Sociedade

Morreu, aos 103 anos a Irmã Flora

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Faleceu, aos 103 anos, a irmã Flora sobrinha do historiador, poeta, escritor e padre Serafim Leite. Em janeiro deste ano, numa entrevista a ´O Regional’, traçou o seu percurso de vida. O funeral realiza-se esta quinta-feira.

Flora Pinto Leite (1920-2023). A irmã Flora nasceu em S. João da Madeira e em janeiro deste ano lembrava em entrevista a ´O Regional’ um pouco do seu percurso religioso, e a sua “forte” ligação à terra que a viu nascer.
Oriunda de uma família grande. Teve seis irmãos. Nasceu em maio, exatamente no mesmo dia em que os seus Pais comemoravam dois anos de casamento. Flora era a irmã mais velha da família. Atualmente, só o irmão mais novo, o “Finzinho”, está vivo.
Estudou no colégio Castilho, em S. João da Madeira, até ao 5.º ano. Dois anos mais tarde, foi estudar para o Colégio do Sardão e, foi ali que, num retiro orientado pelo Padre Moreira, sentiu a grande vontade de ser doroteia. Tinha 19 anos, e era necessário autorização para sair de casa. “Teria de esperar até aos 21, pois era a idade maior. Fugi de casa. Sentia que aquela era a minha vocação. Não foi fácil…”, assumia na entrevista.
Apesar dos pais serem católicos, a notícia não foi bem aceite, e, na altura, não permitiam esta sua decisão. “Tive de fugir de casa para ser freira. Foi um período complicado. Saí e segui o meu destino. Eles não queriam que eu fosse freira, nem por nada, embora até existissem outras pessoas ligadas à religião na nossa família”, recordava. Do Sardão passou para Coimbra, onde, com outras irmãs, entrou na Universidade, na Faculdade de Letras, onde se formou em Filosofia Românica.
Na entrevista assumiu várias vezes “o gosto em ser sanjoanense”, não escondendo a “honra de pertencer” a uma terra conhecida pela cidade do trabalho.
Recordou as grandes empresas e de milhares de trabalhadores que nelas trabalhavam, destacando os sapatos e os chapéus, como sendo sempre a grande referência.
Relativamente à paróquia revelava que a mesma era uma paróquia única, de um único concelho e de uma só freguesia, que ainda hoje é caso excecional em Portugal. Os sanjoanenses sempre foram muito ligados à igreja. Eu fiz a minha comunhão solene com cerca de 10 anos e, já nessa altura, integrava um grupo muito grande de jovens.
Sobrinha do historiador, poeta, escritor e padre Serafim Leite, garantiu que o sacerdote não teve qualquer influência na sua decisão religiosa. Assumia-se como uma mulher “simples, muito dedicada à oração e ao ensino”, que passou, os seus dias no Colégio do Sardão, de onde sairá o seu funeral esta quinta-feira, pelas 15 horas.

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