
Apesar de preocupada a câmara garante que os números avançados pelo estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária que revela que S. João da Madeira está entre as três cidades com mais pessoas atropeladas podem originar “alguns equívocos”
Os dados foram avançados nos últimos dias pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária que tornou público um estudo que aponta S. João da Madeira, Porto e Lisboa como as três cidades portuguesas com as taxas mais elevadas de peões atropelados. No entanto, a autarquia de S. João da Madeira apesar de considerar os números “preocupantes”, esclarece, em nota de imprensa, que as informações do referido estudo podem originar “alguns equívocos”.
A referida nota explica que os 430 atropelamentos que são referenciados nos últimos cinco anos na cidade, no âmbito desse estudo, não ocorreram efetivamente. “São uma extrapolação dos números reais para uma população de 100 mil habitantes aproximadamente, cinco vezes mais do que o número de habitantes de S. João da Madeira, que é de cerca de 22.000”. Daí, segundo o município, resulta uma taxa de atropelamentos para a cidade que é cerca de “cinco vezes mais do que o número real de ocorrências, que, de 2018 a 2023, foi de 96”. Ou seja, na realidade, houve em S. João da Madeira, “muito menos atropelamentos do que os 430 referidos nas notícias agora publicadas”.
Fonte da autarquia, refere a ‘O Regional’, que a mesma nota pretende “esclarecer eventuais equívocos” que pudessem resultar da leitura das notícias, em vários meios de comunicação, pelo facto de não “constar das mesmas” o número de atropelamentos efetivamente verificados na cidade no período em causa, sendo essa diferença de 430 (taxa para 100 mil habitantes) para 96 (número real de atropelamentos), reforça a mesma fonte municipal.
Por outro lado, fruto da mesma operação “matemática” realizada para calcular esta taxa, em muitos outros concelhos mais populosos – designadamente aqueles que têm mais de 100 mil habitantes, mas não só –, a mesma nota dá conta que o número de atropelamentos efetivo “é superior ao de S. João da Madeira, embora essas localidades apareçam melhor” posicionadas neste ranking. “Mas não é por isso que os números de atropelamentos na cidade deixam de ser preocupantes e de merecer toda a atenção, reflexão e atuação”.
Recorde-se que os dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária indicavam que 40% dos atropelamentos em Portugal acontecem nas passadeiras e, aproximadamente, 25 mil peões foram atropelados entre 2018 e 2022. O estudo dá conta que, em cinco anos, há a contabilizar mais de 500 vítimas mortais. Estes números, agora conhecidos, revelam que Portugal é o país da Europa Ocidental onde mais peões perdem a vida.
Na última semana, ´O Regional’ solicitou à Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária informação relativamente aos números de acidentes e de vítimas nas passadeiras em S. João da Madeira entre 2018 e 2022, mas a resposta às nossas questões continuam sem resposta.
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