Sociedade

Condições térmicas afastam estudantes, enquanto se aguarda pela reabilitação do edifício

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As razões prendem-se sobretudo com limitações estruturais do edifício, que têm condicionado a permanência de estudantes e leitores regulares, sobretudo durante os meses de inverno.

Conforme noticiado pelo Jornal O Regional, na edição n.º 4044, de 17 de julho de 2025, a Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo será alvo de uma reabilitação profunda. A intervenção encontra-se em fase de conceção, mas, enquanto o processo decorre, continuam a surgir relatos que evidenciam as dificuldades sentidas por quem utiliza o espaço no dia a dia.
O tema ganhou maior visibilidade após o alerta de um sanjoanense que contactou o jornal a dar conta das condições térmicas no interior da biblioteca, referindo não conseguir permanecer no espaço para estudar ou ler. Segundo o mesmo leitor, foi-lhe indicado no local que o sistema de aquecimento se encontrava avariado, não existindo, à data, previsão para a sua reparação.

Conforto, luz e organização dos espaços

Maria Rocha, leitora regular e estudante, considera que a biblioteca “tem um bom espaço”, mas identifica limitações na área destinada ao público adulto. “Há pouco espaço de estudo individual, o que para mim é importante para conseguir concentração. A luminosidade nem sempre é a melhor e, no inverno, é bastante frio, o que torna incómodo ir para lá estudar”, afirmou, sublinhando ainda que aprecia a seleção de livros disponível, maioritariamente clássicos.
A organização interna do edifício é também referida por vários utilizadores. Atualmente, a sala mais utilizada por estudantes localiza-se num piso inferior, sendo apontada a escassez de luz natural como um fator que dificulta a permanência prolongada no local. Em contrapartida, zonas do edifício que anteriormente permitiam o estudo em espaços mais luminosos encontram-se hoje destinadas a outras funções.

Quando estudar implica sair do concelho

Ivan Rodrigues, estudante universitário, descreve uma experiência semelhante à relatada no alerta inicial. “Disseram-me que a caldeira estava avariada há algum tempo e que não sabiam quando seria reparada. Estávamos em pleno inverno e era obrigatório estar de casaco”, relatou. Segundo o estudante, a solução passava por pequenos aquecedores colocados em alguns pontos do edifício, insuficientes para garantir conforto.
Perante este cenário, o estudante admite recorrer a bibliotecas de concelhos vizinhos. “Acabo muitas vezes por escolher a Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira, porque sinto que tem melhores condições para estudar”, explicou, considerando “triste” que um espaço que marcou o percurso escolar de muitos sanjoanenses enfrente atualmente constrangimentos que afastam os seus utilizadores.

Programação cultural como ponto forte

Do ponto de vista cultural, o autor sanjoanense Rúben Lopo destacou a diversidade de atividades promovidas pela Biblioteca Municipal ao longo do ano. “As atividades são muito diversas: há poesia, romances, apresentações de livros, exposições e iniciativas para crianças. Existe uma clara tentativa de agradar a diferentes públicos”, referiu.
Iniciativas como a Poesia à Mesa e a Feira do Livro são apontadas como momentos marcantes da vida cultural da cidade, com impacto na promoção da leitura e no envolvimento da comunidade. Ainda assim, o autor identifica fragilidades na presença digital da biblioteca, defendendo uma estratégia mais ajustada às dinâmicas atuais para aproximar o espaço das camadas mais jovens.
Reabilitação já prevista
Recorda-se que a reabilitação anunciada prevê, nesta fase preparatória, um investimento de 36.800 euros, acrescido de IVA, estando os projetos de arquitetura e especialidades a cargo da empresa Vítor Hugo – Coordenação e Gestão de Projetos, S.A. A intervenção abrangerá cerca de 1.900 metros quadrados do edifício e tem como objetivos a resolução de patologias construtivas, a adaptação às normas de segurança, acessibilidade e climatização, bem como a melhoria da eficiência energética.
Apesar dos constrangimentos, a Biblioteca Municipal mantém uma atividade significativa. Em 2025, acolheu 17.644 visitantes e registou 7.248 empréstimos. Predomina a requisição de obras de ficção, sobretudo romances, sendo que, na não ficção, as áreas mais procuradas são Filosofia, Ciências Sociais e História/Biografia/Geografia.
A Biblioteca reconhece as limitações atuais e sublinha que a obra de reabilitação, já inscrita no Orçamento Municipal, visa precisamente “melhorar as condições de conforto, acessibilidade e acolhimento, resolvendo problemas estruturais que têm vindo a agravar-se”, como infiltrações que obrigaram recentemente ao encerramento temporário do edifício.
Enquanto se aguarda pela concretização da obra, foram implementados ajustamentos internos, permitindo a reabertura parcial do espaço e o reforço dos serviços, incluindo o alargamento do horário e o desenvolvimento de novos projetos educativos e culturais.
Os testemunhos recolhidos convergem numa expectativa comum: a de que, após a requalificação, a Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo possa voltar a reunir condições físicas e funcionais à altura do papel cultural e educativo que desempenha na cidade.

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