
Joana Correia, presidente da Delegação da Cruz Vermelha de S. João da Madeira assume que “não se fazem omeletes sem ovos”, sobretudo numa organização sem fins lucrativos, que “tem sempre dificuldades de tesouraria”.
Jornal – ‘O Regional’ - A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) tem-se desdobrado em intervenções de várias áreas de carácter humanitário e emergência, além da intervenção social. Quais foram as grandes apostas da delegação de S. João da Madeira em 2022?
Joana Correia - Há já alguns anos que a aposta da Cruz Vermelha de S. João da Madeira é o acolhimento de pessoas refugiadas. Em 2021, fizemos uma grande candidatura a financiamento europeu e esperamos que o início de 2023 nos traga boas notícias. Para além do trabalho com pessoas refugiadas, mantemos o compromisso com a atribuição de bens alimentares, vestuário/calçado e mobiliário/eletrodomésticos às famílias referenciadas pela rede social.
Em 2022, renovámos o compromisso com o Corpo Europeu de Solidariedade e acolhemos dois voluntários europeus, um italiano e um belga, que estarão na nossa Estrutura Local durante um ano para desenvolvimento de trabalho voluntário. Esta é uma grande aposta para nós, porque nos permite ter voluntários qualificados e disponíveis para nos ajudar a levar a cabo atividades diárias que, de outra forma, não conseguiríamos realizar.
Por fim, não esquecer que continuamos a desenvolver trabalho no âmbito da formação, seja de socorrismo (em empresas e para particulares), seja nas escolas, através das ferramentas educativas desenvolvidas pela Cruz Vermelha no âmbito da Violência no Namoro, Igualdade de Género e Tráfico de Seres Humanos.
O Presidente da República alertou recentemente que 2023 será um ano “cheio de incertezas”, considerando que o ano que agora começa “vai ser muito mais difícil” do que 2022, devido à guerra na Ucrânia e ao aumento da inflação e das taxas de juro. Que medidas e estratégias tem a delegação de S. João da Madeira da CVP em cima da mesa para um ano que, segundo o chefe de Estado, poderá ser difícil?
Candidaturas a projetos que nos permitam ter autonomia e sustentabilidade financeira; recrutamento de novos voluntários; acolhimento de voluntários europeus com competências capazes de responder às nossas necessidades; fortalecer a relação com as empresas com quem trabalhamos; e procurar novos parceiros.
O vosso grande objetivo são as pessoas mais fragilizadas e carenciadas. A delegação de S. João da Madeira recebeu mais pedidos de apoio o ano passado do que em 2021?
Houve um aumento de pedidos, devido essencialmente à chegada de migrantes à nossa cidade, em busca de segurança para viver em paz ou de uma melhor oportunidade de trabalho e, por conseguinte, melhor qualidade de vida para a sua família.
No entanto, e porque existem tetos máximos de apoio, à medida que umas pessoas vão precisando de apoio, outras felizmente vão conseguindo melhorar as suas situações de vida, seja porque arranjaram emprego, seja porque deixaram de ter determinada despesa mensal, entre outros motivos. Efetivamente, não sentimos que os pedidos de apoio de famílias portuguesas tenham aumentado.
Em 2022, já foi possível a realização da ceia de Natal? Quantos cabazes foram distribuídos e quantas pessoas reuniu?
Os cabazes de Natal e a ceia de Natal são apoios diferentes. O primeiro trata-se de uma iniciativa da rede social, da qual a Cruz Vermelha faz parte, e prevê a atribuição de um subsídio por parte da câmara municipal para a compra e organização de cabazes a distribuir pelos agregados identificados em conjunto com os parceiros da rede social. A Cruz Vermelha entregou 50 cabazes de Natal.
Já a ceia de Natal é um evento exclusivamente organizado pela Cruz Vermelha e teve como parceiros o CFPIC (Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado), que cedeu o espaço e disponibilizou três colaboradoras para gerir a cozinha; e o Continente e a Ferpinta, que doaram parte dos produtos para a confeção da ceia. Servimos aproximadamente 80 pessoas.
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