Rui Rio elogia “revolução brutal” no sector do calçado nos últimos dez anos

Rui Rio elogia “revolução brutal” no sector do calçado nos últimos dez anos

No âmbito do roteiro que Rui Rio tem feito pela indústria, o presidente do PSD passou esta terça-feira por S. João da Madeira, onde visitou o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP). Rui Rio elogiou a “revolução brutal” que o sector do calçado viveu “nos últimos 10 anos”, destacando o “papel importante” da APICCAPS “nessa revolução”.

Dedicando a agenda às empresas, o presidente do PSD, Rui Rio, esteve, na passada terça-feira, 15 de Janeiro, no distrito de Aveiro, com passagem por Santa Maria da Feira, onde visitou uma empresa de cortiça, seguindo por S. João da Madeira, com passagem pelo CTCP, fábrica da Vista Alegre em Ílhavo, terminando o dia com uma visita à AIDA – Associação Industrial do Distrito de Aveiro.
No final da visita ao CTCP, onde contactou com a APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos, em declarações aos jornalistas da imprensa local, Rui Rio lembrou que a indústria do calçado é hoje uma das mais exportadoras do país, elogiando a “revolução brutal” que o sector viveu “nos últimos 10 anos”, destacando também o “papel importante” da APICCAPS “nessa revolução”.
Mas em relação ao calçado, o presidente do PSD realça ainda o facto de o sector ter sido capaz de se afirmar através da criação da marca. “Quem domina a marca domina normalmente o mercado”, constata o político, economista de formação, considerando que Portugal é hoje “uma marca forte” no mercado mundial.
O sector do calçado consegue também algo “inédito” no país, afirmando-se com “o segundo maior preço médio mais alto do mundo”.
Rui Rio considera assim que a indústria do calçado é hoje “um exemplo de reconversão”, com “marcas que se impõem no mundo”, num trabalho “realizado há muito pouco tempo”, em contraste com outras marcas portuguesas, como o Vinho do Porto, que tem “largas décadas ou séculos”.
Perante o calçado, o presidente do PSD admitiu que o contacto seria “mais para ouvir do que para falar”, “porque não temos nada a ensinar a um sector que fez o que fez”. No entanto, reconhece a necessidade de ouvir e conhecer tanto os sectores “mais tradicionais” que precisam ainda do apoio do Governo, nomeadamente, ao nível da internacionalização, mas também os “sectores de ponta”, como considera ser o calçado.
Quando questionado sobre a sua opinião face ao actual estado da economia nacional, Rui Rio é peremptório ao afirmar que, “por mais propaganda que o Governo possa fazer relativamente à situação presente”, a “economia portuguesa no estado actual parece que está razoável, mas efectivamente não tem a robustez necessária para enfrentar o próximo ciclo”, que considera ser de baixa.
“No tempo do ciclo alto, que foram os últimos anos e que este Governo teve a sorte de apanhar, não nos preparámos para o ciclo baixo que vai de chegar”, disse Rui Rio, criticando o que considera ser a ausência de políticas de incentivo às exportações e ao investimento.
Antevendo o encontro “informal” com o líder social-democrata, Luís Onofre, presidente da APICCAPS, traçava o estado actual do sector, reconhecendo que “não tem sido aquilo que esperávamos, mas estando como está já foi uma grande vitória”.
“Foram dez anos de crescimento, mesmo em alturas de crise, e agora estamos sujeitos a uma série de influências internacionais macroeconómicas que estão a afetar o nosso desempenho”, afiançou. Citando factores como o “proteccionismo” dos Estados Unidos face aos seus produtos, a crise da Ucrânia com a Crimeia, a crise na China e ainda o estado da “França e Alemanha com crise europeia que está aí à porta”, Luís Onofre reconhece que esta conjuntura “preocupa muito” o sector, dando como exemplo o encerramento de “quase 1500 lojas multimarca” só na Alemanha. O presidente da APICCAPS aponta ainda a “indefinição muito grande” quanto ao comércio online, que “está a criar muitas expectativas, boas e más, aos nossos industriais”.
Quanto ao apoio do Governo ao sector, o presidente da APICCAPS defende que poderá passar pela “ajuda na Indústria 4.0 para sermos mais assertivos nos investimentos que queremos fazer”. Luís Onofre defende que seria importante uma “pequena mudança”, nomeadamente na “política europeia”, para sermos “um bocadinho mais proteccionistas daquilo que fazemos”. “Caso contrário, vamos ter de suportar as consequências de uma crise mundial”, concluiu.

Joana Gomes Costa

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