Sociedade

Há cerca de 700 pessoas em lista de espera para os lares da Misericórdia

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Muitas famílias em S. João da Madeira e arredores têm pela frente um esforço redobrado, para que possam permitir condições dignas aos idosos. Esperam longos meses por uma vaga. O custo mensal de um idoso num lar é superior a 1.250 euros.

O problema arrasta-se há vários anos, é transversal a todo o país e agravou-se depois da pandemia. A Misericórdia de S. João da Madeira tem dois equipamentos residenciais de pessoas idosas. O Lar de Idosos S. Manuel, beneficiário de acordo de cooperação com a Segurança Social, que tem atualmente “650 inscritos listados em espera”, e a Casa de Repouso, “sem esse enquadramento e com 24 manifestações de interesse”, dá conta o diretor de serviços desta Misericórdia.
Victor Gonçalves revela que a lista nos equipamentos residenciais “vem-se avolumando de há muitos anos, pelo aumento da esperança média de vida”, e consequente envelhecimento da população, alteração de estilos de vida, “designadamente quanto ao papel dos cuidadores e às condições habitacionais, e pela falta de respostas sociais desta natureza, que são hoje as mesmas que eram há 30 anos neste concelho”.
No conjunto da sua atividade social, a Misericórdia “atende mais de 2300 utentes/ beneficiários”. Nos lares de idosos, e apenas considerando as respostas localizadas em S. João da Madeira, “a capacidade é para 175 utentes (90+85)”.
Este responsável assegura, ainda, a ‘O Regional’ que a lista de espera “não está estatisticamente tratada”, mas estima que os residentes em S. João da Madeira representem cerca de 60% dos inscritos.
Relativamente ao Lar de Idosos S. Manuel, por efeito do acordo de cooperação com a Segurança Social, o local de residência dos candidatos à vaga “não é critério para prioridade”. Esta é conferida à “vulnerabilidade socioeconómica do candidato”, ou seja, é “considerado o grau de dependência, o agregado familiar, a existência de cuidadores informais e a idade”. Na Casa de Repouso, em igualdade de circunstâncias, um residente em S. João da Madeira “tem prioridade”.
Vítor Goncalves realça que os lares de idosos “não são equipamentos de atendimento de urgência, nem conseguem sê-lo, dada a enorme lista de pessoas à espera. Cada vez que abre uma vaga, ela é imediatamente preenchida pelos candidatos inscritos. Logo, a integração tem de ser programada”.

Comparticipação da Segurança Social ronda os 490 euros

Quanto ao custo mensal de um idoso num lar, anuncia que “é superior a 1.250 euros”, um valor que nem todos parecem conseguir suportar.
Relativamente à comparticipação da Segurança Social refere que a mesma é de e aproximadamente 490 euros. O restante terá que ser assegurado pela família ou pelo utente.
Revela também que, por exemplo, se a reforma do utente rondar os 400 euros e não havendo outros rendimentos para além do valor da reforma, “o candidato deve procurar a integração, preenchendo o contingente de vagas sociais” que a Segurança Social tem em cada lar de idosos, e que representa entre 10% a 20% da capacidade desse equipamento. Nas “vagas sociais” explica que a Segurança Social coloca “parte da diferença” para o custo médio de idosos em lar, completando o rendimento do utente.
Segundo conseguimos apurar, os lares apenas são obrigados a dispor de um número reduzido de vagas para casos sociais, situações em que as reformas não suportam os custos.

“Um tempo de espera muito sofredor”

Manuel Pereira tem 85 anos, esteve inscrito na Misericórdia de S. João da Madeira mais de seis meses. Como a vaga “nunca mais chegava”, a família decidiu inscrever o familiar em várias instituições, uma vez que a doença dava sinais de evolução. Apesar de estar na altura num Centro de Dia, as noites eram de “grande sacrifíco” para os dois filhos que começavam também a dar “sinais de cansaço”, com uma situação que se arrastava no tempo. Manuel sofre de Alzheimer há mais de 15 anos. De um dia para o outro, a doença levou-o para o hospital. “Deixou de falar, ficou sem andar, agressivo. O hospital deu-lhe alta, e nós ficamos desesperados sem saber o que fazer, pois não tínhamos estrutura familiar que nos permitisse cuidar dele naquelas condições”, revela o filho.
Armando Pereira revela que solicitou às Assistentes do Hospital para verem se conseguiam uma alternativa, enquanto a vaga não surgisse. “De nada adiantou”, revela. Foi nesta altura que, “graças a um conhecimento”, esta família, em menos, de “24 horas” conseguiu colocar o familiar num lar. “Foi um alívio, pois ficamos descansados, mas sentimos uma revolta tão grande porque, se não fosse este pedido, ainda hoje o meu pai estaria em casa e sem condições”, revela.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa, n.º 3943,  de 8 de junho de 2023 , ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/

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