
Fausto Sá, nome máximo do grupo clínico-empresarial Centro Médico da Praça (CMP) em entrevista ao jornal 'O Regional' anuncia a abertura de um 'mini hospital' para breve
Jornal o Regional’ -´O mundo viveu uma página difícil da sua história com a pandemia da covid-19. Sendo o laboratório de Análises Clínicas do Centro Médico da Praça o único na região dos concelhos de Aveiro Norte, de que forma preparou as suas clínicas para darem resposta à realização das análises deste vírus?
Fausto Sá – Não obstante já ter a possibilidade, no início da pandemia, de realizar os testes do Covid -19 por PCR através do aparelho de Biologia Molecular já existente no Laboratório de Análises Clínicas, devido a certos procedimentos técnicos e autorizações superiores, tivemos que aguardar que toda a burocracia fosse ultrapassada.
Nesse sentido, e de imediato, recorremos às instalações de Santa Maria da Feira, adquiridas em dezembro de 2019, com ótimas condições, para instalarmos o Laboratório de Biologia Molecular.
Após as obras de adaptação, e a aquisição de equipamento ligado a esta especialidade, de imediato, investimos em aparelhos automáticos, com tecnologia mais avançada, para que fosse garantida a qualidade e a fiabilidade dos ensaios realizados, e cumprir todos os requisitos e normas oficiais de biossegurança, legisladas para tal, não esquecendo também a maior proteção dos Técnicos e Especialistas que aí trabalhavam.
De salientar que, para se integrar a rede Nacional de Laboratórios, acreditada / autorizada pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, tivemos que nos sujeitar a um cumprimento de avaliação técnica inicial deste Laboratório de referência para vírus respiratórios, mantendo um plano periódico de controlo externo final bem-sucedido, de qualidade 100%.
Recorda-se do primeiro caso positivo de Covid-19 em S. João da Madeira?
Os primeiros casos positivos surgidos no nosso Laboratório de Biologia Molecular remontam a Maio de 2020, em que surgiram 11 casos positivos em 227 testes, cuja percentagem de 4,84 %, para nós, na altura, já era preocupante e uma incógnita, se reportarmos ao que aconteceria no primeiro pico de novembro / dezembro de 2020, com percentagens que atingiram os 30%, na nossa zona de intervenção.
Percebeu imediatamente que tinha dias difíceis pela frente?
Sem dúvida que, pelo facto de estarmos no início de uma pandemia, com exemplos dramáticos, anteriormente vividos na China, e não só, e com alguns exemplos de positivos surgidos a Norte de Portugal, de imediato, tivemos que nos precaver com reforço de Kit’s de reagentes e de material, para que pudéssemos oferecer, em tempo útil, os resultados do PCR do Covid-19,quer de testes rápidos de Antigénio, quer de Anticorpos IGG IGM, que fossem credíveis e validados pelo Instituto Ricardo Jorge.
O que mais lhe custou em todo este processo?
Todo o processo da pandemia originou um investimento avultadíssimo, com riscos elevados, na altura, e cujo retorno, nessa data. era imprevisível e possivelmente arriscado, facto que se veio a confirmar mais tarde, pela negativa, estando neste momento retidos em armazém vários equipamentos cujo investimento ultrapassou milhares e milhares de euros.
Estas indecisões nos investimentos realizados, associados ao recrutamento de pessoal especializado, não só na área de Biologia Molecular, como enfermagem, administrativos, (…), para dar resposta, em tempo útil, às solicitações das populações da região. Foram preocupações constantes, vividas em tempo de pandemia, onde nem aos fins-de-semana havia descanso.
O que aprendeu com a pandemia?
Aprendi, na pandemia, que, para se vencer, não é necessário só ter vontade, ser lutador e ser-se tecnicamente profissional. Aprendi que, para vencer, temos que ultrapassar as barreiras dos compadrios e amizades, para entrarmos em certas organizações.
É caricato, mas aconteceu, que o único Laboratório da região que paga impostos e dá trabalho aos seus munícipes foi preterido e ignorado, por completo, por determinados Municípios do nosso do Distrito. Além disso, reprovo, e lamento, o facto de nunca nos terem contactado quer para dar preços, quer para colaborar na testagem do covid-19. Tudo isto, muito estranho e incompreensivo, uma vez que tais convites foram dirigidos a grupos com Laboratórios instalados no Porto, Coimbra ou Lisboa, e alguns deles pagam impostos fora de Portugal, e que, após terem terminado os picos da pandemia, altura de maior faturação, deixaram de fazer testes, retirando-se desses locais.
O seu laboratório está preparado para a realização de análises à varíola dos macacos (Monkeypox)? Já foi detetado algum caso em S. João da Madeira?
A técnica para a deteção da Varíola dos Macacos é igual à praticada para o Copvid-19, variando única e simplesmente o Kit do teste correspondente.
Neste momento, estamos preparados para realizar testes para as análises à varíola dos macacos (Monkeypox). Até à data, não tivemos solicitações nem fomos abordados nesse sentido.
Artigo disponível, em versão integral, na edição nº 3902 de O Regional,
publicada em 28 de julho de 2022
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