Reversejar

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Esquadrinhando
as minhas penas (Intimista)

Vou buscas às minhas memórias
O quanto de penas tive,
Dentro delas ai! Quantas histórias
Inventei, pois nelas estive!

Quantas mais penas vou tendo,
Mais minha pena as escreve,
E assim as vou escrevendo
Para que o mundo não as leve.

Quanto mais penas vou tendo
Mais vontade de as viver,
E continuo-o as escrevendo
Para melhor as entender.

Penas estas vindas do fundo
De uma alma que as vais lendo,
Para serem ouvidas do Mundo,
À medida que as vou tendo!

As minhas penas sofridas,
Desde o berço em que nasci,
Mataram a sede, bebidas,
à medida que as vivi.

E agora às portas da morte
Que nos espera do outro lado,
Levo’inda algumas que a sorte
Me deixou do meu passado.

Assim as penas que a pena
Não registou por esquecê-las,
Hão-de voltar ainda à cena
Para que volte a revivê-las.

Tais penas da minha pena
Não são só minhas também,
Pois a pena contracena
Com as que o Mundo contém.

F.S.L.

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