Sociedade

“A PSP deveria ter mais recursos, humanos e materiais”

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Continuar o trabalho de construção de habitação social, com a ajuda dos dinheiros europeus, requalificar a esquadra da PSP, redistribuir o parque escolar e lançar um concurso de inovação são algumas das prioridades de Jorge Vultos Sequeira.

Jornal ´O Regional’ - Foi eleito presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira em 2017 e reeleito em 2021. O que acha que mudou desde essa altura na cidade?
Jorge Vultos Sequeira -São muitas as mudanças e são fruto de um trabalho coletivo. É impossível, no espaço de uma entrevista, enumerar tudo. Mas saliento os passos que demos na requalificação urbana, rejuvenescendo a cidade. Designadamente, a intervenção na Praça Luís Ribeiro e em todo o centro cívico: moderno, com condições de mobilidade para peões e bastante atrativo para novos investimentos privados. Estamos a dar continuidade a esse trabalho, agora, na Rua Oliveira Júnior. Recordo, igualmente, a intervenção na Rua João de Deus, com a demolição de um prédio que bloqueava e estreitava a estrada. Outra zona da cidade que mudou totalmente foi a Avenida do Vale e a Rua Oliveira Figueiredo (na zona industrial das Travessas), intervenção que incluiu a construção de uma ponte pedonal e ciclovias. Na educação, transformamos completamente a escola básica de Fundo de Vila, construímos um novo bloco de salas e laboratórios na Serafim Leite e retiramos o amianto de todos os edifícios escolares propriedade do Município, entre muitas outras intervenções. E lançamos novos programas, como a Escola Aberta em agosto, que assegura, aos pais que trabalham, oferta pública de jardim de infância nesse mês. E passamos a ter lanche escolar, de manhã e à tarde, nos jardins de infância e nas escolas básicas. Hoje, toda a cidade tem iluminação pública com tecnologia LED - as pessoas, porventura, já se habituaram e já não reparam nisso. E mudou radicalmente a recolha de resíduos: já temos 3080 habitações com contentores fornecidos pela Câmara para separação do lixo no domicílio. Temos mais atividade cultural, destacando a Feira do Livro que se realiza em julho. Muito relevantes são as medidas na área de saúde: todas as crianças que nascem em S. João da Madeira desde 2018 podem ser vacinadas gratuitamente com a vacina contra a Rotavirus e o consultório de dentista instalado no Centro de Saúde já deu mais de 8000 consultas, muitas delas a pessoas que, com cerca de 70 anos de idade, foram pela primeira vez ao dentista. Por fim, permita-me mencionar a construção do novo hotel no Palacete dos Condes, uma iniciativa com origem numa decisão municipal e uma obra concessionada.

Qual é o assunto que neste momento lhe tira o sono?
A gestão da cidade é tão complexa e são tantos os assuntos, que há sempre algo dentro da cabeça. Mas, neste momento, o que mais me mobiliza é a execução do programa de construção e de requalificação de habitação social. Vamos arrancar com a construção de 11 moradias na Devesa Velha e já compramos vários imóveis devolutos para transformar em habitação, a saber a antiga fábrica Vieira Araújo, a antiga sede do Sporting e um imóvel na Rua Oliveira Júnior. Já temos perto de nove milhões de euros de investimento aprovados e temos mais candidaturas à espera de decisão. Esperemos que haja empreiteiros para executar todo este investimento. Ao longo destes anos, percebi que a habitação é a principal medida de apoio social que se pode conceder a uma família, mudando estruturalmente a sua vida.

Governar é para quem não tem medo ou para quem tem coragem?
Não há razões para temer nada. De resto, o que é necessário é ser-se fiel à missão e à visão de futuro que se tem e aplicar as medidas de acordo com o interesse público. E, aqui, não se pode vacilar. A hesitação geraria a estagnação da cidade.

A habitação tem sido uma das prioridades da sua governação. O município tem em curso várias obras ou projetos para a construção de habitação, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ou do programa 1° Direito. Numa assembleia recente, afirmou que os investimentos em curso representam 176 novos fogos na cidade. Esta é na verdade uma das grandes lacunas no concelho?
A crise na habitação é geral e é um dos temas políticos mais relevantes do país. Em S. João da Madeira, temos várias respostas para esta urgência. Note-se que o município proporciona casa a cerca de 600 famílias, arrendando casas de sua propriedade. Para além disso, criamos o programa de arrendamento para subarrendamento, programa através do qual a Câmara arrenda casas no mercado e, posteriormente, subarrenda essas casas a famílias que se candidatam a habitação social. Já alojamos 7 famílias com este novo modelo. Melhoramos o apoio, através de subsídio, à manutenção de contratos de arrendamento. Apoiamos 25 famílias no pagamento de renda aos seus senhorios. Mas, de facto, inauguramos uma nova política com a construção de nova habitação social. E isso fará a diferença no futuro. Desde 1993 que não existia, na nossa cidade, uma intervenção deste âmbito e com este alcance. É uma mudança estrutural. Felizmente, o que estamos a fazer é a inverter uma política que levou a que a Câmara, há alguns anos, tivesse vendido inúmeros imóveis, retirando-os da gestão pública e, assim, da disponibilidade permanente do mercado de arrendamento.

Acredita que a oferta que está a ser criada vai dar resposta à procura? Como espera que evolua o panorama da habitação nos próximos anos na cidade?
A nossa cidade foi a única na região que cresceu em população. Nos últimos Censos, crescemos 2,1%. Na área metropolitana do Porto, em geral, a população desceu. Continuamos a atrair pessoas que aqui estudam e trabalham. Por isso, este investimento público é necessário. Por outro lado, no setor privado, temos atualmente em construção cerca de 200 novos fogos. Neste âmbito, ocorreu uma mudança radical na cidade, a qual todos testemunham. E estou muito satisfeito pelo facto de os serviços da Câmara terem respondido atempadamente para que estes investimentos vissem a luz do dia.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3992, de 13 de junho de 2024 ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/

 

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