
A poucos dias de os relógios voltarem a atrasar-se, a mudança da hora regressa ao centro do debate europeu. O assunto, discutido há mais de sete anos nas instituições da União Europeia, permanece sem consenso entre os Estados-membros – e continua a gerar opiniões divergentes entre especialistas, governos e cidadãos.
Em Portugal, a alteração horária mantém-se numa tradição com mais de um século. Na madrugada do próximo domingo, 26 de outubro, o país entrará no horário de inverno – quando forem 02:00, os relógios devem ser atrasados 60 minutos, passando para a 01:00. Nos Açores, a mudança ocorre uma hora antes, à 01:00, recuando para a meia-noite. O regime voltará a inverter-se a 29 de março de 2026, com o regresso ao horário de verão.
O tema do fim da mudança da hora foi formalmente lançado pela Comissão Europeia em 2018. A proposta previa a eliminação das mudanças sazonais e a fixação de um único horário por país. Apesar do apoio do Parlamento Europeu e de uma consulta pública que revelou 84% dos participantes favoráveis ao fim da prática, a discussão ficou estagnada devido à falta de entendimento entre os governos nacionais.
Esta semana, o Governo espanhol voltou a trazer o tema à ribalta, propondo à União Europeia o fim definitivo da mudança da hora. Pedro Sánchez, chefe do Executivo em Madrid, sustentou que “a ciência demonstra que mudar as horas tem um impacto negativo na saúde”, sublinhando que a alteração perturba os ritmos biológicos e afeta o bem-estar.
O debate científico tem, de resto, alimentado o impasse político. A Sociedade Portuguesa de Pneumologia defende que o horário de inverno é “o mais protetor para o sono e para a saúde”, alertando que o regime de verão se associa a um aumento das perturbações do sono e a maior dificuldade em adormecer.
No mesmo sentido, o portal de saúde do grupo CUF realça que, embora a alteração horária possa trazer benefícios pontuais, também “pode ter consequências diretas e indiretas para a saúde”, entre as quais fadiga, depressão ou maior vulnerabilidade de pessoas que trabalham por turnos e adolescentes.
Sem consenso político à vista, a prática instituída pela diretiva europeia de 2000 continuará em vigor. Assim, no próximo domingo, os ponteiros voltarão a recuar – mantendo viva uma rotina centenária que a Europa ainda não decidiu abandonar.
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