Secretária de Estado visitou as novas exposições do Centro de Arte Oliva

Secretária de Estado visitou as novas exposições do Centro de Arte Oliva

O Centro de Arte Oliva tem patente, desde o passado dia 13, as exposições «Extravaganza», que junta 60 obras de Arte Bruta, e «Trabalho Capital», com trabalhos de 100 artistas da arte contemporânea internacional, com uma forte seleção de material documental e espólio industrial da metalúrgica Oliva. As duas exposições já receberam a visita da Secretária de Estado da Cultura. Ambas podem ser vistas até 13 de Outubro.

É um local de passagem obrigatória para quem vive ou está de passagem por aquele que é o concelho mais pequeno do país. O Centro de Arte Oliva, em S. João da Madeira, acolhe, desde sábado, dia 13, duas novas exposições. Apresentando trabalhos de 100 artistas de arte contemporânea, «Trabalho Capital – Ensaio sobre Gestos e Fragmentos» é comissariada por Paulo Mendes, partindo da Coleção de Norlinda e José Lima em diálogo com obras de artistas portugueses produzidas para a exposição e espólio histórico-industrial da antiga fábrica Oliva.
Por seu turno, «Extravaganza» reúne 60 obras de Arte Bruta, com trabalhos “não muito comuns” da Coleção de Treger Saint Silvestre, sob a curadoria da italiana Antónia Gaeta.
As duas exposições já receberam a visita da Secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira, que não ficou indiferente ao que encontrou no local, desde logo o cenário de “verdadeiras obras” que caracteriza a primeira daquelas exposições: andaimes montados, materiais de obra pelo chão, ferramentas espalhadas e muitas alusões à antiga metalúrgica Oliva.
A Secretária de Estado foi acompanhada pelo Presidente da Câmara e vereadores, assim como pela diretora do Centro de Arte Oliva. A governante saudou o Município e os colecionadores por estarem a “disponibilizar acesso à arte” ao público em geral, lembrando que “cultura é sinónimo de competitividade dos territórios e de coesão territorial”.

Arte e memória industrial

Num encontro com os jornalistas, na semana que antecedeu a inauguração, o curador Paulo Mendes já havia explicado que «Trabalho Capital» pretende reivindicar “uma nova relação com a cidade e com as suas memórias”, uma vez que vai “buscar a memória social e política da fábrica Oliva, enquanto espaço de trabalho onde os operários estiveram aqui a laborar”.
Para este responsável, a apresentação desta exposição tem um “dispositivo cenográfico bastante diferenciado do que é habitual”, já que inclui uma série de documentação relacionada com esta antiga metalúrgica. Paulo Mendes explicou também que para esta exposição foi feito um “levantamento histórico” e de muita informação sobre esta empresa, que está “reunida” e é apresentada pela primeira vez.
Esta exposição, em que se destacam também entrevistas em vídeo a seis antigos funcionários da metalúrgica que encerrou em 2010, tem conteúdos muito transversais, do ponto de vista “temático e estético” e poderá ter muito da própria “história pessoal” do público, uma vez que a metalúrgica chegou a ser a segunda maior empresa portuguesa. “Toda a gente aqui nesta zona tem familiares que, mais cedo ou mais tarde, trabalharam na Oliva”, enfatizou.

Arte bruta e outsider

“Sob o signo do bizarro, da anomalia e do absurdo”, a exposição «Extravaganza» é constituída por mais de 60 trabalhos de arte bruta e outsider, visualmente “muito apelativos”, com grande capacidade para “captar o olhar” dos visitantes, como sublinhou a respetiva curadora.
Antónia Gaeta, que já comissariou outras exposições da coleção Treger/Saint Silvestre, realçou que «Extravaganza« “assenta na estranheza, na obsessão pelo obsceno e o nonsense, na recusa de regras lógicas, onde há espaço para abstrações, o gosto pelo absurdo, a incongruência e todo tipo de paradoxos”.
Esta exposição lança um olhar sobre “a história da arte bruta nacional e internacional”, o que só é possível porque, efetivamente, a coleção Treger/Saint Silvestre – em depósito no Centro de Arte Oliva – é um dos “mais representativos acervos deste género na Europa”.
Antonia Gaeta é Licenciada em Conservação dos Bens Culturais pela Universidade de Bolonha e Doutorada em Arte Contemporânea no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Foi coordenadora executiva das representações oficiais portuguesas nas Bienais de Arte de Veneza (edições 2009 e 2011) e de São Paulo (edições 2008 e 2010) para a Direção-Geral das Artes.
No final da visita a estas duas exposições, a Secretária de Estado da Cultura passou ainda pela mostra itinerante «Contra a Abstração», da Culturgest, que também pode ser vista no Centro de Arte Oliva, onde se manterá até ao início de Junho.

António Gomes Costa

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