Sociedade

Farmácia Bessa: 115 anos a servir a comunidade com dedicação, profissionalismo e muita empatia

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São 115 anos a servir num ambiente de proximidade e dedicação constante. A Farmácia Bessa, em Cucujães, acredita que esse é o segredo para o sucesso para mais de um século de história.

São 115 anos a servir num ambiente de proximidade e dedicação constante. A Farmácia Bessa, em Cucujães, acredita que esse é o segredo para o sucesso para mais de um século de história de um negócio que privilegia o bem-estar do cliente e um trabalho bem direto com a comunidade. Não é apenas uma farmácia, mas uma estrutura ao dispor da população, através de uma equipa dinâmica e coesa.
A Farmácia Bessa foi fundada a 6 de março de 1907 pelo farmacêutico João Pinto Bessa (1878), que estudou em Coimbra. Esta informação consta em documentos recentemente cedidos pela Junta de Freguesia à atual proprietária da farmácia, Ermezinda Sara Simões, que herdou o negócio da sua mãe, Ermezinda Doroteia Pêra, que fora também proprietária da farmácia Central, em S. João da Madeira.
Ermezinda Simões fala do carater humanista de João Pinto Bessa, mostrando-se grata à Junta de Freguesia de Cucujães e ao presidente, Simão Godinho, pela disponibilização de informação sobre a centenária Farmácia Bessa.
Quem geriu esta farmácia, juntamente com a Central [em S. João da Madeira], foi o meu irmão, Manuel Simões”, partilha a atual proprietária.
O Sr. Dr. João Pinto Bessa em 1965 propôs à minha mãe se comprava a farmácia e disse que não a vendia a mais ninguém a não ser a ela, tinha muita estima pela minha mãe”, conta Ermezinda Simões, referindo que a mãe aceitou, tendo ficado primeiramente sócia do fundador.
O Sr. Dr. João Pinto Bessa tinha muitas saudades das pessoas e não queria deixar de as ver, continuando a ir com frequência à farmácia sendo muito reconhecido na população, tinha imensas histórias relacionadas com a farmácia para contar, conhecia os clientes como ninguém, era magnânimo para com a comunidade, muito honesto, dava muitos conselhos, era uma pessoa extremamente humana”, acrescenta Ermezinda Simões.
João Pinto Bessa tinha receitas criadas por si, manipulados que “curavam as pessoas”. Até porque ao contrário de hoje, até mesmo nas décadas de 60, “havia poucos medicamentos”. Este ilustre farmacêutico faleceu em 1967.
Ermezinda Simões orgulha-se da excelente equipa que tem, que promove um bom ambiente de trabalho, é muito dinâmica, muito virada para a comunidade onde está inserida a farmácia e sempre prontos a ajudá-la. “Gosto deste ambiente, exercita-me muito o cérebro, há sempre novidades, coisas para resolver e isso dá-me dinamismo”, sublinha.
Antes da pandemia, havia eventos a acompanhar o calendário. “O primeiro era do dia dos namorados, depois o dia do pai e por aí fora. A população gostava muito porque era integrada nestas comemorações e orgulhosamente enviavam as notícias e as fotos dos eventos de que fizeram parte à família que muitas vezes estava longe.”, aponta Ermezinda Simões. “Uma vez fizemos uma recriação de uma vindima com a ajuda preciosa do Sr. António Neves e do Grupo de Cantares do Museu Regional de Cucujães”. Outros eventos tinham a colaboração do presidente da Junta da Vila de Cucujães, como aconteceu com uma aula de ginástica ao ar livre em frente à farmácia.
Na Farmácia Bessa fazem-se testes bioquímicos e é uma das farmácias que mais rastreios faz, havendo até rastreios de pele, cabelo, mesoterapia e a partir desta semana estará disponível um aparelho inovador de diagnóstico de pele. Além disso, há podologia, psicologia e nutrição.
Para a responsável, há que enaltecer a capacidade de trabalho, resiliência e resistência de todos os profissionais daquele espaço no período pandémico. “Fomos a única farmácia, durante algum tempo, que aderiu aos testes de COVID aqui no concelho e a equipa mostrou o quanto era coesa e o quanto gostava da população. Nunca, nunca, disseram que não atendiam alguém mesmo sabendo que tinham sintomas”, refere Ermezinda Simões, que sente muito orgulho na sua equipa, que é “muito solidária, muito virada para a comunidade”. “A comunidade está em primeiro lugar, nós em segundo”, sublinha.
Também quisemos saber a opinião da equipa, começando pela Drª Sandra Resende, farmacêutica aqui há 16 anos, que diz que a farmácia Bessa tem sido vanguardista, tendo sido das primeiras a ter v-motion, ecrãs que permitem mudar frequentemente as categorias em exposição e mostrar aos clientes os diferentes produtos.
Atualmente a maior dificuldade é garantir o acesso da população a todos os medicamentos pois há muitos produtos esgotados.
Para a Drª Sandra Resende, a farmácia não é um comércio só de venda, é preciso ser, “às vezes, um bocadinho enfermeiro, muito psicólogo, muito amigo, um pouco de tudo”. Nas localidades mais pequenas toda a gente se conhece e as farmácias até ajudam a combater a solidão. “Há pessoas que vêm aqui quase diariamente buscar medicamentos, mas não levam tudo de uma só vez, sendo uma oportunidade de desabafarem com alguém”.
O valor da farmácia está na equipa e no que ela dá à comunidade, comprar um ben-u-ron compra-se em qualquer farmácia, não é preciso ir à farmácia Bessa, mas uma equipa assim só se encontra aqui.”, sublinha a Drª Sandra Resende.
Foi a farmácia que escolhi para trabalhar e consegui”. Quem o diz é a Drª Carla Costa, farmacêutica, há quase 12 anos neste espaço.
Envolvemo-nos mesmo muito com a comunidade, estamos num meio sem grandes distrações, e maioritariamente os nossos clientes são pessoas de mais idade, alguns vivendo sozinhos e tentamos ajudá-los em tudo o que eles peçam”, conta a Drª Carla Costa, que afirma que os clientes gostam dos eventos promovidos pela farmácia e isso também motiva a equipa. Esta farmacêutica fala ainda da proximidade que existe entre os profissionais e a população, referindo que há mesmo quem a trate “por filha”.
Sempre foi o meu sonho ser farmacêutico e trabalhar numa farmácia comunitária e aqui dão-nos muitas oportunidades”, salienta o Dr. João Rosa, farmacêutico há quatro anos neste espaço. Lembra que, apesar de grande parte dos clientes ser de Cucujães, também recebem pessoas das freguesias vizinhas, como Santa Maria da Feira, Ovar, S. João da Madeira e outras zonas de Oliveira de Azeméis.
É uma farmácia que tem, a nível de tecnologia, tudo muito avançado”. “Cada vez mais as farmácias têm de se diferenciar pelos serviços que prestam, porque medicamentos todos vendem” e na farmácia Bessa os profissionais distinguem-se pelo aconselhamento que fazem e pela excelente qualidade dos serviços prestados.
O Dr. João Rosa nota que com a pandemia, o uso de máscara e o isolamento social se venderam menos antigripais e xaropes contra a tosse. Agora, o medo ainda não desapareceu totalmente e há quem compre testes e a farmácia Bessa continua a realizá-los a quem precisar.
Somos uma equipa que consegue unir-se e trabalhar em prol do melhor para oferecer à comunidade e isso tem-se visto no sucesso da farmácia”, vinca o farmacêutico.
O Dr. Emanuel Nunes deixou o emprego no centro do Porto há nove meses e já se rendeu à população de Cucujães. “Gostei muito do ambiente quando vim cá à entrevista e, apesar de serem 30 quilómetros, é mais rápida a viagem. Só tive vantagens em vir para aqui, mesmo em qualidade de vida, as pessoas são muito melhores”, defende, remetendo para questões de educação e confiança.
Ouvem-nos muito mais, não há tanto stress, há muito mais entreajuda, aqui sinto-me muito mais realizado e valorizado”, frisa, completando que já vai conhecendo os clientes e que estes já sentiram a sua falta quando esteve de férias.
Também este farmacêutico assegura que a farmácia Bessa é bastante evoluída em termos de tecnologias, tendo por exemplo uma vending machine (PharmaShop), que “dá muito jeito às pessoas”.
Aponta que brevemente será feito um rastreio à glicémia para detetar casos não diagnosticados estando mais uma vez, a farmácia Bessa atenta às necessidades da comunidade onde se insere e vai tentar “descobrir casos não diagnosticados e tentar educar um bocadinho as pessoas”, já que “há formas de combater a doença”.
No entender do Dr. Emanuel Neves, as farmácias, com a pandemia, ficam muito associadas a testes e a um espaço de doença. O facto de a farmácia Bessa realizar alguns eventos para a comunidade é muito importante para mostrar que se trata muito mais de um “espaço de saúde do que de doença.”
Por sua vez, Paulo Santos é técnico de farmácia e trabalha aqui há 36 anos e é reconhecido em toda a vila e não só, o que acha “engraçado”. É acarinhado por todos os clientes ano após ano.
Durante estes anos acompanhou os diferentes avanços da farmácia Bessa. Recorda-se de ter fervido seringas para dar injeções, nos tempos em que não havia seringas descartáveis. “Antigamente, conferíamos tudo à mão, depois vieram as gavetas, já não tínhamos de estar sempre a limpar o pó aos medicamentos, depois o robot, uma mudança radical que nos deu muito tempo e facilitou o trabalho”, diz.
Sobre produtos mais vendidos nota que, desde há 15 anos e agravado com a pandemia, se tem vendido muito mais antidepressivos e ansiolíticos e a pessoas de diferentes idades. Paulo Santos assegura que todos os profissionais desta farmácia estão sempre “prontos para ajudar as pessoas” e sente que o têm conseguido inúmeras vezes.
A Drª Filipa Almeida trabalha neste espaço há cerca de seis anos.
Estamos sempre muito preocupados em tentar resolver todos os problemas dos utentes”, indica a farmacêutica.
Só aqui viu um robot. Noutras farmácia por onde passou não havia esta tecnologia e tinham de ir buscar a medicação, mas aqui é possível “estar sempre com o utente”.
A cosmética é muito vendida, temos o aparelho de diagnóstico de pele, que também ajuda e é um serviço por enquanto gratuito”, sublinha, acrescentando que nesta altura também se vendem muitos suplementos e há uma “grande variedade”.
No geral é fácil lidar com os utentes, há sempre um ou outro mais complicado, mas atendimento ao público é isso mesmo”, diz, sentindo que as pessoas confiam na equipa.
Teresa Ventura é administrativa na farmácia Bessa há 18 anos e conhece os clientes quase todos e quase todos a conhecem, havendo “grande empatia” entre ambas as partes.
Somos uma família, os clientes são capazes de se sentar e começar a contar a sua vida”, partilha, acreditando que “a união entre o cliente e a farmácia” faz parte do segredo para o sucesso.
A administrativa aponta que a entrada de Ermezinda Simões na gestão da farmácia tornou tudo ainda melhor, já que é uma pessoa “muito afável com os clientes e com todos”.
Isto é um prolongamento da minha família”, salienta Teresa Ventura.
Já Margarida Godinho é responsável pela limpeza das instalações, mas também assegura consumíveis sempre que há eventos, além de conferir encomendas e outras tarefas. Chegou a trabalhar na farmácia Central e na Bessa ao mesmo tempo, até que ficou apenas nesta.
Organizar cada gabinete e ter tudo pronto para cada especialidade faz parte das suas responsabilidades, cuja exigência aumentou com a pandemia. Passou a ter ainda mais em conta o seu papel de “ajudar as pessoas para se sentirem bem e não haver percalços”, através do reforço da desinfeção dos espaços e do “estar sempre atenta a tudo”.
Nesse sentido, esta profissional reconhece a necessidade de “transmitir confiança” e estar sempre alerta para desinfetar determinadas áreas quando estas acabam de ser usadas.
Atualmente, a farmácia Bessa está a retomar a realização de eventos na lógica comunitária que marca a sua história. As comemorações recentes do 115º aniversário serviram de impulso a esse mesmo regresso à normalidade, que torna esta farmácia tão especial e acarinhada.

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