamente a nível global”.
No entanto, com a entrada no século XXI, esse cenário começou a inverter-se a nível global: “Há, infelizmente, uma viragem nesta história no novo milénio”, afirma Carlos Jalali.
Se o século XX havia terminado “com uma ideia de que a expansão da democracia era inevitável”, o século XXI começa com “um retrocesso democrático”, ao ponto de alguns autores afirmarem que “poderá ser conhecido como o século do autoritarismo”. E, mais uma vez, os números deixam clara a transformação, já que “em 2022 a proporção da população mundial a residir em democracia tinha caído para 29 por cento”. E muitas democracias, ditas até consolidadas, “têm enfrentado desafios que seriam inteiramente impensáveis no passado”, como aconteceu nos Estados Unidos na reação aos resultados eleitorais nas últimas presidenciais.
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