Sanjoanense assume pretensão de subir à 1.ª divisão

Sanjoanense assume pretensão de subir à 1.ª divisão

Depois de conhecida a decisão da Federação de Andebol de Portugal (FAP) em realizar uma liguilha para apuramento das duas equipas seniores masculinas que irão subir à 1ª divisão da modalidade, o líder do andebol da Sanjoanense confirmou a ‘O Regional’ não terem ficado muito satisfeitos com a decisão; no entanto, partem para a competição com os olhos postos na subida. José Pedro Silva aproveitou para fazer um balanço de uma época que ficará na memória de todos, pelas razões evidentes, e já projeta 2020/2021, com aposta clara na formação e com o desejo de ver a equipa sénior no primeiro escalão.

O ano de 2020 ficará na memória de todos, não pelas melhores razões, mas, desportivamente, poderá trazer grandes novidades à secção de andebol da Sanjoanense. Após o encerramento prematuro da época, é agora tempo de fazer o balanço e começar a preparar a época 2020/2021. Nesse sentido, José Pedro Silva, o responsável máximo da modalidade, começa por lembrar que um clube como a Sanjoanense, que conta com todos os escalões de formação femininos e masculinos, tem sempre de preparar as coisas atempadamente.
Fazendo um pouco a resenha do que foi a época 2019/2020, refere que, mais uma vez, a aposta foi nos escalões de formação. Já ao nível dos seniores masculinos, “foi feita uma redução no orçamento, mas sempre de forma a não colocar em causa a manutenção, por isso, a fase final sempre foi um objetivo”.
No entanto, e apesar de “infelizmente a época ter ficado a meio, pelos motivos que conhecemos, mesmo assim foi repleta de conquistas”, referindo-se ao facto de o clube ter levado nove atletas (masculino e feminino) aos trabalhos das seleções regionais, dos quais quatro foram também convocados para o centro de treinos nacionais e uma à seleção nacional. No campo de captação, assegura ter sido bastante positivo, com uma entrada substancial de novos atletas nos escalões de minis e bambis, em especial masculinos.
Em relação ao escalão de infantis, aquando da suspensão dos campeonatos, a equipa estava nos primeiros lugares distritais e preparava-se para garantir o acesso ao encontro nacional.
No escalão de iniciados masculinos, a Sanjoanense sagrou-se campeã distrital e estavam a preparar a participação na fase final.
Os juvenis, a competir na 1ª divisão, conseguiram “um brilhante apuramento para a fase final, entrando na discussão do título com os históricos nacionais”, refere. Por último, os juniores estavam à procura de garantir a permanência na 1ª divisão.
No que diz respeito ao feminino, “as equipas criavam bases de trabalho, uma vez que a equipa sénior regressou há pouco tempo e o projeto ainda é recente”.
Por último, a equipa sénior masculina que, depois de ter vencido a sua série na 1ª fase do campeonato, encontrava-se agora no segundo lugar da fase de acesso à 1ª divisão nacional, quando a federação deu por terminada a época. E, com o fim do campeonato antes do tempo, e por decisão da FAP, garantiram a participação na liguilha de acesso, “por mérito e pelo trabalho desenvolvido durante os dois terços da época rea­lizada”. José Pedro Silva realça ainda o facto de que a Sanjoanense ainda não tinha sido eliminada da Taça de Portugal.
Portanto, “foi uma época em termos desportivos excelente. Considero que o efeito de terminar mais cedo foi neutro em termos de resultados desportivos”.
Sobre a equipa técnica, deixou uma palavra de grande confiança. “O Nuno Silva tem dado provas de grande qualidade e o Hélder Vieira, para além de ser um ótimo treinador, tem a vantagem de ser um produto do clube, conhece bem os cantos à casa, sente o emblema como ninguém e é muito sensível à realidade global do clube”.
Não quis também tirar o mérito aos jogadores, que diz terem trabalhado para o possível feito da subida, mas, na sua opinião, “estes dois homens foram os principais «culpados» da possível subida de divisão”, assegurando que foram a escolha mais acertada.

“Vamos trabalhar e fazer o nosso melhor, participando na liguilha com
o objetivo da subida”

Com a suspensão dos campeonatos, foi deliberado pela federação que não haveria descidas de divisão mas, no entanto, duas equipas iriam subir ao primeiro escalão, com base numa decisão definida pela realização de uma liguilha, envolvendo os três primeiros de cada série da 1ª fase do campeonato nacional da 2ª divisão. Nesse sentido, a Sanjoanense, vencedora da sua série, juntamente com o Póvoa AC e AC Almada, vencedores das respetivas séries, irão disputar, em setembro, uma liguilha, em campo neutro, para determinar os dois lugares de acesso. Esta não era seguramente a decisão esperada pelos dirigentes alvinegros, ainda mais porque se irá realizar no início da nova época, o que torna “extremamente difícil planear ou mesmo tomar decisões”, refere o dirigente.
Recorde-se que a equipa que participar na liguilha terá de ser a mesma que competirá na época 2020/2021, independentemente do campeonato que vá disputar. “Temos de construir um plantel para a primeira ou segunda divisão, sem saber em qual vamos jogar. Parece simples mas não é e interfere com muitas decisões”, lamenta.
Alguns dos aspetos que o preocupa é a angariação de patrocínios e apoios e a contratação de jogadores. “Há muitos jogadores que simplesmente não jogam na segunda divisão e querem ter essa garantia quando se decidem com quem se comprometem”, lembrando que “só teremos essa certeza quando o mercado já estiver fechado”.
No entanto, acredita que, apesar de não ser fácil, “vamos trabalhar e fazer o nosso melhor, participando na liguilha com o objetivo da subida. Vamos começar a época com jogos a doer, mas esperamos que os adeptos nos acompanhem, onde quer que ela se realize”. E deixa a garantia de que “estamos a construir uma equipa que nos permita ser competitivos e manter-se na 1ª divisão”, assegura.
Recorde-se que a Sanjoanense esteve a última vez na 1ª divisão há 38 anos atrás. E com esta oportunidade da subida e a oportunidade de voltar a jogar ao mais alto nível, não é uma possibilidade que a direção quer rejeitar. “Já outras direções, assim como esta, tentaram a subida noutras alturas, apesar de nas três últimas épocas esta ter sido aquela em que apostámos menos”.
Com a subida à distância de uma liguilha de acesso, diz-se preparado para jogar na 1ª divisão. “Estamos já há alguns anos a melhorar a performance das equipas de formação e neste momento estamos no grupo dos melhores nacionais em todos os escalões e, a seguir esse caminho, será inevitável que tal aconteça também com os seniores”, assegura.
Mas, consciente das dificuldades que se avizinham, afirma que será transversal a todos. “Os orçamentos vão baixar em todos os campeonatos de todas as modalidades, os técnicos e atletas vão receber menos, os apoios serão menores. Vão ser tempos difíceis e transversais a toda economia, o desporto de competição obviamente não escapará”, afirma.
A não entrada de receitas importantes que estavam previstas no orçamento é algo que preocupa José Pedro Silva, no entanto, “os custos também baixaram ligeiramente”, refere, mas é algo que assegura que vai ser contornado, “como temos feito com tantas adversidades que têm surgido nos últimos anos. Com certeza que será preciso muita coragem para ser dirigente desportivo na próxima época, refiro-me a qualquer modalidade ou clube”, garante.
Para fazer face à crise, o dirigente alvinegro fala na contenção nos custos e organização de eventos. E espera que os patrocinadores habituais não se afastem. “Sou muito otimista e acho que até nas crises se podem encontrar oportunidades. Temos de estar atentos e agir com moderação, e esperamos que os nossos apoios continuem”. Nesse sentido, e de forma atempada, a direção, juntamente com os técnicos, está desde meados de Março a montar a equipa do próximo ano, “de forma a escolher bem”.

“Temos a próxima época praticamente planeada”

José Pedro Silva assegura que a época está praticamente toda planeada. “Durante o período de confinamento, aproveitámos o tempo para planear. Em termos de formação, no masculino, deveremos reforçar com um treinador. Em termos de objetivos, será manter os juniores na 1ª divisão, levar os juvenis à fase final da primeira divisão. Nos iniciados e infantis queremos ir ás fases finais nacionais. No feminino, pretendemos reforçar qualitativamente as equipas técnicas e colar o nível com o atingido no masculino. Nas seniores femininas, o objetivo é de construir uma equipa competitiva com base em ex-atletas e atletas de formação. E necessitamos que seja um ano forte na captação de base”, garantindo que terá de passar muito por este ponto.
Nos seniores masculinos, e com base na aposta assumida, “estamos a preparar uma equipa competitiva para a 1ª divisão, com cerca de 60% de atletas formados no clube. Penso que é importante haver uma empatia entre a cidade e a equipa e ter no conjunto vários elementos da cidade dá-nos essa empatia”, afirma.
Sem levantar a ponta do véu, o dirigente adiantou que em breve os reforços e a estrutura diretiva serão apresentados.
Com o pensamento na estratégia que quer para o clube, diz não acreditar na ideia de clubes que se dedicam só à formação ou só à competição. “Um clube que não tenha uma formação consistente não consegue ter uma equipa sénior consistente. Assim como um clube que aposte só na formação, nunca a terá forte, pois não conseguem fixar os atletas, pois estes acabam por sair muito cedo para clubes com equipas seniores, desagregando as equipas”, afirma. Desta forma. defende que deverá ser sempre uma aposta proporcional. “Devemos ter condições para com a prata da casa fazer 50% da equipa sénior e conseguir ser competitivos”. E a confirmar-se a subida da equipa sénior ao primeiro escalão, a Sanjoanense “ficará com todos os escalões masculinos no topo nacional. Sinceramente, não me recordo de tal ter acontecido no passado. E, quando lá chegarmos, o objetivo será manter”, garante.

“No andebol, a tendência é ir cada vez mais ao encontro da alta competição”

Numa fase que se avizinha complicada em termos de apoios financeiros, num clube que se assume com “a tendência de ir cada vez mais ao encontro da alta competição”, José Pedro Silva deixa o repto para que possam surgir mais apoios da parte da autarquia. “A Câmara Municipal tem cumprido com o seu papel, nós conhecemos a política municipal, que é «Desporto para todos» e não com um foco na alta competição. É uma opção que respeito, mas de facto não é onde o andebol se enquadra”, refere.
De qualquer forma, reforça que tem sido positiva a participação da autarquia, referindo-se ao presidente da Câmara, “que está sempre pronto para nos ouvir e ajudar dentro do possível, assim como a vereadora do Desporto, que é bastante sensível às necessidades das nossas associações”. Nesse sentido, diz pretender reunir com o município brevemente, para “partilhar o nosso projeto e apresentar as nossas fragilidades, e tentar criar aqui uma parceria de sucesso. Até pensando já na liguilha de Setembro, pois tenho a certeza de que serão muitos os sanjoanenses a querem deslocar-se com a equipa”, refere.
As modalidades coletivas “são uma bandeira da cidade e, no caso do andebol, fizemos, desde o início da época até há data do confinamento, cerca de 200 jogos por todo o país. Recordo em especial o último fim-de-semana de competição, em que estivemos, em simultâneo, a jogar em Leiria, em Lagos e em Castelo Branco”, lembra em jeito de apelo a um maior apoio por parte da autarquia, que possa ajudar a cobrir todas essas despesas. E, nesse sentido, o dirigente dá exemplos de outros concelhos onde as autarquias têm um foco muito maior na alta competição, como a Maia ou Oliveira de Azeméis, que considera ser o exemplo máximo desse apoio.
A pandemia do novo coronavírus foi também impeditiva da realização do Andebolmania, provavelmente uma das maiores fontes de receita do clube. “O impacto na secção é sempre grande, pois o torneio foi criado para ser um dos equilibradores do orçamento da secção”, refere José Pedro Silva. Este foi, assim, mais um revés que se colocou à direção, que terá de preparar a nova época a pensar como colmatar essa grande quebra de receita.
Mesmo assim, não foi impeditivo da continuidade à frente dos destinos do clube. “O ano passado, supostamente, seria o meu último à frente do clube, mas senti-me na obrigação de continuar, uma vez que existia alguma instabilidade diretiva e achei que a saída poderia ter consequências negativas, colocando em causa tudo o que se construiu, com muitos sacrifícios durante vários anos. Não havia problemas de continuidade, pois surgiram várias possibilidades de sucessão, mas muito divergentes, e penso que foi a melhor opção que podia ter tomado”, afirma.
“Agora é altura de colher frutos do bom trabalho realizado ao nível da formação nestes anos todos. E desculpe a presunção, se tivemos o mérito de sofrer nos tempos mais difíceis, também temos o direito de desfrutar do sucesso. Vamos fazer a próxima época, porque não seria correto da nossa parte numa altura de crise criar problemas adicionais, até porque não acredito que em altura de crise económica surgissem tantas soluções de sucessão como nas últimas eleições”, assegura.
Sobre esta matéria, diz não ter dúvidas nenhumas que a época de 2020/2021 será a de maiores sucessos desportivos de sempre, para além de contar com a entrada de novos diretores, com o objetivo de expandir outras áreas na organização da secção.

Caso a Sanjoanense suba à 1ª divisão, as entradas nos jogos vão passar a ser pagas

Uma nova realidade para o clube se avista. Caso a equipa sénior suba à 1ª divisão, o Pavilhão das Travessas irá continuar a ser a sua casa, mas agora as entradas passarão a ser pagas. “Claro que sim, isto não surge caído do céu. Acho que há uma mentalidade muito má relativamente ao desporto na nossa comunidade. Ninguém pensa sequer em ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto sem pagar bilhete, mas quando se trata de ir ver as equipas da cidade, muita gente pensa que basta bater com a mão no emblema e surge algum milagre. Na equipa sénior, temos 30 pessoas, entre jogadores, treinadores, equipa médica, administrativos, que trabalham todos os dias para no fim-de-semana apresentar um espetáculo e, como digo, isto não cai do céu”, alerta.
Outra das preocupações é a partilha deste pavilhão com outras modalidades e outras coletividades da cidade. Como é do conhecimento geral, os pisos municipais para a prática de andebol não são suficientes, obrigando ao aluguer de pavilhões, que, segundo o dirigente alvinegro, acarretam um custo de 6000 euros anuais. No entanto, garante haver “uma boa relação entre os dois maiores utilizadores dos pisos das Travessas”, referindo-se ao Dínamo Sanjoanense. “Estamos cientes das exigências e, oportunamente, conversaremos no sentido de ajustarmos os nossos calendários, que é o que temos feito com regularidade”, garante.

Paulo Guimarães

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