
O adiantamento dos relógios na madrugada de domingo impõe alterações nos hábitos diários e suscita reações distintas entre moradores de São João da Madeira, com impactos sentidos sobretudo no sono e na gestão do tempo.
No centro comercial 8.ª Avenida, Manuel Santos passa grande parte dos dias. Sentado num dos bancos, o reformado de 75 anos admite que a mudança da hora não lhe é indiferente, sobretudo no período de inverno. “Quando muda para a hora de inverno fico aborrecido. Fica noite cedo e custa mais a passar as horas”, afirma a O Regional. Viúvo desde 2020, encontra naquele espaço uma forma de preencher o tempo e mitigar o isolamento. “Vejo pessoas, não apanho frio” e assim atenua “a solidão de quem vive sozinho”. Para si, a solução seria simples. “Era sempre o horário de verão e pronto”.
Com a aproximação da primavera, regressa o horário de verão. Na madrugada de 29 de março, em Portugal continental e na Madeira, à 01h00, a hora passa para as 02h00. Nos Açores, a alteração ocorre à meia-noite, quando os relógios avançam para a 01h00.
A mudança assinala o fim do horário de inverno. Nesse domingo dorme-se menos uma hora, mas a luz natural prolonga-se ao final da tarde. O regresso ao regime de inverno está previsto para 25 de outubro de 2026.
Mário Almeida relata efeitos distintos, mas igualmente negativos. O sanjoanense garante que a alteração da hora interfere com o descanso e o bem-estar. “Além de dormir mal sinto-me mais cansado, com dores de cabeça, ando mais aborrecido e até mais cabeça no ar”, refere.
Aos 67 anos, aponta dificuldades nas rotinas diárias. “Nos dias de inverno vou buscar os netos à escola e já é noite, não consigo andar no jardim municipal até mais tarde porque é escuro. Não gosto, não gosto da mudança da hora”.
“Para mim é indiferente, não me faz grande diferença”
Encontrámos Ana Pinho, de 22 anos, na Praça Luís Ribeiro, onde desvalorizou esta alteração da hora e garantiu não sentir impacto significativo no dia a dia. “Para mim é indiferente, não me faz grande diferença”, afirma.
A jovem estudante explica que, perante a alteração, ajusta naturalmente os horários. “Acabo por me deitar mais cedo e adapto-me sem dificuldade”, refere, indicando que a rotina não sofre alterações relevantes.
Admite ainda uma preferência pelos meses mais frios. “Gosto dos dias de inverno, sinto-me mais confortável e não me incomoda que anoiteça mais cedo. Coloco todas as séries em dia”, acrescenta sorrindo.
O regime em vigor resulta de uma diretiva comunitária de 2000, que estabelece a mudança da hora no último domingo de março e no último domingo de outubro. Apesar de a Comissão Europeia ter proposto, em 2018, o fim do acerto sazonal, o processo continua sem acordo entre os Estados-membros.
A nível científico, persistem dúvidas sobre os efeitos desta alteração. Há estudos que associam o ajustamento a perturbações do sono, maior cansaço e dificuldades de concentração, embora as conclusões não sejam consensuais.
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