Sociedade

Fernando Veloso: a jornada artística entre o ensino e a cultura

• Favoritos: 148


Dedicado ao ensino e às artes plásticas, Fernando Veloso, de 54 anos, em entrevista a 'O Regional', falou-nos sobre a sua trajetória na arte, a sua passagem como assessor da cultura de S. João da Madeira entre os anos 2000-2002

Jornal ‘O Regional’ - O que é feito de si, Sr. Veloso?
Fernando Veloso - Vivo no Porto e trabalho perto de casa. Continuo a participar em exposições, mas a minha vida é bastante simples. Já há mais de 30 anos que dou aulas, percurso que iniciei durante o meu segundo ano de ensino superior. Depois, concorri a Oliveira de Azeméis quando terminei o curso, não porque não gostava da minha terra, mas para evitar dar aulas aos filhos de primos e vizinhos. Fiquei na primeira escola a que concorri e permaneci lá até há cerca de dois anos. Nessa altura, já estava a viver no Porto e decidi concorrer novamente. Felizmente, também fui colocado na primeira ou segunda escola a que concorri. Agora, vou a pé para a escola e para casa, o que é bom, porque não gosto de conduzir e, nesse aspeto, tenho a vida muito facilitada.

Apaixonado pela arte, denota-se com o seu estilo peculiar, marcado pela exploração da luz e pela abordagem temática expressionista, que tem cativado apreciadores de arte tanto em Portugal como internacionalmente, nomeadamente em Espanha, Itália, Brasil, Argentina e Tunísia.

Porquê o trabalho de luz, num estilo quase barroco, e por temáticas do expressionismo figurativo?
Ainda estava eu a começar a fazer exposições e houve alguém que disse, julgo que era o vereador da cultura de Vale de Cambra que era um estilo barroco, muito trabalhado, com uma saturação de elementos. Na altura não percebi porquê mas claro que estudando, e é por isso que estudamos, percebi o porquê do barroco (na pintura), que trabalha os grandes contrastes de luz, figuras a sair da penumbra, iluminadas só por uma vela ou por uma janela. Isso despertou o meu interesse, talvez por ser um pouco daltónico. Já a temática do expressionismo figurativo deveu-se a querer transmitir sentimentos através das minhas pinturas. Faço isso porque tenho de chegar ao fim e sentir-me satisfeito comigo mesmo, porque em primeira instância, nós pintamos para nós próprios.

Em S. João da Madeira, Veloso assumiu o cargo de assessor da cultura na Câmara Municipal. Durante o período de 2000 a 2002, desempenhou um papel na promoção e dinamização da cultura na cidade. Mesmo sem poder contar com os recursos ideais, conseguiu realizar diversas atividades culturais, como o Maio Jazz e um simpósio de escultura que trouxe à cidade um conjunto de escultores que trabalharam ao vivo, dando à cidade um ambiente de museu a céu aberto.

Como recorda esses tempos?
É um misto. Na altura, não tínhamos os recursos que existem hoje e, mesmo assim, conseguimos realizar muitas atividades culturais. A cultura em S. João da Madeira passava um pouco ao lado da Câmara e da própria população, que sempre foi muito voltada para o trabalho e para o desporto. No entanto, conseguimos desenvolver muitos projetos com os limitados meios que tínhamos. Organizamos um festival de jazz que se prolongou durante dois anos, com alguns dos melhores músicos de jazz de Portugal, e um simpósio de escultura em que os escultores trabalharam ao vivo na Quinta da Dona Jana. Fizemos exposições e espetáculos ao ar livre e, apesar das dificuldades, fomos bem sucedidos em cativar a atenção das pessoas para a cultura. Se pudesse, teria transformado o simpósio de escultura numa bienal, de forma a transformar as rotundas em “plintos” escultóricos e a cidade num museu de escultura ao ar livre. Resumindo, dou-me por satisfeito.

Que trabalhos expôs em S. João da Madeira?
Nunca fiz uma exposição individual num espaço público em S. João da Madeira. Já fiz no hotel, duas ou três vezes, a convite do diretor. A última em que participei foi no Centro de Arte da Oliva mas também foi por convite, era coletiva e o curioso disto é que fui convidado por um espanhol, que era o curador, ou seja, veio da Galiza para S. João da Madeira para me convidar a fazer uma exposição na minha própria terra. Mas também, digo que já não tenho aquela sede de expor. Faço poucas exposições mas quando as faço, quero fazer bem e quero fazer com critério.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3950, de 27 de julho ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/
148 Recomendações
816 visualizações
bookmark icon

Farmácias abertas

tempo