Sociedade

Nem o bacalhau parece salvar o Natal no Mercado Municipal

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Apesar do bacalhau ser rei e senhor à mesa dos portugueses, na noite de Natal, os comerciantes do Mercado Municipal de S. João da Madeira queixam-se das fracas vendas e não escondem o desânimo.

A época natalícia costuma ser uma das melhores alturas de faturação do comércio tradicional, mas, apesar de algum movimento, há comerciantes em São João da Madeira que se queixam da pouca adesão dos clientes e das vendas mais fracas do que o habitual. Ao mercado da cidade, esta época festiva, parece não chegar grande esperança e até a venda do bacalhau não está a salvar o Natal.
O descontentamento é partilhado pelos vendedores do Mercado Municipal, logo nas primeiras respostas às perguntas de 'O Regional’. “Além de serem poucas as pessoas que procuram este espaço, também temos vendedores a desistir”, assegura Victor Santos, vendedor de bacalhau e de congelados, dando como exemplo Laurinda Costa, que vendia bacalhau neste espaço há longas décadas e já não vende. “Vinham clientes de todos os lados. Era conhecida pela qualidade do bacalhau que vendia. Desistiu”.
Aos 50 anos e com mais de 30 à frente do balcão, Victor, considera que as obras tornaram o mercado mais “airoso e com um ar mais arejado”, mas não terá sido suficiente para atrair os clientes. O comerciante critica a autarquia por “não fazer uma melhor divulgação” deste espaço da cidade. “Deviam apostar num outdoor para divulgar o mercado”. Quem vende diz que está desmotivado. Segundo apurámos, no mercado há, atualmente, só duas bancas a vender este peixe, obrigatório na mesa dos portugueses, nesta altura do ano. “Claro que esperávamos mais clientes. O preço do bacalhau não aumentou assim tanto, em relação ao ano passado. Não há poder de compra, a vida está difícil e os clientes fazem escolhas”.
Ainda assim, os clientes fiéis de bacalhau continuam a aparecer, sendo que, diz Victor, “tenho clientes que só compram este peixe nesta altura do ano”. Ali, no seu espaço, não se vendem só peixes inteiros, também é possível comprar lombos congelados. “Há quem prefira as postas, mas é o peixe grande e os bons lombos que mais se vendem nesta altura”. Entre os vendedores, há um sentimento generalizado de desânimo, depois da pandemia ter dado tréguas e das obras no mercado terem esmorecido as vendas.
Tal como os fiéis do bacalhau, também há os fiéis das pencas, nesta quadra. Adelaide Azevedo vende, há mais de 30 anos, aquilo que as suas terras dão. “Tenho clientes que só me compram nesta altura a penca, porque sabem da qualidade da mesma”. Apesar de admitir que a inflação está a dar sinais de recuo, o poder de compra da maioria dos consumidores está afetado, sobretudo pelos custos com a habitação, o que, no seu entender, poderá ter um efeito negativo nas vendas de Natal. “Está muito fraquinho. Vou vendendo fruta e legumes, mas as pessoas estão claramente a comprar só mesmo aquilo que necessitam. O sábado era sempre o melhor dia para as vendas no mercado, e isso já não se verifica”, assegura.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3967, de 21 de dezembro ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/

 

 

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