Setor do calçado discute o futuro da mão-de-obra

Setor do calçado discute o futuro da mão-de-obra

No âmbito do seminário «Fashion World’s Challange: Looking for Qualifications and Occupations», reuniram-se no Centro Tecnológico do Calçado, especialistas e empresários nacionais e internacionais para discutir o futuro da mão-de-obra da indústria da moda, com especial enfoque no setor do calçado e couro. A rápida evolução das tecnologias de informação e digitalização e a necessidade de atrair as novas gerações para a indústria do calçado foram alguns dos temas em debate.

“Durante muitos anos, a nossa primeira prioridade foi conquistar clientes e manter a fábrica ocupada. Agora, a nossa primeira prioridade é encontrar (e reter) funcionários qualificados”. Esta breve citação de Simon Cotton, CEO da Johnstons of Elgin, fabricante de malhas escocesas, resume soberbamente o principal desafio que as empresas europeias de têxteis, vestuário, couro e calçado (TCLF) lutam para superar todos os dias.
A requalificação profissional dos colaboradores existentes nos setores e a dificuldade de encontrar novos talentos com as competências certas foram os principais tópicos debatidos nos dois primeiros eventos públicos «Fashion World’s Challenges – Looking for Qualifications and Occupations» e «Skills4Smart TCLF 2030», organizados no âmbito do projeto Erasmus, na semana passada em Portugal. Ambos seminários reuniram especialistas nacionais e internacionais e partes interessadas da indústria para discutir o futuro da mão-de-obra nas indústrias da Moda.
No dia 22 de janeiro de 2019, realizou-se a primeira conferência, centrada principalmente nos setores Têxtil e Vestuário, nas instalações do CITEVE (Centro Tecnológico de Têxteis e Vestuário) em Vila Nova de Famalicão, e no dia seguinte, o CTCP (Centro Tecnológico do Calçado de Portugal) organizou. em S. João da Madeira, o segundo evento que envolveu principalmente empresas e stakeholders das indústrias do Couro e Calçado.
Ambos eventos levaram a conclusões semelhantes e destacaram a urgência de tomar medidas. Vivemos numa era em que o ritmo da mudança está a aumentar incrivelmente, a digitalização e a tecnologia mais avançada estão a alterar a maneira de trabalhar, a onda de reformas de trabalhadores experientes está a intensificar-se, empregos tradicionais são destruídos e ao mesmo tempo substituídos e recriados. O número de alunos em formação profissional e sistema educacional está a diminuir continuamente… e os setores ainda não encontraram soluções sustentáveis para esta situação complexa.
Como os oradores explicaram claramente nestes últimos dias, “a aprendizagem ao longo da vida deve ser promovida em cada empresa”. Miguel Pedrosa Rodrigues, da Pedrosa & Rodrigues, defende que “devemos tornar o nosso setor mais atrativo e explicar, sobretudo às novas gerações, as oportunidades existentes no mesmo”.
“Robótica, automação, digitalização já são uma realidade nas nossas indústrias, por que não usá-las para atrair os jovens?”, questiona Ricardo Cunha, do ITA, deixando a convicção de que apesar de ser “extraordinariamente útil no apoio ao trabalho das pessoas”, a tecnologia “nunca substituirá os trabalhadores”.
Rui Moreira, da AMF, recorre ao exemplo das escolas de condução, lembrando que para “aprender a conduzir um carro, é sempre necessário alguém a mostrar e explicar como se faz”, pois “não dá para aprender diretamente de um livro”. O mesmo acontece noutras áreas. “MOOCs, tutoriais e outros dispositivos digitais também são ótimos materiais didáticos, mas nunca substituirão a formação”, afirmou, sublinhando que “as pessoas estarão sempre no centro da formação”.
No entanto, “a educação e formação profissional sectorial precisa de ser reforçada ou reestruturada”, defende Ana Maria Damião, da Agência Nacional de Qualificação e Educação, reconhecendo que “a parte mais difícil é atualizar os currículos para atender às diferentes necessidades do setor”. Neste sentido, defende que “todas as partes interessadas do setor, incluindo sindicatos e associações nacionais, devem participar ativamente no processo”.
Posição partilhada por Gonçalo Santos, Secretário-Geral da APIC, que considera que “deve ser promovida uma colaboração intensa entre todos os intervenientes sectoriais e o intercâmbio de melhores práticas em todos os níveis de governação”.
A área do Porto beneficia de um apoio robusto da comunidade e das autoridades políticas. Fernando Freire de Sousa, António Leite e Adelaide Dias, respetivamente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte de Portugal, Instituto de Emprego e Formação Profissional e Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, confirmaram a vontade de continuar os seus programas e esquemas relacionados com os clusters, como por exemplo, através de formação gratuita para os trabalhadores destes setores, promoção da transição da escola para o trabalho e das carreiras nos setores, bem como o envolvimento ativo de todas as partes da comunidade no ambiente educacional e de trabalho. Este é, obviamente, um exemplo claro das melhores práticas nos setores em questão, e é aí que entra o projeto Skills4Smart – partilhar conhecimentos e melhores práticas para antecipar as necessidades de mão-de-obra, melhorar a empregabilidade e as competências certas são os nossos principais objetivos.
Nos próximos meses, a parceria S4TCLF estará encarregada do desenvolvimento de uma nova Estratégia de Setorial (WP5), uma nova campanha de atratividade das carreiras do TCLF (WP6) e 8 novos currículos para 8 ocupações do TCLF (WP7).

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