Sociedade

O ontem e hoje da Mourisca

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Na manhã do passado dia 22 de junho, O Regional visitou mais um Bairro Social Sanjoanense. Desta vez a paragem foi na Mourisca onde estivemos à conversa com Fernando Moreira e António Monteiro da Fonseca, dois dos habitantes mais antigos deste local.

Quando, há 40 anos, veio viver para o Bairro da Mourisca, Fernando Moreira (71 anos) admitiu que não foi algo que fez de ânimo leve, uma vez que as condições das infraestruturas não eram as melhores. “Isto naquela altura não tinha nada”, avançou o septuagenário, informando que quando veio para ali foi expropriado, juntamente com os restantes moradores que com ele viviam, (6 inquilinos), numas moradias localizadas no terreno onde hoje é “a escola número três”. “A Mourisca fica a uns três quilómetros dessa minha antiga habitação. Na altura tinha sido operado e andava com canadianas, e perto destes prédios não havia estradas, nem luz, pois estamos a falar de há quarenta anos atrás”, denotou o reformado. O prédio onde agora mora foi acabado “em oito meses” para que as pessoas pudessem ir viver para ali, “foi uma coisa muito aldrabada”. “Para trazermos as nossas mobílias tivemos de arranjar umas tábuas para que o camião as pudesse trazer até aqui”, relatou FM, confessando que também não estava preparado para “viver em apartamentos”. “Quando vivia na antiga casa entrava à hora que queria, tinha terreno, criava galinhas, coelhos, tinha fruta e depois o ambiente era melhor”.

“Mau ambiente…roubos e droga”

Fernnado Moreira habitante da Mourisca há 40 anos

Fernando Moreira admitiu que na altura em que veio viver para o Complexo Habitacional da Mourisca o ambiente “não era bom”, pois não havia segurança. “Existiam roubos, droga e ninguém respeitava ninguém, também havia barulho até altas horas”, contou. “Não sou contra ninguém, mas chegou a um ponto em que as pessoas se revoltaram e queixavam-se, mas as autoridades nada faziam”, confessou.
Não obstante, o munícipe referiu que apesar de terem existido “muitos problemas” ali, esses têm vindo a diminuir ao longo dos anos. “Entretanto a malta começou a crescer e a coisa começou a melhorar, hoje é tudo sossegadinho”, admitiu, “as pessoas já se respeitam mais umas às outras, dizem bom dia e boa tarde”. “Até fui considerado racista”, mas garantiu não o ser. “Eu andei mesmo desesperado, não sou racista, só não admito que mexam nas minhas coisas e se metam na minha vida”, reconheceu.
Ainda assim, também destacou que desde que a empresa municipal Habitar começou a gerir as habitações sociais a situação melhorou consideravelmente. “Melhorou em tudo, principalmente em relação ao antigamente muito, espero mesmo que seja sempre a melhorar e que não piore”.

“Isto parece uma selva”

Fernando Moreira fez igualmente questão de mostrar um dos problemas que mais afetam os moradores da Mourisca, que é a falta de corte das ervas nos canteiros municipais. “Temos este problema aqui, está tudo coberto de ervas, já tentamos expor este problema à Câmara várias vezes, a última vez foi há mais de mês e meio, e não fazem nada. Declarou estar revoltado com o Município pois, a seu ver, “só se virar para o centro da praça e para Fundo de Vila, aqui na Mourisca não fazem nada”. De inverno, os blocos de apartamentos “são muito frios” e a chuva “entra dentro das casas”, uma vez que o telhado tem de ser renovado. “Sabemos que vão fazer aqui obras, escritórios, modernizar isto tudo, e colocar capoto”, enumerou, notando que também o telhado tem de ser alterado, pois o que ali está é “de um material que faz mal à saúde” e “pode provocar cancro”. “Tem duração de 10 anos e já está aqui há 40, estou farto de dizer ao Presidente que S. João da Madeira é tudo que tem de se virar para a Mourisca.”
Num momento de maior reflexo proferiu um pensamento em voz alta, “as ervas altas fazem-me lembrar o capim quando andava no ultramar”. “Não entendo aqui em baixo tem uma capela e já cortaram 3 vezes, enquanto aqui ainda não está cortado”. Notou também as raízes das árvores salientes que já “provocaram algumas quedas a moradores”, uma vez que “as árvores estão em cima dos passeios chegando a arrancar o empedramento”.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3946, de 29 de junho ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/

 

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