Sociedade

Há 100 anos n’O Regional...

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‘O Regional’ prosseguiu a bom ritmo o primeiro ano de vida.
Nas edições de novembro, publicadas nos dias 5 e 19, chegou o tempo de falar do imposto sobre transações, com o jornal a defender, uma vez mais, os interesses dos sanjoanenses e a lutar ativamente pela independência concelhia.
“Tem levantado e com razão, viva celeuma, no nosso meio industrial e comercial, o celebre imposto sobre transações”, começa por referir o artigo publicado na primeira página da edição de 5 de novembro de 1922, dando nota das agravantes e questionando, no seguimento, por que preço vai um chapéu chegar às mãos do consumidor.

Capa do jornal O Regional de 5 de novembro

O artigo apresenta cálculos e hipóteses, referindo que o “pequeníssimo industrial está ao abrigo de todos os perigos” e perguntando se a lei se faz para “moderar ímpetos de riqueza súbita ou ajudar a que esta se faça ainda mais depressa”.
“Esta lei traz, e com razão, alarmada a indústria porque provoca uma luta desigual entre industriais do mesmo artigo, o que não é admissível”, sustenta igualmente, refletindo sobre as consequências da lei em causa.
Mais uma vez, notam-se os sinais do “sufoco” de S. João da Madeira face à dependência de Oliveira de Azeméis, cuja então Câmara Municipal arrecadaria o “esforço” do trabalho da indústria sanjoanense.
Na página 3, outro texto, assinado por “X.X.” vai ainda mais longe: “Ah, senhores de Oliveira de Azeméis! Isto está a pedir vassoura, isto está a pedir Batista! Não basta então que S. João da Madeira custeie aí, quase completamente, quantos caprichos vós sonhais”, procurando assim o autor “demonstrar ao povo sanjoanense as desvantagens em continuar dependente de Oliveira de Azeméis”.
Esta edição dá ainda nota das subscrições para a Santa Casa da Misericórdia, indicando os nomes e valores das contribuições e do regresso, no anterior dia 26, dos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

Capa do jornal O Regional de 19 de novembro

Já na edição de 19 de novembro de 1922, a capa dá continuidade à manchete anterior, falando agora dos “absurdos da lei”, levantando novos problemas, considerando, por exemplo, que “a lei protege quem não trabalha”, acusando os deputados que a aprovam “a dormir” e sem lhes poupar nas críticas. Serão assim regulamentos feitos por pessoas que “tanto sabem de escrituração comercial como nós sabemos de chinês”, pode ler-se.
Este artigo conta ainda com um PS - post pcriptum, no qual ‘O Regional’ vem defender a sua honra face a declarações do então secretário de finanças, que se terá referido ao jornal como “um jornaleco”.
Assim, ‘O Regional’ preferiu acreditar que o governante desconhecia o verdadeiro significado da palavra, escusando-se a “umas receitazinhas familiares de boa educação e de boas maneiras para uso externos de pessoas que usem colarinho alto e punho engomados”, conforme se lê neste número.
A segunda edição do mês recupera ainda notícias passadas, nomeadamente a agressão ao abade da freguesia e um assassinato noticiado em maio, fazendo as respetivas atualizações informativas, que dizem respeito às decisões judiciais.
Raul da Silva Veiga, por sua vez, continuou a publicar o conto “O Espião”.
São ainda noticiadas as eleições municipais que “decorreram calmas” no concelho de Oliveira de Azeméis, com duas listas em votação.
Apesar de em S. João da Madeira a lista do partido democrático ter tido maioria (198 votos contra 131), foi a lista pela conjunção liberal-monárquica que venceu no concelho, por 27 votos.
“Ignorada ainda a forma como ficará constituída a nova Câmara, mas é de presumir que entrarão individualidades de todos os partidos atendendo a que o numero de votos de parte a parte é muito equipado”, diz ainda o texto, completando que no domingo seguinte há eleições para a Juntas de Freguesias, “ignorando-se ainda as listas que serão apresentadas”.
N’O Regional’, há 100 anos, era assim.

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