Sociedade

43.ª edição do Carnaval celebrou o Centenário do Concelho com mais de 1400 participantes

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As ruas de São João da Madeira transformaram-se, no passado sábado, dia 14 de fevereiro, num palco vivo de identidade, tradição e criatividade com a realização da 43.ª edição do Carnaval das Escolas, um dos momentos mais aguardados do calendário educativo e cultural do concelho.

Coincidindo com o Dia de São Valentim, a iniciativa ganhou um simbolismo acrescido ao integrar-se nas comemorações dos 100 anos da elevação de São João da Madeira a concelho, reunindo 13 grupos, 1423 participantes, dos quais 1253 alunos e 170 elementos associativos, num desfile marcado pelo envolvimento intergeracional e pelo orgulho local.
Desde a primeira batida da fanfarra até à coreografia final, o desfile assumiu-se como uma narrativa em movimento. A abertura esteve, uma vez mais, a cargo da fanfarra dos Bombeiros Voluntários de São João da Madeira, presença constante desde a primeira edição do Carnaval das Escolas. Ao longo dos anos, a fanfarra foi-se adaptando, deixando a marcha militar para assumir um registo mais festivo, contribuindo para “dar o tom certo a um evento que é, acima de tudo, das crianças e da comunidade”, como foi sublinhado na apresentação do grupo.
Seguiram-se as majoretes da Escola Secundária João da Silva Correia, a Universidade Sénior, creches, centros infantis, academias de dança e agrupamentos escolares, todos unidos pelo mesmo fio condutor: celebrar o passado, compreender o presente e projetar o futuro de um concelho construído com trabalho, indústria, educação e cultura. Cada grupo trouxe à rua “a sua leitura dos 100 anos de história, desde referências à Oliva e à tradição fabril até à importância das instituições sociais e educativas” na formação de gerações.
Entre os vários quadros apresentados, o Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior (AEOJ) destacou-se por uma proposta simultaneamente simples mas simbólica. Com o lema “De boné na cabeça e jornal na mão”, os alunos desfilaram vestidos de ardinas, evocando uma profissão histórica e prestando homenagem à imprensa local, em particular ao Jornal O Regional, que recebeu um destaque assumido por parte do agrupamento.
A ideia nasceu de forma espontânea, como explicou a organização do Carnaval do agrupamento, que preferiu não individualizar nomes, sublinhando tratar-se de “um trabalho coletivo de professores de Educação Física, Educação Visual e direção”.
“A Câmara apresentou o tema dos 100 anos do concelho e nós começámos a pensar como é que iríamos para a rua. Numa noite de insónia lembramo-nos de que São João da Madeira fazia 100 anos, mas que o jornal já contava a sua história há ainda mais tempo”, recordaram.

“Se houve a elevação a concelho, de certeza que isso foi manchete”.

A proposta foi acolhida pela direção e rapidamente ganhou forma. O contacto com Jornal O Regional permitiu o acesso à capa original de 1926, que anunciava a criação do concelho, documento que se tornou o coração visual do desfile. “Essa capa foi usada tal e qual. Depois, os professores de Educação Visual trabalharam o resto do jornal, recriando páginas inspiradas nas notícias da época”, explicaram, salientando que o objetivo não era a reprodução exata, mas sim a evocação estética e histórica.
A componente coreográfica implicou desafios acrescidos. “Na escola não temos tempos específicos para ensaiar o Carnaval, tudo tem de ser feito fora do horário dos alunos”, referiram, acrescentando ainda a incerteza quanto à música que iria tocar durante o desfile. “Nunca sabemos que música vai passar nos altifalantes, por isso a coreografia tem de ser sempre básica e adaptável, o que para miúdos é complicado.” Apesar disso, conseguiram apresentar uma dança dinâmica, explorando o jornal como elemento cénico e integrando todos os participantes.
No próprio dia, o sentimento foi de satisfação generalizada. “Os miúdos estavam felizes, os professores estavam contentes com o produto final e sentimos que representamos bem o agrupamento e o Carnaval das Escolas de São João da Madeira.” A comparação com outros carnavais de maior dimensão surge de forma natural, mas sem amargura. “Pode parecer mais simples do que noutros municípios, mas o essencial esteve lá. Divertiram-se, participaram na dança final e chegaram ao fim bem dispostos.”
Ao longo do desfile, outras instituições reforçaram a riqueza do programa. A Universidade Sénior recriou episódios ligados à emancipação concelhia, grupos como o CCD Hip Hop e o CCD Zumba trouxeram energia e movimento, enquanto creches e centros infantis celebraram o centenário com bolos simbólicos, personagens de contos clássicos e referências à história industrial e social do concelho. A coreografia final, assegurada pelo Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, encerrou o desfile com uma imagem de celebração.
Num ano especialmente simbólico, ficou claro que os 100 anos de São João da Madeira são mais do que apenas um marco histórico, mas também, uma história viva, contada pelas crianças, pelas escolas, pelas instituições e também pelo Jornal O Regional que, há mais de um século, regista o pulsar da cidade.

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