
O Impacto da crise energética nas indústrias mais expostas aos efeitos do conflito na Ucrânia foi o tema principal em destaque no XIX Congresso Nacional de Fundição, que decorreu em S. João da Madeira.
“Fundição – futuro & desafios” foi o tema escolhido pela Associação de Indústria Portuguesa de Fundição (APF) para o congresso bienal, que se realizou, na última semana, na Torre da Oliva, em S. João da Madeira. Inicialmente agendado para maio de 2020, mas devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19, acabou por não se realizar.
O sector que está amplamente implantado nos distritos de Aveiro, Porto e Braga, onde laboram mais de 80 por cento das fundições existentes em todo o país.
O tema do encontro “espelha bem, na verdade, a situação de ‘mixed feelings’ que o sector atravessa, depois de uma crise pandémica que afetou sobremaneira o seu maior cliente: a indústria automóvel”. Tudo porque as vendas de automóveis “travaram a fundo nos últimos dois anos, designadamente na Europa, sendo arriscado prever quando estará normalizado o fornecimento de ‘chips’ aos principais construtores”, garante o presidente da APF.
Filipe Villas-Boas entende também que a indústria da fundição vive dias de “sentimentos mistos”, depois de a pandemia de Covid-19 ter “esfriado a dinâmica de crescimento” que vinha conhecendo, desde o início da década passada. Mas, nos últimos dois anos, “nunca parou”, e, hoje, está “apostada em potenciar” as suas competências e o “capital de conhecimento e saber-fazer” acumulado ao longo de “décadas” no desenvolvimento tecnológico, em inovação e, mais recentemente, em sustentabilidade.
Com cerca de 60 empresas em operação, que deverão ter fechado 2021, com um volume de negócios agregado, da ordem dos 536 milhões de euros e asseguram mais de 5000 empregos diretos, a fundição portuguesa há muito que se assume como “fortemente exportadora”, enviando para o exterior mais de 90 por cento daquilo que produz.
“OLIVA um lugar indissociável da história”
No fim do congresso, em declarações a ‘O Regional’, Filipe Villas-Boas disse que o balanço deste congresso em S. João da Madeira “é muito positivo”, quer pelo número de participantes - cerca de 200, provenientes de empresas associadas e não-associadas, que “viram neste evento a oportunidade de se reencontrarem, após um grande período de restrições decorrentes da pandemia”; quer pelas “opiniões que estes participantes partilharam com a organização do congresso, dando nota da pertinência e da qualidade das intervenções de todos os oradores”.
O Presidente da APF enfatizou que a escolha de S. João da Madeira para a realização do Congresso aconteceu, uma vez que se trata de um “local indissociável da história da OLIVA, empresa fundada por um português, em 1925, que se tornou num império e que produziu diversos produtos metalúrgicos”. Lembrou ainda que António José Pinto de Oliveira foi um empresário com “visão de futuro”, que contribui para a “afirmação” do setor da fundição em Portugal. “A escolha do espaço da Torre da Oliva para a realização do Congresso é uma homenagem simbólica à história da Oliva”, rematou.
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