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Celebr’IDADE cá da terra!

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Nascida em Campanhã, no Porto, e criada em Lisboa, Norlinda Lima chegou a São João da Madeira há 61 anos, quando casou.
Começou a trabalhar aos 15 anos, a dar explicações. Formou-se em Ciências Físico-Químicas já depois de casada, deslocando-se a Lisboa para realizar os exames. Viria a ser professora na Escola Serafim Leite, onde lecionou Físico-Química e marcou gerações de alunos.
O 25 de Abril de 1974 é uma das datas mais significativas da sua vida. Nesse dia, encontrava-se a dar aulas quando tomou consciência da dimensão histórica do momento. Participou no primeiro 1.º de Maio em liberdade, deslocando-se a Lisboa com a família, e guarda até hoje um profundo apreço pelos valores de Abril. “Dou muito valor ao 25 de Abril”, afirma.
Sempre se assumiu como mulher de esquerda. O envolvimento político e cívico fez parte do seu percurso: foi presidente da Assembleia de Freguesia e autarca de freguesia, mantendo sempre o sonho de integrar a Assembleia Municipal.
Em São João da Madeira, cidade que aprendeu a chamar de sua, olha o presente com espírito crítico e sentido construtivo. Considera que há excesso de supermercados, critica o impacto do Centro Comercial 8ª Avenida no comércio tradicional, defende maior preservação dos edifícios e zonas antigas. Aponta também a necessidade de mais vida noturna, melhor gestão do estacionamento e reabilitação da zona do Vouguinha. Para o futuro, deseja uma cidade mais ligada à arte e à cultura, e com mais espaços dedicados aos cuidados aos idosos.
Filha de um pianista e de uma mãe doméstica, recorda uma infância feliz, “de muita brincadeira”. Hoje, aos 86 anos, mantém uma rotina ativa: frequenta aulas de Pilates, participa nas reuniões do partido político que milita e reúne a família com regularidade. É mãe de dois filhos e avó de quatro netos.
Recebe-nos numa casa marcada pela arte e pela memória, com chá e bolo de laranja, símbolos de uma hospitalidade que reflete o seu modo de estar: atento, culto e interventivo.
Norlinda Lima é exemplo de que a idade não é limite à participação. Professora, autarca, cidadã ativa, continua a pensar a cidade e o país com a mesma energia de sempre, provando que a cidadania não tem prazo de validade.

 

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