
A autarquia está a estudar alternativas para requalificar passeios degradados, procurando compatibilizar a segurança pedonal com a preservação do arvoredo
A autarquia está a estudar alternativas para requalificar passeios degradados, procurando compatibilizar a segurança pedonal com a preservação do arvoredo, num quadro em que a gestão das árvores representa hoje um investimento significativo – cerca de 500 mil euros no último ano. Segundo dados municipais, há na cidade cerca de 12 mil árvores, muitas delas envelhecidas ou secas, resultado de opções tomadas há várias décadas que condicionam a intervenção atual.
A deterioração dos passeios voltou a suscitar preocupações, com moradores a relatarem quedas e danos provocados pelo crescimento das raízes. O assunto ganhou relevo durante a campanha eleitoral e foi retomado na inauguração da exposição do Dia da Floresta Autóctone, onde o vice-presidente da Câmara, Tiago Correia, frisou que é necessário compatibilizar a preservação do arvoredo com a segurança pedonal, notando tratar-se de um assunto “que terá de ser tratado com urgência”.
Entre os pontos mais afetados está a Rua Albano Martins, onde as raízes têm provocado danos sucessivos. “Há ali árvores que destroem os passeios, partem os muros e arrebentam com as condutas d’água”. Perante esta realidade, reconheceu que “há sítios em que vamos ter mesmo de abater”.
O município encontra-se a concluir um regulamento para o arvoredo urbano, destinado a definir critérios de intervenção. A técnica do Ambiente, Vera Neves, referiu que “estas árvores são uma herança da autarquia” e apontou o Parque de Nossa Senhora dos Milagres como exemplo, observando que alguns exemplares “também estão em fim de vida. Secas”. Notou ainda que “há árvores que obviamente foram mal escolhidas para o sítio onde estão, mas é aqui, é no país inteiro e na Europa toda”.
Acrescentou que a evolução científica alterou o conhecimento disponível. “Nos últimos 20 anos, houve um conhecimento, sobre esta temática foi exponencial”, dizendo que “há 20 anos não se sabia nem um décimo do que se sabe hoje. E então, claro, houve erros que hoje em dia percebemos que houve, mas na altura não se sabia que eram erros. Mas tem de se corrigir”.
Tiago Correia reiterou que “em várias zonas da cidade” os passeios estão danificados e recordou que recebeu orientação direta do presidente da autarquia, João Oliveira, para que sejam estudadas soluções que permitam resolver simultaneamente os problemas dos passeios e das árvores que os danificam. “Esse estudo já está a ser feito”, indicou.
O vice-presidente reconheceu, contudo, que algumas situações não terão resolução sem abates pontuais. Acrescentou ainda que o concelho conta atualmente com cerca de 12 mil exemplares. “Eu admito que, se calhar no final do mandato, vamos ter muitas mais”.
Sublinhou que o critério determinante será a mobilidade pedonal. “Portanto, será sempre esse o nosso objetivo, mas, se calhar, pontualmente, sobretudo para resolver questões de mobilidade, de reduzir a mobilidade dos passeios, pode haver essa necessidade de intervenção”.
O autarca recordou intervenções anteriores em que o município optou por preservar as árvores, ajustando a estrutura dos passeios. “Por exemplo, nós fizemos uma intervenção há uns anos atrás, ainda foi o tempo do Ricardo Figueiredo, que foi ali no Largo das Laranjeiras. Nós, em vez de tirarmos as árvores, desviamos o passeio, por exemplo, é possível desviar o passeio mais para a esquerda e ajardinar...”.
A técnica do Ambiente destacou o investimento recente na gestão do arvoredo municipal, lembrando que o ano passado a Câmara “gastou cerca de 500 mil euros na gestão do arvoredo, coisa que não existia em anos anteriores, porque não havia propriamente uma gestão do arvoredo”. Explicou que a mudança decorre da entrada em vigor de legislação que obriga os municípios a gerir o arvoredo urbano “de uma forma muito concreta e objetiva”, motivo pelo qual, “de há dois anos”, a responsabilidade passou para a unidade do Ambiente. Desde então, referiu, tem sido desenvolvido “um grande trabalho”, incluindo o levantamento arbóreo e a avaliação fitossanitária, que “está toda feita”. Acrescentou que, “em breve”, será disponibilizada uma ferramenta digital para uso dos munícipes, “em cumprimento também do que está previsto na lei”.
Decorre o levantamento para reabilitação e construção de passeios
À margem do encontro, o vice-presidente da Câmara revelou ao nosso jornal que a autarquia está a realizar “um levantamento abrangente das necessidades de reabilitação e construção de passeios na cidade, uma das prioridades do programa da nossa candidatura”. Tiago Correia salienta que esse trabalho “é fundamental para melhorar a segurança, o conforto e a mobilidade de todos os que se deslocam a pé, reforçando a qualidade do espaço público, em particular em locais da cidade que ainda não tiveram grandes intervenções, muitos deles fora da zona central”.
Para já e em concreto, o autarca adianta que foram identificados já alguns troços que merecem intervenção, sendo esses os casos, por exemplo, da Rua José Domingos de Oliveira, Avenida Dr. Renato Araújo - entre o 8ª Avenida e o cruzamento com a Rua Visconde - e Rua Albano Martins.
“Paralelamente, vai iniciar-se em breve uma empreitada de execução de passeios em tapete betuminoso e estamos a reformular o procedimento do concurso para uma outra empreitada de requalificação de passeios que anteriormente ficou deserto”, acrescentou, referindo que esse concurso “será agora novamente lançado, permitindo avançar com um conjunto de intervenções nesse âmbito”.
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