Sociedade

CelebrIDADE cá da terra!

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Maria Augusta Sousa é um exemplo de força, trabalho e vontade de viver, que pode inspirar toda uma geração com mais de 65 anos.
Nascida em Vale de Cambra, cresceu numa família humilde. O pai era pedreiro, a mãe trabalhava no campo e desde cedo aprendeu o valor do esforço. Antes de ir à escola já ajudava nos trabalhos agrícolas. Fez apenas a 3ª classe, mas a vida ensinou-lhe muito mais do que qualquer sala de aula.
Casou-se jovem, aos 19 anos - “Gostei, casei!”, diz com naturalidade, e teve oito filhos. A vida, no entanto, nem sempre foi fácil. Acabou por se separar, deixando para trás um “mau viver” e seguindo em frente e com coragem.
Foi em São João da Madeira que encontrou o seu lugar. Sempre gostou de movimento, de pessoas e de vida, e “onde havia comboio, havia movimento”, recorda. Trabalhou na Padaria Central já depois dos 40 anos e, mais tarde, na Polícia de Segurança Pública, como auxiliar de limpeza, a única mulher entre muitos homens. E foi ali que encontrou algo essencial: o convívio.
Hoje, já reformada, Maria Augusta continua longe de parar. É voluntária no Centro Humanitário de São João da Madeira da Cruz Vermelha Portuguesa desde os 68 anos, onde dedica o seu tempo aos outros. “Gosto do que faço. É isto que me faz viver. Eu sou muito feliz nisto!”, afirma. A rotina, o sentido de utilidade e o contacto humano são, para si, fundamentais.
Aos fins de semana, mantém uma tradição que nunca abandonou: os bailaricos. Porque viver também é dançar e celebrar.
Entre muitos momentos marcantes, há um que guarda com especial carinho: tirar a carta de condução. “Foi a maior felicidade que tive!”, conta, com brilho nos olhos. Um símbolo de independência conquistado já em idade adulta, prova que nunca é tarde para realizar sonhos.
Maria Augusta não quer sair da cidade que escolheu como sua. É aqui que se sente em casa, onde construiu a sua história e onde continua a viver com energia e entusiasmo. Reconhece que a cidade evoluiu, mas acredita que ainda pode crescer mais, com melhores ruas, mais cultura, mais comércio e mais vida.
A quem já passou dos 65 anos, deixa um conselho simples, mas poderoso:
“Não parem. Levantem-se cedo, caminhem, trabalhem. Para quem parar é pior. Vivam a vida!”
E aos mais novos, lembra a importância do equilíbrio: saber orientar a vida, agradecer e gerir bem o dinheiro.
A sua vida não foi isenta de dificuldades. Nunca esquece um episódio violento numa paragem de autocarro em Vale de Cambra que a marcou profundamente. Mas nem isso a fez desistir de viver.
Maria Augusta Sousa é o retrato de uma geração que não se rendeu às dificuldades. Uma mulher que continua ativa, útil e feliz, mostrando que a idade não é um limite, mas apenas mais um capítulo.
E, com o seu humor tão próprio, deixa até uma última vontade: quando partir, não quer que coloquem a sua idade na lápide - “Já avisei o cangalheiro!”.  Porque, no fundo, há coisas que não se medem em números e a forma como se vive a vida é uma delas.

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