Sem plano de viabilidade, Evereste fecha 78 anos depois

Sem plano de viabilidade, Evereste fecha 78 anos depois

A fábrica de calçado Evereste fechou mesmo as portas, depois de não ter sido apresentado qualquer plano de viabilidade. A administração deu início ao processo de insolvência em fevereiro, depois de serem conhecidas as dificuldades da empresa, onde trabalhavam cerca de 60 pessoas.

A empresa Evereste, em S. João da Madeira, vai mesmo encerrar depois de, na semana passada, o juiz ter decidido pela liquidação da massa insolvente. Em fevereiro, a fábrica tinha dado entrada com o processo de insolvência, mas ainda havia esperança de que fosse apresentado um plano de viabilidade, algo que não aconteceu.
De acordo com o administrador da insolvência, Joaquim Roque, foi prescindida a realização da assembleia de credores e o juiz decidiu a liquidação. Significa que todos os credores, incluindo trabalhadores e fornecedores, receberão os seus direitos de acordo com aquilo que foi estabelecido pelo tribunal. A fábrica sanjoanense empregava cerca de 60 trabalhadores, agora empurrados para o desemprego.
Recorde-se que a Evereste deu início ao processo de insolvência a 28 de fevereiro, ainda antes de a pandemia por Covid-19 ter afetado o país. As dificuldades na empresa foram conhecidas dia 19 desse mês, quando os funcionários denunciaram que tinham recebido apenas 30% do salário de janeiro. Os trabalhadores ainda entregaram um pré-aviso de greve, mas a empresa regularizou o pagamento dos ordenados antes disso acontecer. E também pagou o salário de fevereiro.
O Sindicato dos Operários da Indústria de Calçado ainda defendeu a hipótese de um plano de revitalização, que tornaria possível manter a fábrica a laborar, fazendo acordos de pagamento com os credores, algo que acabou por não acontecer. O administrador da empresa, André Fernandes, chegou a assumir a ‘O Regional’ que as dificuldades da empresa se deviam à falta de pagamento de vários clientes. Em fevereiro, foi a primeira vez em 78 anos que a empresa teve salários em atraso.
A Evereste era uma referência no mercado de exportação de calçado e fazia parte das indústrias inseridas na rota de visitação do Turismo Industrial de S. João da Madeira. Exportava para mercados como França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, República Checa, Croácia, Rússa, Emirados Árabes Unidos e Canadá.

Catarina Silva

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