
As incertezas de muitos sanjoanenses em relação à vacinação não travaram o avanço da campanha contra a gripe – desde o início da época já foram administradas 4.810 vacinas contra a gripe e 2.016 contra a COVID-19 no concelho.
Em São João da Madeira já foram administradas 4.810 vacinas contra a gripe e 2.016 contra a COVID-19 desde o arranque da campanha de vacinação sazonal. Os números acompanham o aumento recente da procura, em paralelo com a subida das infeções respiratórias.
“Houve uma procura maior, o que é natural nesta altura do ano. Entre 7 e 20 de novembro, registou-se um aumento da procura de cerca de 3,6% para a gripe e de 1,5% para a COVID-19”, refere Rosa de Pinho, da Unidade de Saúde Familiar Vale do Vouga, em São João da Madeira.
De acordo com a médica, a vacinação começou por dar prioridade à população mais idosa.“Tendo sido prioritária a vacinação dos maiores de 85 anos no início da época vacinal, o grupo etário com maior procura nesta fase é o dos utentes entre os 60 e os 84 anos de idade”.
Em termos comparativos, a adesão apresenta comportamentos distintos entre as duas vacinas. “A adesão à vacinação da gripe está semelhante à da campanha anterior. A adesão à vacinação contra a COVID-19 está ligeiramente abaixo, cerca de 7%, do período homólogo, ou seja, da mesma altura do ano passado”, enfatiza a médica em declarações a 'O Regional'.
Sobre as dúvidas que continuam a afastar alguns sanjoanenses da vacinação, a médica considera que se trata de receios frequentes.
“As vacinas são testadas e seguras, e os efeitos adversos graves são muito raros. Na maior parte das vezes, podem surgir apenas pequenos efeitos temporários, como dor no local da aplicação ou um leve cansaço. A proteção que a vacina oferece supera em muito qualquer um destes desconfortos passageiros”.
Mesmo quem já teve COVID-19 deve ser vacinado, realça a especialista. “Ter tido COVID não garante proteção completa contra futuras infeções”. A vacina, acrescenta, “reforça a imunidade e ajuda a prevenir formas graves da doença”, sendo “especialmente importante para os mais velhos, que podem ter maior risco de complicações”.
A campanha prolonga-se até 30 de abril de 2026 no Serviço Nacional de Saúde e nas farmácias comunitárias. A Direção-Geral da Saúde reforçou as recomendações, sobretudo para a região Norte, onde é identificado maior risco de doenças respiratórias, garantindo que não haverá falta de vacinas durante o inverno.
A principal novidade da época 2025/2026 é o alargamento da gratuitidade da vacina da gripe a todas as crianças entre os seis e os 23 meses. Rosa de Pinho visa reforçar a proteção dos grupos mais vulneráveis e reduzir a circulação dos vírus na comunidade.
Realça que a vacinação é prioritária para a população com 60 ou mais anos, mas frisa que qualquer pessoa pode ser vacinada. “O objetivo é proteger os mais vulneráveis e quem tem maior risco de complicações”, sublinha, referindo em particular os doentes oncológicos, respiratórios e as pessoas com elevado risco cardiovascular.
“Combate aos mitos associados à vacinação”
A adesão das crianças entre os seis e os 23 meses à vacinação contra a gripe, após o alargamento da gratuitidade, ficou aquém do esperado. A taxa de cobertura nesta faixa etária situa-se atualmente nos 35%. As autoridades de saúde admitem que a decisão de alguns pais esteja associada ao facto de ser a primeira vez que esta idade passa a ter acesso universal à vacina, a par de receios considerados infundados sobre efeitos secundários.
Apesar do aumento da procura, não foi necessário reforçar meios nas unidades de saúde. “Não foi necessário reforço de equipas. Mantém-se o horário habitual das unidades, entre as 08h00 e as 20h00, e não houve necessidade de reforçar circuitos”, assegura a médica da Unidade de Saúde Familiar Vale do Vouga.
O acesso à vacinação continua a ser considerado simples. “A vacinação contra a gripe e a COVID-19 está disponível no centro de saúde. Poderá ligar para agendar ou, se preferir, deslocar-se à sua unidade de saúde, sem necessidade de pré-agendamento, e é administrada no momento”. A vacinação está igualmente disponível nas farmácias, mediante agendamento. “O importante é ir até a um dos locais mencionados e ser vacinado. É segura, de administração rápida e gratuita para maiores de 60 anos”.
Segundo a médica, a principal mensagem à população passa pelo combate aos mitos associados à vacinação contra a gripe.
“Há uma tendência muito portuguesa de nos fixarmos num fator negativo”, sublinha, referindo que as complicações associadas à vacina se tornaram um receio infundado. “A vacina da gripe já foi amplamente testada e há muitos anos”, acrescenta, lembrando que, apesar de ser atualizada em função das estirpes em circulação, a sua segurança é sustentada por uma longa experiência clínica.
Outro dos argumentos mais frequentes para a recusa da vacinação é a perceção de que a vacina não evita constipações. A médica esclarece que “a constipação banal não é uma gripe”, sublinhando que a gripe é uma doença mais grave, com febre elevada e um mal-estar prolongado, sobretudo perigosa para a população mais idosa e para quem tem doenças crónicas.
A especialista reforça que “é precisamente a vacina da gripe que nos vai proteger contra a doença e toda a descompensação que ela pode provocar”. A mensagem final é direta. “Tomar a vacina é um gesto simples que previne doenças graves, hospitalizações e salva vidas”.
A nível nacional, gripe acima dos 2,3 milhões e COVID-19 em queda
Mais de 2,3 milhões de pessoas já foram vacinadas contra a gripe em Portugal, enquanto a vacinação contra a COVID-19 continua a recuar, com pouco mais de um milhão de vacinados nesta fase da campanha.
Com a descida das temperaturas, a ministra da Saúde apelou à vacinação e alertou para o risco de sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde. A Direção-Geral da Saúde reforçou, na última semana, as recomendações para a região Norte, onde há maior risco de infeções respiratórias, garantindo que não há risco de rutura de vacinas.
Segundo a DGS, a maior cobertura vacinal contra a gripe regista-se nos idosos com 85 ou mais anos, sendo mais baixa no grupo dos 60 aos 69. As crianças entre os seis e os 23 meses também podem ser vacinadas em hospitais e no setor privado e social, mesmo fora dos grupos de risco.
Gripe leva a reforço de horários e vigilância diária
O aumento rápido dos casos de gripe levou o Ministério da Saúde a alargar os horários nos centros de atendimento clínico e a ativar uma monitorização diária da atividade gripal. A medida surge numa semana em que Portugal registou cerca de 700 novos casos por 100 mil habitantes.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, alertou para a vigilância diária da evolução da gripe, reconheceu a pressão crescente sobre os serviços e admitiu a escassez de profissionais, frisando que a gripe deverá ter “um impacto maior este ano”. A governante sublinhou que a capacidade do Serviço Nacional de Saúde foi reforçada e avisou para um aumento previsível da procura nas urgências, já em curso. Admitiu ainda a possibilidade de suspensão de cirurgias não urgentes para libertar recursos.
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