Sociedade

Casas de banho a céu aberto na cidade

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O cheiro a urina e fezes tem sido uma constante, em pelo menos três pontos da mais pequena cidade do país, que há vários anos é criticada pela população por falta de casas de banho públicas. Situação que tem gerado desconforto e indignação entre os moradores. Apesar das queixas e alertas, a situação mantém-se há algum tempo, sem que seja tomada uma medida eficaz para resolver o problema.
Nos muros e passeios dessas zonas, é possível ver as marcas escuras de urina seca e fezes espalhadas pelo passeio, que se tornam ainda mais evidentes nos dias mais quentes, acompanhadas do forte odor, que incomoda todos os que por ali passam.
Um dos locais mais afetados é a área nas traseiras do edifício Parque América, onde um dos urinóis públicos a céu aberto tem gerado grande insatisfação.
Sandra Resende, residente na cidade, não esconde o seu desagrado. “Passo aqui todos os dias e, quando está calor, não se aguenta com o cheiro forte de urina nestas escadas”, afirma. Destaca o aspeto “degradante” das traseiras do edifício, onde “arrumadores” têm sido vistos a fazer as suas necessidades de forma pública e sem qualquer pudor. “Já vi várias vezes estas pessoas a fazerem xixi no coberto. Somos obrigados a ir pela rua, porque não se consegue passar pelas escadas de tão nojentas que estão”, garante Sandra Resende.
Pedro Maia é também uma voz descontente: “É uma situação inaceitável”, lamenta, sublinhando que quem por ali passa tem de conviver com um “cheiro insuportável”, que se tornou habitual. Para este sanjoanense, o problema está na falta de “casas de banho públicas e de fiscalização da própria autarquia”, e acrescenta que não se pode culpar só a “falta de educação” dos “moedinhas” que por ali se encontram. “Se a cidade tivesse uma casa de banho pública no centro da cidade, certamente que esta imagem não fazia parte de S. João da Madeira”, assegura.

“É uma falta de respeito pela cidade e pelos outros”

O problema não se limita a estas escadas no Edifício Parque América. João Silva, que trabalha em S. João da Madeira e estaciona a viatura na Rua de Fundo de Vila, conta que “nesse largo” há umas escadas de acesso que permitem a passagem de pessoas para a Avenida da Misericórdia, em frente ao Hospital de S. João da Madeira, e que também ali é uma casa de banho aberta. “É nojento. Um cheiro horrível, já para não falar da imagem. Isto já é um problema recorrente, e quem vive aqui está farto de ver a mesma situação todos os dias», assegura.
Carlos Almeida, outro residente, também se mostra incomodado: “Quem anda por aqui sente-se mal, o cheiro é insuportável, especialmente nos dias quentes. Já estamos habituados, mas é uma vergonha para a cidade. Muitas pessoas que aqui estacionam preferem ir dar a volta a pé do que passar pelas escadas”, enfatiza.
Carlos não esconde a sua indignação a O Regional. “É uma falta de respeito pela cidade e pelos outros» e defende a criação de casas de banho públicas “com ou sem moedas”, com “urgência”. “A cidade está a perder a vaidade. Temos que ser mais do que as rotundas com tulipas”, conclui.
De acordo com alguns moradores e comerciantes deste prédio, a situação tem -se“arrastado há anos”, garantindo que a “autarquia conhece bem este caso. Já tivemos pessoas ali a dormir”.
Com a chegada do verão, estas pessoas pedem que a situação seja tratada com a “seriedade que merece”, uma vez que o “desconforto diário e o impacto na imagem da cidade continuam a ser uma realidade presente”.

“Escadas junto ao Centro de Saúde com cheiro intenso a urina”

Há outro alerta que chega de um utente do Centro de Saúde, que, garante, há umas escadas junto ao Centro de Saúde, com cheiro intenso a urina. Trata-se de um acesso que liga a Rua Vale do Vouga à Rua dos Bombeiros Voluntários, próximo da Acais e da Santa Casa da Misericórdia. “Além da parede destas escadas estar toda grafitada, o cheiro a urina é muito intenso. Já vi os arrumadores ali a fazerem as suas necessidades. S. João da Madeira não tem casas de banho públicas, e isso é uma falha grave”, entende Maria Gomes. Um outro sanjoanense, que por ali passava, não coloca a culpa só à ausência de casas de banho públicas. “São os arrumadores que passam o dia nesta rua. Todas as cidades têm estes cantinhos menos bonitos”.
Se uns entendem tratar-se de uma situação de civismo, a maioria aponta o dedo à ausência de sanitarios publicos em toda a cidade. Há mesmo quem afirme não entender a sua inexistência, obrigando os mais aflitos, na maior parte das vezes, a recorrer aos sanitários de casas comerciais, cafés ou aos do Centro Comercial Parque América.
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de S. João da Madeira (ACISJM), Paulo Barreira, assegurou à O Regional que o espaço urbano “deve ser”, cada vez mais, funcional para quem o frequenta. “Há momentos em que a ausência de casas de banho públicas se torna mais evidente”, dando como exemplo a realização de eventos culturais. Este responsável garante que a falta de sanitários públicos “é uma preocupação real, que pode gerar desconforto, tanto para quem gere os espaços como para os próprios clientes”. Barreira acrescenta que a ACISJM “reconhece e compreende” a necessi­dade de encontrar solu­ções “equilibradas e adaptadas” à realidade urbana da cidade. “Defen­demos que qualquer instalação deste tipo deve assegurar condições de higiene, manutenção e segurança, para que não se tornem locais propícios a práticas indesejáveis”.
Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial, uma das possibilidades que a ACISJM tem identificado como estratégica passaria pela “integração de uma casa de banho pública no prometido parque de estacionamento previsto para a Rua Padre Oliveira, também conhecida como rua dos bares. Esta infraestrutura serviria diretamente a comunidade que fre­quenta o centro e, em particular, à noite”, frisou.
A finalizar, defende ainda, em declarações a O Regional, que é “essencial” uma melhor divulgação das casas de banho públicas já existentes, dando como exemplo as já localizadas no edifício dos Paços da Cultura e no Centro Coordenador de Transportes. “Muitas pessoas desconhecem que estão disponíveis para quem circula no centro da cidade”, defendendo, se possível, o alargamento do horário de acesso desses espaços.
Paços da Cultura tem casas de banho públicas
De salientar que José Nuno Vieira já tinha assu­mido a O Regional que, no centro de S. João da Madeira, os sanitários dos Paços da Cultura estavam ao dispor da população. Uma informação que, segundo apurámos, é desconhecida por todas as pessoas abordadas pela nossa reportagem. “Desconheço e nunca ouvi dizer que podem ser utilizados”, assume Ana Gomes, de 73 anos, à saída dos Correios de S. João da Madeira.
Questionado esta semana sobre este assunto, José Nuno Vieira reforçou a O Regional que, na zona central da cidade, “existem sanitários acessíveis ao público em edifícios municipais”, designadamente nos Paços da Cultura, no Centro Coordenador de Transportes e no Fórum Municipal, “que podem ser utilizados pelos cidadãos em geral”.
Relativamente às três situações apresentadas, diz que “são casos que ocorrem, pela descrição, em espaços do domínio privado”. No que concerne às escadas do Centro de Saúde, esse equipamento municipal dispõe, “naturalmente, de instalações sanitárias para os seus utentes. Em todos esses casos, o que está em causa são comportamentos que denotam falta de civismo”, remata o vice-presidente.

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