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Hospital da Feira lamenta perda de bebé e confirma abertura de processo interno

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A morte de um bebé às 37 semanas no Hospital São Sebastião, levou a Unidade Local de Saúde de Entre o Douro e Vouga a abrir um processo interno de averiguação – reação que surge após a mãe, Tânia Silva, ter acusado a instituição de negligência

A Unidade Local de Saúde de Entre o Douro e Vouga (ULSEDV) vai proceder a uma averiguação interna sobre a morte de um bebé às 37 semanas de gestação, ocorrida a 20 de janeiro de 2025 no Hospital de Santa Maria da Feira. A grávida, Tânia Silva, de 26 anos, acusa a unidade hospitalar de negligência – sustenta que, desde as 26 semanas, não voltou a ser chamada para consultas de acompanhamento. “A médica do hospital simplesmente me abandonou. Esqueceu. Nunca mais me chamou para fazer análises, para ver o bebé. Nada. Simplesmente abandonou”, refere Tânia Silva em declarações ao Correio da Manhã.
Em comunicado a que tivemos acesso, a ULSEDV lamenta a morte do bebé e confirma que o caso está em análise. A administração assinala que a utente apresenta um historial de “faltas sucessivas e injustificadas” às consultas, incluindo numa gravidez anterior. Esta é a única referência feita pela instituição ao acompanhamento clínico da jovem. A unidade hospitalar enfatiza que o episódio, divulgado nos últimos dias, ocorreu há dez meses. O processo interno de averiguação está em curso e a administração afirma que serão avaliados todos os procedimentos adotados no acompanhamento da gravidez.
A Unidade Local lamenta “profundamente o desfecho da situação” da utente de 26 anos cujo bebé nasceu sem vida a 20 de janeiro de 2025 no Hospital de Santa Maria da Feira – enfatiza que “todos os factos estão a ser cuidadosamente analisados no âmbito de um processo interno de averiguação clínica e administrativa”. A instituição sublinha ainda que “a ocorrência de uma situação como esta reveste-se sempre de um sentimento de angústia para toda a equipa de profissionais do Hospital, cuja missão diária é salvar vidas”.
O comunicado refere que o primeiro registo de vigilância obstétrica da utente na instituição remonta a abril de 2020, durante a segunda gravidez. A ULSEDV assinala que a grávida teve acompanhamento em obstetrícia, endocrinologia e nutrição devido a diabetes gestacional, notando que foram verificadas “múltiplas faltas a consultas e de não realização de análises prescritas pelo médico de família”. O parto ocorreu por cesariana, a um de dezembro de 2020, resultando no nascimento de um recém-nascido vivo.
A nova gravidez foi registada em julho de 2024 e classificada como de risco – devido à combinação de diabetes e cesariana anterior. O hospital afirma que a utente foi observada em várias consultas até novembro de 2024 e que, nesse período, há registo de “faltas sucessivas e injustificadas nas consultas de obstetrícia, endocrinologia e nutrição”. O último contacto com a unidade antes do parto ocorreu numa consulta de nutrição, a três de dezembro de 2024.

Mãe quer responsabilização pela morte do bebé

Segundo o comunicado, a 20 de janeiro de 2025 a utente recorreu ao Serviço de Urgência, alegando ausência de movimentos fetais desde as 14h00 do dia anterior. Às 08h39 foi confirmado o óbito fetal intrauterino. A equipa internou a utente e explicou “a necessidade de indução de parto”, devido ao risco acrescido de uma nova cesariana. A administração afirma que a situação foi comunicada “em várias ocasiões pela equipa médica e de enfermagem”, com explicação das “opções terapêuticas adequadas ao seu quadro clínico, incluindo os riscos associados à cesariana prévia”.
A grávida optou pela cesariana e, de acordo com a ULSEDV, há “registo de aceitação de cesariana sob anestesia epidural”, tendo o procedimento decorrido sem complicações relatadas. “Não há registo, até ao momento, de incidentes clínicos intraoperatórios confirmados”, indica a instituição.
A alta hospitalar aconteceu a 23 de janeiro de 2025, com consulta de seguimento agendada para seis de fevereiro. Desde então, aponta o hospital, a utente faltou a cinco consultas subsequentes nas especialidades de psicologia, endocrinologia, nutrição e ginecologia. A ULSEDV afiança que “persistem faltas reiteradas às consultas de seguimento pós-alta”, o que, afirma, dificulta “a continuidade de vigilância clínica”.
A unidade hospitalar reforça que o caso está sob análise e declara a sua “solidariedade à utente e à sua família”.
Depois de tudo aquilo que passou, a mãe refere ainda ao Correio da Manhã que tentou apresentar queixa contra o hospital e que pediu o livro de reclamações a uma “enfermeira”, acrescentando que a mesma “recusou”. Tânia diz não se conformar com a morte do filho, acusa a obstetra de “negligência” e afirma que só quer que alguém se responsabilize pelo que aconteceu ao seu bebé.

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