Sociedade

25 de Abril celebrado na Rua do Poder Local com memória, esperança e apelo à resistência democrática

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As celebrações continuaram com uma sessão que deu palco às escolas do concelho, aos representantes dos partidos políticos com assento na Assembleia Municipal e aos principais responsáveis autárquicos.

A voz da juventude e as “conquistas de Abril”

Rúben Filipe Oliveira Marques, representante da Assembleia Municipal Jovem, abriu as intervenções, lembrando que a liberdade e a democracia não são garantias permanentes e exigem o compromisso contínuo das novas gerações. Seguiram-se as apresentações dos agrupamentos escolares. Sob o título “Conquistas de Abril”, o Agrupamento de Escolas João da Silva Correia destacou as principais vitórias que a Revolução trouxe para o povo português. Já o Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, com o tema “Vozes de Abril – O sonho da liberdade”, evocou as aspirações de um país que soube renascer das cinzas da opressão. O Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior encerrou o painel escolar com a intervenção “O que fomos e o que somos”, refletindo sobre o impacto duradouro da Revolução na sociedade atual.

Discursos políticos marcaram reflexão sobre o presente

No momento político da sessão, Eva Braga, representante do Bloco de Esquerda (BE), sublinhou a necessidade de comemorar o 25 de Abril na rua, “onde ele deve ser comemorado”. Definindo a Revolução como uma “mudança radical do poder político, das estruturas sociais, económicas e culturais”, Eva Braga destacou que “o nosso 25 de Abril foi uma revolução popular, uma revolução. Foi o dia mais brilhante e completo da história recente do nosso país. Um dia de coragem, esperança e de construção de futuro”. Alertou ainda para os tempos de retrocesso que se vivem atualmente, em que “as nossas conquistas, os nossos direitos, a nossa liberdade, tudo está sob ameaça”.
Rita Mendes, em nome da CDU, reforçou que o 25 de Abril “não é apenas uma data no calendário, é um dia de celebração e também de luta contínua”. Recordou o papel crucial do Partido Comunista Português na resistência à ditadura e na Revolução. “O PCP foi durante décadas a principal força política de oposição ao regime fascista do Estado Novo. A Revolução não acabou em 1974. Continua nos combates diários por uma democracia participativa, popular e viva”.
O representante do CDS, Amílcar Reis, destacou os riscos dos populismos e criticou as políticas de imigração dos últimos anos, defendendo que o 25 de Abril serviu para “pôr fim ao totalitarismo e abrir caminho à liberdade”. Sublinhando ainda o papel do CDS no desenvolvimento do país, que “ao longo destes 51 anos de democracia, esteve ao lado dos profissionais de saúde, dos professores, dos polícias” e de todos os que fazem do serviço público uma missão.
Em representação do PSD, Gonçalo Fernandes relembrou o contexto de luto nacional pelo falecimento do Papa Francisco, associando a sua figura aos valores de liberdade e dignidade humana. “Se Abril ainda faz sentido?”, questionou, respondendo de imediato: “Faz, mais do que nunca. Porque nos permite recordar o caminho percorrido e reafirmar o compromisso com uma sociedade mais justa, solidária e democrática”.
Leonardo Martins, pelo PS, reforçou que o 25 de Abril é “um património coletivo que se renova em cada geração”. Defendeu que a democracia “não é um dado adquirido, mas um projeto inacabado que exige a participação ativa de todos”. Recordou ainda os avanços sociais, económicos e culturais conseguidos nas últimas décadas. “Foi com Abril que trouxemos para Portugal a liberdade de expressão, a saúde universal, a escola pública e os direitos laborais que hoje são pilares da nossa sociedade”.

Discurso dos responsáveis autárquicos e prémios escolares

O Presidente da Câmara Municipal, Jorge Vultos Sequeira, reforçou a importância de honrar a memória de Abril “não apenas com palavras, mas sobretudo com ações que garantam justiça social, igualdade de oportunidades e defesa das liberdades individuais”. Referindo ainda que “o legado do 25 de Abril exige que sejamos, todos os dias, construtores de uma sociedade mais fraterna e democrática”.
A Presidente da Assembleia Municipal, Clara Reis, encerrou a sessão reafirmando que “o 25 de Abril é a nossa identidade enquanto povo livre e soberano” e sublinhou o papel da educação na preservação dos valores democrático, sendo “através da formação das novas gerações que garantimos a perenidade do espírito de Abril”.
A cerimónia terminou com a entrega dos prémios do concurso “Cartazes 25 de Abril/2025”, dirigido aos alunos do 1.º ciclo do ensino secundário.

 

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