
Ministro Castro Almeida esteve presente na sessão de apresentação da publicação, que revela vários episódios da vida deste gigante da indústria do ferro, muitos dos quais desconhecidos. Lançamento do livro decorreu no velho complexo industrial.
Em antigas instalações do gigante da indústria do ferro que foi a Oliva, que em parte são agora propriedade de João Brandão, este empreendedor sanjoanense, chairman do grupo ERT, promoveu o lançamento do mais recente livro sobre essa histórica empresa de S. João da Madeira, criada há 100 anos e que, ao longo de décadas, constituiu uma referência na economia portuguesa. A sessão contou com a presença de muitos antigos trabalhadores, descendentes de António José Pinto de Oliveira (fundador da Oliva), personalidades do concelho e responsáveis políticos, entre os quais o Ministro Adjunto e da Coesão Territorial de Portugal, Castro Almeida.
Este governante foi autarca da cidade entre 2002 e 2013, tendo sido, nessa qualidade, responsável pela aquisição e requalificação de parte do património da Oliva, nomeadamente o emblemático edifício da torre, onde funciona o Welcome Center do Turismo Industrial de S. João da Madeira e o Museu do Calçado, e a zona dos fabricos gerais, que acolhe a Oliva Creative Factory e o Centro de Arte Oliva. Esse investimento público foi lembrado pelo atual presidente da Câmara, Jorge Sequeira, na sua intervenção na sessão de lançamento do livro, intitulado "OLIVA: A História por Contar (1925-2010)", da autoria da investigadora Catarina Moreira.
Município agradece a João Brandão
O atual edil de S. João da Madeira referiu outras ações que, entretanto, se seguiram, no sentido de preservar, patrimonializar e promover a memória associada à Oliva, que deixou de laborar à entrada da segunda década do século XXI. Jorge Sequeira destacou que esse trabalho "é agora completado de maneira muito exaustiva, muito detalhada, de maneira aprofundada" com a publicação de "OLIVA: A História por Contar (1925-2010)", através da iniciativa de João Brandão. No entendimento do autarca, este é um exemplo de como a "conjugação do esforço público com o esforço privado dá bons frutos".
O presidente da Câmara deixou, por isso, um agradecimento público ao empresário João Brandão pelo "seu gesto mecenático" que possibilitou o lançamento deste livro, que considera um contributo para a "preservação da história de S. João da Madeira e da história de Portugal", assinalando que a Oliva é, "em primeiro lugar", património local, mas é também "uma parte importante da história da nossa república", pelo que o responsável da ERT "presta um serviço ao município e ao país".
Aproveitando a oportunidade para "recomendar a todos - vivamente - que leiam o livro", Jorge Sequeira, assegurou que as histórias que são desvendadas nessas páginas "são fascinantes". Do que já leu na publicação, o autarca conclui até que "ao fim e ao cabo, o turismo industrial nasceu com a Oliva em 1957", pois a empresa, nessa altura, abriu-se "ao público, fazendo anúncios e organizando excursões de visitantes enquanto produzia". Um conceito que é hoje colocado em prática, naturalmente de forma mais desenvolvida e abrangente, através do programa municipal de Turismo Industrial.
"Um lado profundamente humano"
Como sustenta a historiadora Catarina Moreira, a Oliva foi “mais do que máquinas”, pois há também “um lado profundamente humano” no percurso da empresa, que está muito presente no livro de que é autora e que culmina 10 anos de investigação. Trabalhando, nomeadamente, sobre mais de 280 documentos da antiga empresa que foi possível recuperar e estudar, a historiadora revelou que abraçou o desafio “de alma e coração”, levando por diante o pedido que lhe foi endereçado por João Brandão para, nas palavras do próprio, “deixar esta memória viva”,
O programa da sessão de lançamento de “OLIVA: A História por Contar” incluiu ainda a entrega a antigos trabalhadores de exemplares do livro e de alfinetes comemorativos do centenário da fundação da empresa, onde foram fabricados produtos de referência, como as famosas máquinas de costura Oliva.
"Dar voz à história da Oliva"
Como `O Regional´antecipou, este é o primeiro “grande” livro de investigação sobre a histórica empresa, cuja memória permanece viva naqueles que trabalharam nela, segundo a sua autora. A Metalúrgica Oliva, fundada em 1925 em S. João da Madeira, foi a maior empresa da cidade e deixou uma marca profunda na comunidade, não só pela sua dimensão, mas também pelas regalias que oferecia aos seus trabalhadores. Em 1973, a Oliva contava com um total de 3.363 empregados.
De acordo com Catarina Moreira, o livro foca-se no impacto cultural e económico da cidade, destacando-se mais pelos factos inéditos que revela do que pelas imagens, oferecendo uma nova perspetiva sobre o papel fundamental que a Oliva desempenhou ao longo de quase um século. A investigadora começou por recolher, durante dois anos, “tudo aquilo que havia dentro das instalações do edifício das máquinas de costura”. Paralelamente a isso, pesquisou notícias de jornais e descobriu, nomeadamente, que o jornal ´O Regional´ tinha, nessa altura, uma coluna específica com notícias “só sobre a Oliva” e foi compilando todas estas informações.
Ainda segundo Catarina Moreira, o objetivo principal deste projeto é dar “voz à história da Oliva”, não apenas enquanto fábrica, mas também enquanto “símbolo de inovação, progresso e identidade” para toda a comunidade de S. João da Madeira. Para além da abordagem factual da história da Oliva, o livro destaca aspetos menos conhecidos ou até inéditos da sua evolução, contribuindo para um entendimento mais profundo sobre a relevância desta instituição.
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