Sociedade

Enquanto houver uma mulher vitima de violência doméstica não vai ficar tudo bem

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A violência doméstica é uma grave violação dos direitos humanos e uma forma de discriminação com impacto não apenas nas vítimas, mas na sociedade no seu conjunto.

A GNR detetou mais de 11.176 casos de violência doméstica em 2022.
Mais de 20 mulheres morreram vítimas de violência doméstica nesse mesmo ano.
O mais lamentável é este número ser maior do que as próprias estatísticas indicam, pois infelizmente milhares de mulheres preferem não prestar queixa e continuar a vida de casada, seja por motivos económicos, por querer ser bem vista pela sociedade ou pelo simples facto de amar o seu companheiro e achar que ele vai modificar a sua conduta.
Não há nada que qualquer uma destas mulheres possa ter feito que justificasse morrer pelas torturas psicológicas e físicas impostas pelo homem. Atos da maior violência desferidos muitas vezes a quem é mais fraco, em grávidas, na presença de crianças e pior, dos próprios filhos.
Ainda assim, em pleno século XXI a sociedade ainda culpa as mulheres por estes crimes.
As pessoas passam tanto tempo a interrogar-se por que motivo as mulheres não deixam os maridos. Onde estão as pessoas que se questionam por que razão os homens são abusivos e violentos? Não seria apenas a eles que a culpa devia ser imputada?
Li também sobre os avanços que se registaram ao longo dos últimos anos, no que toca ao assunto de violência contra a mulher. Acredito piamente que as coisas já foram bem piores no passado, mas essas “conquistas”, definitivamente, ainda não são suficientes. Felizmente há já mais mecanismos e proteções, no entanto, ainda há um caminho longo a percorrer para que as mulheres se sintam seguras.
Falo por todas as mulheres quando digo que estou farta de sair de casa e ter medo de ser assediada ou até mesmo violada, de ter de olhar para todos os cantos da rua sempre à procura do perigo, farta de quando anoitece e estou sozinha na rua ter de ligar a uma amiga para sentir mais segurança.
De acordo com o último relatório da “ONU Mulheres”, serão precisos 286 anos para as mulheres alcançarem igualdade de direitos. Parece que quando tiver 303 anos ainda me vou levantar e gritar “igualdade”.
Se conheces alguém que passa por abusos diários, ajuda, hoje ela, amanhã podes ser tu. Se és uma vítima de abusos, denuncia, faz-te ouvir, tens uma voz que foi feita para ser ouvida, tu és uma guerreira que passa por uma batalha todos os dias, por ti e pelas restantes mulheres denuncia!
Por fim gostava de partilhar o livro “Isto acaba aqui”, de Colleen Hoover, que pode ajudar muitas mulheres. Retrata a violência doméstica e empoderamento feminino.

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