Sociedade

Gestão do hospital prestes a regressar à Misericórdia

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Negociações técnicas para a devolução da gestão do hospital à Misericórdia estão concluídas e aguardam validação do Ministério da Saúde. A transferência ainda não tem data definida.

Foram concluídas as conversas técnicas iniciadas há cerca de um ano com vistas à devolução da gestão do hospital de São João da Madeira à Misericórdia, entidade proprietária da unidade, apurou O Regional.
Segundo fonte próxima ao processo, está em jogo um Termo de Cooperação, cujos termos agora terão de ser validados pelo Ministério da Saúde (MS) antes da assinatura e da definição da data para a efetiva transferência da gestão.
Participaram desse processo, direta e indiretamente, representantes da Direção Executiva do SNS, do Conselho de Administração da ULS de Entre Douro e Vouga, da União das Misericórdias Portuguesas e da própria Misericórdia.
A mesma fonte garante que os princípios fundamentais apresentados no “Esclarecimento” divulgado em três de outubro de 2025, nos jornais e nas redes sociais, foram assegurados. Dentre esses princípios, destaca-se a manutenção do hospital no Sistema Único de Saúde, com acesso livre e gratuito a todos os usuários.
Está igualmente prevista a expansão da atividade dirigida à população de São João da Madeira, com reforço da cirurgia de internamento, aumento do número de especialidades e alargamento do horário da urgência, que passará a funcionar 24 horas por dia.
Em relação aos trabalhadores com vínculo de emprego público, será possível permanecer no hospital sob gestão da Misericórdia, se assim desejarem, preservando direitos como antiguidade, status de origem e regime de proteção social. A consulta aos profissionais ocorrerá após a assinatura do convênio e antes da transferência da gestão.

Entrevista com o provedor para breve

O Regional deve publicar em breve uma entrevista com o provedor, Francisco Nelson Lopes, onde serão aprofundadas as motivações da instituição para assumir a gestão do hospital. A estratégia faz parte de um projeto mais amplo para a área da saúde, que inclui a construção de uma nova Unidade de Cuidados Continuados e, em médio prazo, o desenvolvimento de oferta formativa em parceria com instituições de ensino superior.
A mesma fonte também ressalta a intenção de investir na melhoria das instalações, equipamentos e qualidade dos serviços prestados à população, e a mobilização de recursos para esse fim já está em andamento.
Com autonomia de gestão, a Misericórdia pretende também assegurar a manutenção de valências, para que não se repita o ocorrido com a Psiquiatria, existente no hospital desde 2009, mas, deslocada para outro hospital, quando houve recursos para se criarem instalações adequadas.
A instituição defende que o hospital deve evoluir e reforçar a resposta aos sanjoanenses e às populações vizinhas, afastando cenários de degradação ou estagnação.

Sonho antigo da Misericórdia

Já em dezembro de 2024, O Regional avançava, em primeira mão, com a possibilidade de a gestão do Hospital de São João da Madeira regressar à Santa Casa da Misericórdia – informação que, entretanto, foi confirmada junto de fonte próxima da União das Misericórdias Portuguesas, retomando-se um processo de 2015.
Na altura, a instituição defendia ter alcançado um “muito bom acordo” com o Estado para reassumir a gestão do hospital, garantindo a sua integração no Serviço Nacional de Saúde e o reforço dos cuidados prestados à população.
O processo acabaria, contudo, por ser interrompido em 2016. Com a entrada em funções de um novo Governo do Partido Socialista, o então secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, anulava, a 12 de janeiro desse ano, a homologação do acordo de cooperação celebrado entre a Administração Regional de Saúde do Norte e a Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira.
Atualmente integrado à Unidade Local de Saúde (ULS) de Entre Douro e Vouga – que inclui também o Hospital de S. Sebastião, em Santa Maria da Feira, e o Hospital São Miguel, em Oliveira de Azeméis – o futuro do hospital sanjoanense tem estado no centro de debates políticos, redes sociais e petições.

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