Sociedade

‘Entre Nós’ como porto de abrigo

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O grupo ‘Entre Nós’, dinamizado pelo Centro Comunitário Porta Aberta (CCPA) da Casa Azul, nasceu em novembro de 2023 e conta com mais de 30 pessoas, com idades compreendidas entre os 40 e os 84 anos.

A vertente sócio ocupacional sempre foi um dos eixos de intervenção do CCPA, com a criação de grupos como ‘Entre Mulheres’ e ‘Entrelinhas’. Atualmente, o CCPA iniciou o grupo ‘Entre Nós’, dirigido essencialmente “a quem está mais só”.
Uma tarde por semana, em espaços diferentes da Santa Casa da Misericórdia e da cidade, o grupo conta com uma programação mensal variada. Acima de tudo, o grupo privilegia o convívio.
Há um ano que Robertina Nava e Francisco Álvarez chegaram a Portugal da Venezuela. Desde o primeiro contacto com a Casa Azul e, por conseguinte, do grupo ‘Entre Nós’, o casal nunca mais faltou aos encontros semanais, realizados às quartas-feiras. Não falam português, mas entendem a língua e a barreira linguística, outrora considerada problemática, parece não existir nas relações que detêm com os membros do grupo. “Quero participar em tudo e sinto-me muito bem aqui. É um grupo amável e sinto-o como se fosse uma família; não tenho nada a apontar”, garantiu Robertina Nava, em entrevista ao jornal 'O Regional'. O marido, Francisco Álvarez, concordou com as declarações da esposa e diz-se “agradecido”. “Há carinho e colaboração entre nós”, caracterizou.
Entre encontros despreocupados, o grupo ‘Entre Nós’ tem uma forma específica de trabalhar. Às quartas-feiras, além do convívio em si, o grupo dedica-se a diversos trabalhos manuais. Em simultâneo, a ocupação dos tempos livres oferece um apoio no combate à solidão. Natural de Cucujães e residente em São João da Madeira, Dolores Pinho está no grupo desde a sua origem e explicou os motivos da sua integração. “Estava sozinha em casa e sentia falta de companhia. Por mim, encontrávamo-nos todos os dias”, admitiu timidamente. “Sinto a cabeça mais ‘leve’ e isso faz toda a diferença”, considerou. Com 63 anos de idade e um histórico de depressão, aconselharam-na a procurar uma atividade ou algo que a pudesse distrair de maneira positiva. “Agora, tenho pensamentos mais positivos. Antes, passava muito tempo a dormir; não havia nada que me estimulasse nem havia motivo ou propósito para acordar alegre”, contou.
Liliana Pinho tem 42 anos e desde 2001 que mora na cidade sanjoanense. O dia a dia corria dentro da normalidade, até que o diagnóstico de um tumor cerebral, em 2021, mudou aquilo que pensava ser a sua vida real. “Antes de descobrir isto, tinha amigas”, começou por dizer, emocionada. As palavras falharam ao tentar descrever o sentimento da altura. “Toda a gente se afastou, como se isto se transmitisse. Depressão, vontade de cometer suicídio… Com a minha idade, a minha vida pessoal e profissional é limitada”, explicou. “Quando me ligaram daqui [Casa Azul], hesitei, porque sou uma pessoa reservada”, adiantou, acrescentando: “Cortou a solidão de estar em casa.”
Se, por algum motivo, o encontro semanal não se realizar, Liliana Pinho afirmou que isso faz uma grande diferença na sua vida. “Cheguei a desmarcar consultas à quarta-feira para conseguir estar aqui”, admitiu, entre risos. “Uma pessoa não pensa em parvoíces, distrai a cabeça, ri… Se alguém tem um problema, todos se mostram disponíveis em ajudar. É família, união, convívio, amizade e, acima de tudo, respeito”, descreveu. As relações de amizade são reais e a comunicação, asseguram os membros do ‘Entre Nós’, é feita diariamente entre todos.

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