Sociedade

Procissão um dos momentos altos das Festas

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A procissão em honra de S. João Batista percorreu as ruas e marcou o último domingo das Festas da Cidade. O percurso começou na igreja e passou pelas principais ruas da cidade.

A procissão voltou a reunir centenas de fiéis em S. João da Madeira. Paz, esperança, amor, promessas, sacrifício e fé foram algumas das palavras ouvidas pelas pessoas que conversaram com ´O Regional’ durante esta manifestação de fé, para descrever o papel que a religião tem nas suas vidas.
As promessas, os agradecimentos e as preces que desejam ser atendidas são os principais motivos para a maioria dos fiéis que se deslocaram à cidade numa tarde de muito calor.
Composta por 23 andores e cerca de 250 figurantes, o cortejo religioso, que marca um dos momentos altos desta festividade, percorreu, no último domingo, a Rua Padre António Maria Pinho, Rotunda do Hospital, Av. Dr. Renato Araújo (Malisan), Rua Dr. Maciel (até à Colmeia), Largo de Santo António (entre Paços da Cultura e Correios), Rua Padre Oliveira, Rua Alão de Morais (até PSP), Av. Benjamim Araújo, Rua João de Deus, Rua Visconde de S. João da Madeira, terminando na igreja matriz. E, como é tradição, muitas varandas dos prédios destas ruas estavam engalanadas com as melhores colchas, sinal de respeito, de festa e fé. Recorde-se que, já nos inícios dos anos 60, a procissão era sempre o grande momento da festa, a que se juntava uma outra tradição popular, que se perdeu no tempo: as segundas-feiras das merendas, uma iniciativa que juntava sempre muitas pessoas no Parque Nossa Senhora dos Milagres, e servia para partilharem as merendas umas com as outras.
Tratava-se de um momento de união, confraternização entre os sanjoanenses, famílias, amigos. Segundo os arquivos de ‘O Regional’, “as duas Grandes Guerras tornaram S. Sebastião especialmente venerado”. S. Tiago, também muito “próximo” em terra de chapeleiros, basta observar o chapéu que enverga, fez com que estas festas fossem realizadas em honra destes santos. Já em 1999, ao reiniciar as Festas da Cidade, a Comissão requereu a junção de S. João Batista, porque “não se compreendia que as festas da cidade esquecessem o seu padroeiro”, afirma o documento assinado em julho de 2002 pelo antigo abade da cidade, Domingos Milheiro, que assumiu os destinos da paróquia, durante 19 anos, e que deixou a responsabilidade paroquial em 2017.
Relativamente à alteração da data dos festejos, o abade dava conta que o mês de S. João é junho. “É, assim, em todas as terras e em todo o mundo (…) não é infidelidade histórica da cidade ou das suas festas tal mudança”. Domingos Milheiro explicava num artigo de opinião, publicado, na época, em ‘O Regional’, que julho, seria “um anacronismo, estávamos a respeitar a história do último século, mas a esquecer que S. João Batista é padroeiro desta terra há mais de dez séculos”.

“Pessoas de todas as idades que se manifestam de diferentes formas”

Laurindo Matos, há vários anos, o rosto da sonorização do arraial e de toda a vertente religiosa, referiu a ´O Regional’ que a procissão “sempre foi um dos momentos mais esperados pelos sanjoanenses e pelos visitantes das festas. Para além da participação da Banda de Música de S. João da Madeira e de outras convidadas anualmente, há também aquelas pessoas que querem pagar as suas promessas. São pessoas de todas as idades que se manifestam de diferentes formas e devotos a estes três santos.” Cada um dos participantes manifesta a sua fé da maneira que entende ser a mais apropriada.
Laurindo Matos recorda que aprendeu a profissão com o seu pai que, já na sua altura, “levava a aparelhagem numa moto, com a ajuda da minha mãe, para as festas”. Laurindo percorre as várias festas em S. João da Madeira, desde 1969. A Festa Grande, assegura, “sempre atraiu muitas pessoas de fora, pela sua qualidade e dimensão”. Lembrou a ´O Regional’ que os palcos, como a própria festa, se dividiam por vários pontos da cidade. O palco principal, onde atuavam os grandes nomes da música, chegou a estar localizado junto ao mercado municipal e ao lado do pavilhão da Sanjoanense. As bandas de música concentravam-se mais no centro da cidade, no coreto do Largo de Santo António, recorda.

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