Sociedade

“A minha inspiração vem do trabalho”

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Luís António de Brito Pinheiro e Silva passou a maior parte da sua vida em S. João da Madeira. Depois de terminar a Escola Industrial, iniciou a sua vida profissional na empresa do pai, ligada ao comércio de automóveis e venda de combustíveis. Mas a sua vocação era outra e haveria de se revelar no final da década de 1990, altura em que se mudou para Gondomar. Luís tornou-se artesão, criou um estilo muito próprio que lhe granjeou reconhecimento e sucesso. Agora, está a colher os frutos do seu trabalho em Pisoria, uma pacata aldeia do concelho de Oleiros, onde vive e onde foi criado um espaço para exposição das suas peças. A abertura ao público aconteceu no dia 23 de abril e contou com uma forte presença sanjoanense.
Ninguém decide a terra onde vai nascer, mas todos podem escolher aquela onde querem viver. Luís Pinheiro nasceu em Vale de Cambra, a 15 de abril de 1955, no seio de uma família burguesa, sendo o quarto de sete filhos.
Quando tinha sete anos, a família mudou-se para S. João da Madeira e foi aqui que cresceu e se fez homem, até ter escolhido outra terra para iniciar e desenvolver a sua atividade, no mundo das artes.
Enquanto sanjoanense adotivo, Luís Pinheiro teve uma participação ativa no associativismo local. À semelhança do que tinha acontecido com o seu pai, António Alberto Pinheiro e Silva – ou “Pinheiro da Shell”, como era carinhosamente tratado por cá –, foi dirigente do hóquei em patins da A. D. Sanjoanense. Juntamente com Joaquim Mateus, contribuiu para o “período de ouro” da secção, que culminou com a conquista da Taça das Taças, em 1986, um título europeu que fica muito a dever ao trabalho desenvolvido pelos dois.
Como membro do Turbo Clube, foi figura de destaque na organização de provas com carrinhos de rolamentos e passeios de veículos todo-o-terreno, designados “Raide à Vitela” e “Raide à Castanha”, com larga repercussão no panorama do desporto motorizado nacional.
No final da década de 1990, Luís fixou-se em Melres e foi nesta antiga freguesia de Gondomar que deu asas à sua veia criativa. Primeiro com recurso ao xisto e, mais tarde, a outros materiais, designadamente pedra e ferro. Dessa simbiose nasceram peças que, nas suas andanças de artista nómada, chegaram a todo o lado. Hoje, o escultor Luís Pinheiro tem o melhor do que produziu no Museu Berardo Estremoz, Museu do Crato, Museu das Artes e Ofícios de Alcains, coleções privadas e espaços públicos, um pouco por todo o país.

Luís Pinheiro
Ana Paula Almeida, Luís Pinheiro, Miguel Marques, Filipe Dias e Augusto Canário

Em 1923, com Ana Paula de Almeida, mudou-se para Oleiros, distrito de Castelo Branco. Adquiriu uma casa na aldeia de Pisoria, em Cambas, e ocupou uma pequena oficina. No âmbito de um plano de combate ao êxodo rural de rejuvenescimento da população local, a Câmara Municipal de Oleiros cedeu o espaço da antiga Escola Primária de Pisoria ao escultor sanjoanense.
A assinatura do contrato de comodato decorreu no dia 25 de junho de 2024, numa cerimónia presidida pelo presidente da Câmara de Oleiros, Miguel Marques, que considera ser do interesse geral “dar nova vida a espaços e equipamentos desocupados, no concelho”.
A cedência da antiga escola, composta por duas salas, uma para oficina e outra para exposição das peças do artista, pressupõe que ali ocorram atividades variadas, tais como workshops, visitas guiadas e mostras de artesanato.
O espaço abriu ao público no dia 23 abril, uma semana depois do 70º aniversário de Luís Pinheiro. E que melhor prenda do que o improvisado reencontro de velhos amigos? Vieram prestar-lhe tributo e mostrar o carinho que nutrem por ele, num momento tão significativo da sua vida. Grande parte deles fizeram a viagem de autocarro (cerca de 400 km, ida e volta), outros nas suas próprias viaturas. Mais de meia centena de amigos e conterrâneos, numa festa que contou com a presença de algumas individualidades, entre elas os presidentes da Câmara Municipal de Oleiros e de Vale de Cambra, respetivamente Miguel Marques e António José Pinheiro.
E, para que a festa fosse completa naquele ambiente paradisíaco e de rara beleza, houve dois momentos musicais: um protagonizado por Augusto Oliveira Gonçalves, mais conhecido por “Augusto Canário” – velho conhecido de Luís Pinheiro – e o outro por elementos do coro da delegação de S. João da Madeira da Associação de Solidariedade Social dos Professores. Para mais tarde recordar.

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