Reversejar

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Por que geme a Humanidade?
A Humanidade estará como um enfermo urgente,
A aguardar pela ambulância, na expectativa ansiosa,
Mas algo andará mal na burocracia doente,
Ao deixar o pobre enfermo em àlerta duvidosa.

Os burocratas entendem, falo dos grandes espaços,
Ocupados não se sabe, nas tais empresas de ponta,
Que os doentes serão peças, atendidas ao compasso
Dos ponteiros do relógio com suas voltas sem conta.

As ambulâncias tardias silvam agrestes nas ruas,
Levando em suas gavetas os corpos nus de saúde,
Despejados quantas vezes em macas frias e cruas,
Em prioridades à sorte nos fundos de um ataúde!

Assim anda a Humanidade, de gente que se não vê,
Apenas maratonistas em corridas de loucura,
Num despique de quem luta entre o porquê e o para quê?
Acabando no fim e ao cabo nos torrões da sepultura.

Pois do Mundo entre os homens, já dele não se
[vê o fundo;
Sofre tais metamorfoses de velocidades e medos,
Que deixou prá maioria de ser o seu velho mundo,
Mais uns turbilhões de ais e uis, soltos já sem
[seus segredos!

O homem geme que geme, e não sabe porque geme;
Fá-lo por necessidade, já só para ser ouvido,
Mas se o faz é porque anda num teme que sempre teme;
Não ser jamais relembrado, agora, eterno esquecido!

F.S.L.

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