Sociedade

“O nosso crescimento e reconhecimento nunca estará no nível que pretendemos”

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Implementada na cidade desde 2015, a Associação de Apoio à Criança Hiperativa (PHDA,) com sede na Casa das Associações, em S. João da Madeira, é uma referência “única” na região e no país, acompanhando mais de 60 famílias

Jornal ´O Regional’ - A perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA) é uma condição neurobiológica do desenvolvimento e comportamento. A Associação de Apoio à Criança Hiperativa nasceu em S. João da Madeira em 2015. Qual é a melhor forma de descrevermos estes nove anos de atividade?
Teresa Melo - São nove anos de trabalho pelo reconhecimento e afirmação de uma condição que, apesar de ser uma das mais estudadas, continua a ser das menos entendidas. Nove anos em que tentamos estar ao lado de crianças, jovens e famílias, estabelecendo pontes e derrubando algumas barreiras sociais

É uma associação sem fins lucrativos. Qual é a missão desta associação?
A Associação tem como fins o apoio social e informativo a pais, crianças e jovens com hiperatividade, promover e dinamizar ações que contribuam para o pleno desenvolvimento e inclusão dessa mesma população.

Tem dois filhos com PHDA. Um com 23 e o mais novo com 17. De que forma se apercebeu desta perturbação?
Como a maioria dos pais, tive de fazer um percurso de pesquisa, busca por respostas e algum trabalho de casa, ou seja, não foi um percurso fácil. Sobretudo porque somos confrontados com uma perturbação não visível, mal interpretada pela sociedade em geral, vista como mau comportamento e falta de educação. Li muito, procurei ajuda especializada, ouvi os médicos, aprendi com a experiência. A PHDA tem um impacto fortíssimo na vida familiar e nos diferentes contextos, por isso, desde cedo os, pais se apercebem de diferenças.
A entrada na escola, no entanto, é quase sempre o primeiro grande sinal de alerta e comigo também o foi. Se bem que no caso do filho mais velho não existe apenas esta condição e daí ter sido um processo ainda mais “penoso”

Muitos professores já se queixaram do comportamento de algumas crianças por serem irrequietas, tagarelas, com muita energia ou dificuldades de concentração. O papel da escola e da própria família é fundamental na ajuda precoce da (PHDA) destas crianças, permitindo uma melhor gestão do quotidiano?
O papel da escola é fundamental e pode mesmo ser decisivo no percurso de vida, tanto como a própria família, até porque, estando a PHDA ligada a questões biológicas que afetam a capacidade executiva, a aprendizagem pode ficar comprometida e a desmotivação leva a um percurso escolar difícil e desgastante para todos. Por isso, intervir desde cedo, capacitar os professores a par dos pais, alertar e sensibilizar para a necessidade de dotar os alunos com PHDA de ferramentas ajustadas e adaptadas é mesmo uma prioridade.
Principalmente, colocar o foco na criança / jovem, escutando as suas necessidades e apoiando o seu desempenho. Isso implica um esforço conjunto para a escola e família

“Há quem pense que esta é uma perturbação dos tempos modernos”

Ainda existem muitos mitos associados a esta perturbação?
Muitos! Começando pelo clássico “no meu tempo não havia hiperatividade” que há mesmo quem pense que esta é uma perturbação dos tempos modernos, o que não é de todo verdade! Depois, muitos dos mitos estão associados à ideia de que ser hiperativo é estar sempre em movimento, não passa de irrequietude, o que leva à desvalorização de muitos outros sintomas bem mais impactantes. E claro que existe a errada associação da PHDA a questões de (in)disciplina parental – esse é talvez o que mais se perpetua e leva a um estigma muito presente ainda nos nossos dias.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3977, de 29 de fevereiro de 2024 ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/
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