Sociedade

Ex-autarca defende alteração no Plano Ferroviário Nacional

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Castro Almeida, propôs aos autarcas da AMTSM para que solicitem ao Governo que acrescente ao Plano Ferroviário Nacional uma alínea que refira que a Linha do Vouga seja dotada de bitola ibérica de Oliveira de Azeméis a Espinho

Nuno Freitas, ex-presidente da CP e especialista em Transportes e Vias de Comunicação, entende que a modernização da Linha do Vouga (LV) requalificada permitirá aos concelhos do norte do distrito terem “um metro de superfície bem integrado nas zonas urbanas da sub-região. Mas ainda não sabem”. A explicação surgiu durante a conferência “A linha do Vouga – que Futuro?”, organizada pela Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM), que reúne as autarquias de Espinho, Santa Maria da Feira, S. João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca, que decorreu na última quinta-feira, dia 2, no Europarque, em Santa Maria da Feira.
No entender deste especialista, as pessoas “não andam de bitola, andam de comboio”, vincando que, mais do que a distância entre carris da ferrovia, e que a dicotomia bitola ibérica (mais larga) – bitola métrica (mais estreita), é necessário e importante que se proporcione aos passageiros “conforto, segurança, rapidez e frequência de comboios”. Na sua intervenção, garantiu que, com um plano bem estruturado para a recuperação desta ferrovia regional, “será possível” levar as pessoas do norte distrital à cidade do Porto, em apenas 40 minutos, mesmo com transbordo em Espinho. “Não é ficção”, garantiu o orador.
O engenheiro, natural de S. João da Madeira, justificou também que a linha do Vouga está em “mau estado, com baixa velocidade comercial”, a que se junta ainda “ a baixa frequência de serviço”, e que, “mesmo assim”, contabiliza um total de 600. 000 passageiros por ano, um número de bilhetes vendidos que até poderiam chegar a um milhão, devido às enchentes que impedem a venda de ingressos em plena viagem, enfatiza.
O plano traçado pelo ex-líder da CP passa, numa primeira fase, pela “concretização”, a cumprir até 2025, onde será reabilitado “o que existe”, com “aumento da oferta”. Relativamente à segunda fase, até 2028, ficará marcada pela eletrificação da linha e pela construção, em Espinho, de uma gare intermodal que ligará o “Vouguinha” à linha de Alta Velocidade.
Manuel Castro Almeida, ex-presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, foi um dos muitos que assistiu ao debate e justificou que não faz “qualquer sentido” que a LV fique com bitola diferente da restante infraestrutura ferroviária do país e que, no pós-investimento nesta ferrovia, os concelhos que se encontram a sul da área metropolitana se mantenham sem ligação direta ao Porto. Admitiu ainda que o troço de Oliveira de Azeméis a Aveiro se mantenha em bitola métrica. Disse tratar-se de um “problema de custo, mas esta região é credora de investimento ferroviário”, avançado com o valor de 40 milhões para a ligação Oliveira de Azeméis-Porto, considerando mesmo não ser uma verba “exagerada”, para uma região que tem 300.000 habitantes.
Nuno Freitas respondeu às afirmações, avisando que as dificuldades para concretizar as intenções do ex-autarca “são técnicas e não financeiras”, adiantando mesmo que a ligação direta ao Porto não seria mais rápida do que a solução que sugere.
Castro Almeida propôs aos autarcas da AMTSM para pedirem ao Governo para que seja acrescentado ao Plano Ferroviário Nacional um parágrafo que dê conta que a LV deverá ser dotada de bitola ibérica de Oliveira de Azeméis a Espinho transite para bitola ibérica- “passando a integrar a rede suburbana do Porto, como Ramalde da Linha do Norte”, para que o comboio possa fazer a ligação em direto para o Porto.

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