Sociedade

“Chegaremos à igualdade de direitos para pais e mães, faltará depois que as mentalidades acompanhem essa evolução”

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Pai dos gémeos Diogo e Luana, de 12 anos, Ricardo Mota considera que chegará o tempo onde a igualdade entre pais e mães será plena e, depois, será só garantir que as mentalidades acompanham a evolução

Jornal ‘O Regional’: Deixou recentemente a presidência da FECAP. Ainda são maioritariamente as mães a assumir o papel de encarregadas de educação ou já é possível apontar um equilíbrio entre mães e pais até nas próprias associações de encarregados de educação?

Ricardo Mota: Nas Associações de Pais já se pode dizer que existe paridade. No movimento associativo parental não existe distinção entre pai ou mãe, porque o foco é sempre o bem maior que são as crianças e jovens. Importa que esteja sempre alguém e, já diz o ditado que “é preciso uma aldeia para criar um filho”, E continua a ser verdade, apesar da evolução dos tempos. E mesmo que não seja possível ser o pai ou a mãe não há mal nenhum que o Encarregado de Educação seja um avô ou uma tia, desde que assuma esse papel na sua essência e não apenas por título.

No cargo que desempenhou, alguma vez sentiu algum obstáculo/desafio/estigma de outras pessoas por ser homem?
Não! Nem tal coisa admitiria. Admito que existem temas que possam ser mais confortáveis de abordar com mulheres e outros com homens, mas nunca senti que o facto de ser homem pudesse ser um obstáculo.

“Hoje já é permitido ao pai ter uma função muito mais emocional”

Um pai encarregado de educação é o mesmo que a mãe ou há aspetos que podem ser distintos?
Da mesma forma que não existem duas pessoas iguais existem sempre diferenças entre pais e mães, porque como indivíduos nos sentimos mais confortáveis a assumir mais umas responsabilidades do que outras, mas cada vez mais a função de cada um dos progenitores tem evoluído para uma igualdade, de forma que todos estejam envolvidos em todos os temas e aspetos da vida familiar, apesar de que no que toca à presença esta esteja, por vezes, condicionada pela disponibilidade de cada um.
Já passou o tempo das famílias, puramente, patriarcais e nos tempos de hoje já é permitido ao pai ter uma função muito mais emocional, algo que no passado era interpretado como um sinal de fraqueza na função de educador.

Do seu ponto de vista, que caraterísticas são fundamentais num bom pai?
Acho que o pai deve ser um guia para o desenvolvimento dos seus filhos, estabelecer regras e normas que não limitem o desenvolvimento, ser o maior impulsionador dos sonhos dos seus filhos, e é muito importante não faltar, estar presente, ser um bom exemplo e apoiar sempre, mesmo quando sabemos que não correu bem…

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