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Novo hotel Meliá abre este verão e cria 40 postos de trabalho

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O Palacete dos Condes será devolvido, ao fim de várias décadas, à cidade. Transformado em hotel, o Meliá São João da Madeira, do grupo Hoti Hotéis, tem abertura prevista para este verão. Vai ter salas batizadas em homenagem à Oliva, aos lápis, aos sapatos. Com um investimento de 16 milhões de euros, a nova unidade hoteleira de quatro estrelas contará com 95 quartos e criará 40 novos postos de trabalho diretos naquele que, nas palavras do presidente da Câmara de S. João da Madeira, será “o melhor hotel da nossa região”.
O novo hotel Meliá São João da Madeira deverá abrir ao público até ao verão deste ano. A garantia foi dada por Manuel Proença, administrador do grupo Hoti Star Portugal Hotéis, durante uma visita às obras realizada na passada segunda-feira aos jornalistas.
A nova unidade de quatro estrelas representa um investimento de cerca de 16 milhões de euros por parte da Hoti Star Portugal Hotéis e criará aproximadamente 40 novos postos de trabalho, afiançou este responsável durante a visita.
“Estamos perante um edifício belíssimo. Acreditamos muito neste projeto” — salientou —, “que irá respeitar muito as coisas locais”, dando como exemplo “os funcionários usarem no dia a dia, por exemplo, uma boina”, dando, neste caso, “um cunho pessoal” a quem visitar a cidade, levando-os numa viagem à história da indústria da chapelaria — enfatizou.
Situado no centro da cidade, o hotel, cuja exploração é concessionada pelo município pelo período de 50 anos, resulta da reabilitação e transformação integral do histórico Palacete Conde Dias Garcia.
Delfim Filho, diretor-geral do grupo, explicou aos jornalistas, durante a visita, que o edifício original, com cerca de 1.000 metros quadrados, “foi todo preservado” e albergará a receção, lobby, bar, restaurante, zonas sociais principais e três suites.
Foi ainda construído um novo módulo, com aproximadamente 5.000 metros quadrados, ligado ao palácio original. Este espaço contempla 92 quartos com linhas modernas, salas de reuniões com luz direta, um centro de negócios com uma sala para conferências com aproximadamente 145 lugares sentados (Oliva 1), e uma mais pequena (Oliva 2). Juntam-se ainda mais duas salas (Lápis e Sapatos) com 24 e 36 lugares, respetivamente.
Irá disponibilizar um auditório e um Wellness Center, equipado com ginásio e neste volume integram-se também o SPA, com banho turco, sauna, frigidário e quatro salas de massagens que estará aberto à cidade. “Pretendemos que o mesmo tenha cerca de 200 sócios”, afirmou o responsável.
A juntar a tudo isto: piscinas (interior e exterior), estacionamento (interior com capacidade para 60 viaturas), mais o exterior, e jardins envolventes.
Este responsável sublinhou ainda que o projeto teve, desde o início, uma forte preocupação com a eficiência energética, refletida na implantação do edifício, na orientação dos vãos e na escolha criteriosa de vidros e caixilharias. O edifício contará também com painéis solares, e todos os equipamentos foram selecionados cuidadosamente para garantir sustentabilidade e conforto.

“É um novo equipamento que irá transformar a vida da cidade”

Recorde-se que o Palacete Conde Dias Garcia foi originalmente propriedade de António Dias Garcia, benemérito que fez fortuna no Brasil. O edifício, construído na viragem do século XX, é um exemplo da chamada “arquitetura dos brasileiros” ou “estilo abrasileirado”, destacando-se pelas fachadas amplas, com portas e janelas de pé-direito elevado, e pelos dois torreões com telhas coloridas — símbolos do prestígio e riqueza do seu proprietário.
Para o presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, que acompanhou a visita, “a cidade merece este hotel e o Grupo Meliá merece a nossa gratidão”.
Jorge Vultos Sequeira enfatiza que, com este empreendimento, consegue-se “a devolução para a cidade, para a economia, para as pessoas, para as empresas e, em especial, para o turismo de um dos edifícios mais emblemáticos” da história de S. João da Madeira, que se encontrava sem utilização há cerca de 30 anos.
O autarca não tem dúvidas de que será “o melhor hotel da nossa região”, acrescentando que este edifício, “além de ser um hotel, tem muitos serviços disponíveis para toda a população. É um novo equipamento que irá transformar a vida da cidade”, apesar de considerar que esta nova unidade hoteleira “não é um equipamento exclusivo destinado a S. João da Madeira. Será uma referência na região para o sector hoteleiro e que, no fundo, dá um grande e decisivo apoio ao programa industrial da cidade, às nossas atividades desportivas, às empresas (…)”.
Sublinhando a intenção de valorizar a ligação do futuro hotel ao programa municipal de Turismo Industrial, Manuel Proença realçou ainda, durante a visita, que o investimento em curso, para a criação desta unidade Meliá Hotel em S. João da Madeira é da ordem dos 13 milhões de euros, a que se somam mais 3 milhões em equipamento.
A infraestrutura do antigo edifício dos Condes foi recuperada na íntegra, e já é visível a sua renovação, com uma pintura ocre e dotado de todas as condições térmicas e acústicas exigíveis nos dias de hoje, e à qualidade imposta pela cadeia Meliá — tinha já afiançado Hugo Correia, o arquiteto responsável pela autoria do projeto, a ´O Regional´.

Vista panorâmica sobre a cidade

Do ponto de vista programático, este edifício devoluto contempla agora as funções de receção, bar, restaurante e, no último piso, terá “quartos comunicantes, através de um hall semi-privado”, e com uma vista panorâmica sobre a cidade. Foi mantida a existência da capela, que foi recuperada.
Hugo Correia tinha também avançado, na apresentação do novo hotel, que este volume foi criado de forma a que os quartos possam usufruir de uma agradável exposição solar.
Construído na viragem do século XIX para o século XX, o Palacete dos Condes é um exemplar arquitetónico do “estilo abrasileirado” ou “arquitetura dos brasileiros”, símbolo da afirmação, do prestígio pessoal e da riqueza do seu proprietário, António Dias Garcia, natural de S. João da Madeira, que fez fortuna no Brasil.
Após o desaparecimento de António Dias Garcia, nos anos 40 do século passado, o palacete funcionou como Instituto de Línguas, como Centro de Formação da Indústria do Calçado, como Liceu e ainda como Tribunal. Há cerca de três décadas, no entanto, mantinha-se sem utilização regular, o que levou a Câmara Municipal a integrar esse emblemático edifício no Programa Revive, a preparar a respetiva concessão por 50 anos, e a lançar o concurso para a criação de um hotel nesse emblemático edifício, impondo como condição a preservação da sua traça.

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