Sociedade

“Indústria à Mesa” leva banheira da Oliva à gastronomia

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Na cozinha, como na indústria, a forma até importa. Em São João da Madeira, a tradição fabril inspira a gastronomia local através de uma peça criada no âmbito do projeto “Indústria à Mesa”, que este ano homenageia o centenário da metalúrgica Oliva com a criação de uma banheira. A iniciativa alia inovação e identidade, com o apoio do Centro Tecnológico do Calçado, num objeto comestível e distintivo, pensado para integrar a oferta de restaurantes, pastelarias e outros espaços de restauração locais, reforçando a ligação entre cultura, turismo e criatividade.

Imagine uma banheira, um sapato ou vários modelos de chapéus… mas em versão doce! São algumas das propostas que vão continuar a surpreender quem visitar alguns restaurantes de São João da Madeira, no âmbito do projeto “Indústria à Mesa” desenvolvida este ano de forma colaborativa com o apoio do CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, uma ação que valoriza o cruzamento entre gastronomia e indústria.
O projeto “Indústria à Mesa” presta este ano homenagem à Oliva, a mais emblemática empresa de São João da Madeira, que celebra este ano o seu centenário. A icónica banheira da marca foi escolhida como símbolo desta edição, representando a inovação que sempre caracterizou a empresa e a cidade. A peça foi recriada em formato reduzido, com base num antigo brinde oferecido a visitantes da fábrica, e está agora em exposição na Torre da Oliva. Para além do valor histórico, a sua forma foi adaptada para servir criações gastronómicas, unindo memória e criatividade à mesa.
A banheira junta-se assim a outros elementos visuais inspirados na indústria local, como moldes de calçado, chapéus, lápis ou peças de marroquinaria. Este conjunto de formas não só reforça a identidade de São João da Madeira como permite explorar novas narrativas no turismo e na gastronomia, valorizando o território através da diferença e da inovação – marcas que, como a própria Oliva, continuam a moldar o futuro da cidade.
Embora o projeto já seja conhecido, tem vindo a surpreender todos os anos com novidades, e este ano destaca-se pelas sobremesas criativas inspiradas em objetos do quotidiano e que presta homenagem à herança industrial de São João da Madeira, aliando tradição, inovação e identidade local.
Durante a apresentação na Torre da Oliva, Alexandra Alves, diretora do Turismo Industrial, sublinhou a importância da parceria com o CTCP, que permitiu testar e desenvolver moldes inspirados na indústria local.
“Foi muito importante termos este parceiro do turismo industrial, que nada tem a ver com a gastronomia, mas que apoiou os nossos agentes locais a testar as formas em produção 3D.”
A peça central do projeto é uma banheira em miniatura, símbolo do centenário da Oliva, recriada a partir de um molde histórico. “Apostamos na banheira por ser um elemento simples de reproduzir e que podia levar conteúdo no interior.”
A iniciativa desafia os chefs a reforçarem a componente visual dos pratos, aproximando o design gastronómico dos processos industriais. “É um projeto que trabalha muito o visual, desafiando-os a dedicarem-se mais à apresentação.”

Identidade fabril da cidade num objeto comestível

Pedro Barco, investigador no Centro Tecnológico do Calçado, explicou que o desafio começou por identificar os principais símbolos da região: “O lápis, o calçado, uma refinaria, a chapelaria e, por último, as banheiras.” Segundo ele, esta identificação contou com o contributo de todos, pois “não sabia quais eram” os símbolos regionais.
O projeto foi desenvolvido em equipa, no âmbito da Inovação e Educabilidade Digital do Centro. O objetivo era transformar esses símbolos em silhuetas reconhecíveis, como as gastroformas, “principalmente para corte de bolachas, mas que têm outras aplicações”. A dificuldade esteve em garantir que, com uma forma simples, fosse possível identificar claramente um lápis ou um sapato, por exemplo.
Pedro realça que se tratou de “um processo criativo” que depois evoluiu com apoio da tecnologia de conversão 3D. A partir daí, as ideias ganham “um corpo físico que podemos testar, validar”, dando origem não só aos símbolos, mas também ao logótipo do turismo industrial e outros materiais.
O projeto envolveu também a restauração local, explorando novas aplicações, como moldes de manteiga para serem servidos nos pratos – uma ideia que surgiu “já a meio” do processo.
Pedro destacou ainda a integração de alunos do secundário em estágio, que contribuíram com as suas ideias.
O presidente da Câmara de São João da Madeira, Jorge Vultos Sequeira, afirmou que o projeto Indústria à Mesa, em parceria com o Centro Tecnológico do Calçado, “junta-se a outros momentos que temos vivido de dinamização e afirmação. O que temos feito é sempre inovar, quer com os bancos de lápis, com as boinas, com esta parceria, com a Indústria à Mesa, e com projetos de natureza estrutural,” concluiu.
As peças, criadas no âmbito do projeto “Indústria à Mesa”, traduzem simbolicamente a identidade fabril da cidade num objeto comestível e distintivo, pensado para integrar a oferta de restaurantes, pastelarias e outros espaços de restauração locais.
A iniciativa, promovida pelo Município através da Unidade de Turismo, assume-se como uma extensão do Turismo Industrial, com o objetivo de reinterpretar os ícones da indústria local à mesa, cruzando tradição, inovação e criatividade.

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