Sociedade

Na rua ou no tablet brincar é fundamental para o desenvolvimento das crianças

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Se antigamente as crianças brincavam mais na rua e recorriam a jogos hoje chamados tradicionais, atualmente o tradicional virou digital e mesmo em tenras idades equipamentos tecnológicos como tablets já fazem parte da rotina de muitas.

Na opinião da educadora de infância Ana Sofia Santos, os brinquedos “estimulam a aprendizagem e a relação da criança com o mundo que a rodeia”. A educadora da creche Albino Dias Fontes Garcia considera ainda “fundamental ter critérios na escolha dos brinquedos”, nomeadamente que os brinquedos sejam adequados à faixa etária da criança, atentando à “multiplicidade de utilização, materiais, segurança, resistência e qualidade”. Além disso, podem ser considerados os interesses e necessidades das crianças.
Ana Sofia Santos não considera que as brincadeiras das crianças possam, de algum modo, incentivar a atitudes de bullying, mas frisa que é “fundamental que se explique à criança quais os limites de uma brincadeira”.
“A brincar as crianças desenvolvem vários domínios. O que significa que a forma como brincam pode influenciar uma criança a nível social e/ou a nível intelectual a médio e longo prazo, pois a criança pode ficar assinalada de forma positiva ou negativa, influenciando o seu estado emocional”, acrescenta a educadora, para quem “a imaginação de uma criança não tem limites”.
Questionada sobre possíveis impactos de oferecer brinquedos que remetam para objetos mais violentos (como armas) indica que as crianças “conseguem transformar qualquer tipo de objeto numa arma” e que, portanto, o importante é explicar “as vantagens e desvantagens desse mesmo objeto, permitindo à criança explorar aspetos positivos e negativos”.
Para si “o importante é que o brinquedo vá ao encontro às necessidades e interesses da criança, resultando num desenvolvimento pleno e harmonioso”.
Sobre hábitos de brincar antigos, em espaços como a rua, por comparação com hábitos mais recentes, como ficar em casa num ambiente digital, responde que “é fundamental que as crianças contactem com o ambiente que as rodeia, com elementos naturais, como a terra e a água; para que se desenvolvam a nível global, principalmente, nos primeiros anos de vida, onde a criança descobre o mundo que a rodeia e é capaz de explorar diversos materiais, dando-lhes vários significados”.
Em todo o caso, sublinha que “algumas das crianças de hoje estão de tal forma conectadas que não descobrem o mundo da mesma forma, o que posteriormente se reflete no seu desenvolvimento”.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3893 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 26 de maio de 2022

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