Questões da nossa Cidade DCCCLXVIII

Questões da  nossa Cidade DCCCLXVIII

I – Decisão precipitada?
Há semanas atrás, li, como todos os demais, a notícia de que a nossa Junta de Freguesia tinha oferecido ventiladores no valor de 35 mil euros ao Hospital de S. Sebastião, num período em que o referido hospital não reclamava dessa necessidade.
Quem anda mais ou menos familiarizado com as questões da política local, sabe perfeitamente como são tratadas as questões financeiras de uma Junta de Freguesia, que obedece a cada orçamento apresentado e aprovado para o ano em curso. E foram esses que se interrogaram, quando leram a notícia da oferta dos ventiladores: onde terá a Junta de Freguesia desencantado os 35 mil euros, quando é sabido que tal despesa não estava inscrito no orçamento para o ano 2020? Terá sido feito um orçamento rectificativo? Não, porque, consultados os jornais publicados próximos da data da oferta, não foi publicada nenhuma convocatória para a realização de uma Assembleia de Freguesia com o propósito de ser apresentado um orçamento rectificativo. Então de onde veio o dinheiro, perguntar-se-á?!
Ora bem: o dinheiro poderá ter sido retirado das verbas inscritas no orçamento de 2020 para gastos com o passeio habitual com os idosos da Freguesia, para as idas à praia com os idosos da Freguesia e dos passeios culturais que se iriam realizar no decorrer do ano e que, à partida, não se realizarão por questões óbvias ligadas a pandemia que nos preocupa a todos! E, se assim foi, julgo que a Junta de Freguesia precipitou-se, é a minha opinião!
Porque, como disse, o hospital não estava de necessitada urgência de ventiladores e o dinheiro agora gasto vai fazer falta já amanhã, quando as famílias agora desempregadas pela força das circunstâncias actuais que motivaram – e continuam a motivar – ao encerramento de algumas das nossas prestigiadas empresas da indústria de calçado e dos variados componentes, da restauração e do comércio de modo geral, começarem a sentir duras dificuldades de sobrevivência.
A situação de muitas famílias, mesmo as de classe média, é muito grave! Por isso, a Junta de Freguesia não deve esbanjar recursos para questões menos prioritárias e, como as demais instituições de solidariedade social, deve estar atenta a essas famílias e respectivas crianças! A hora é de todos por todos, porque nesta cidade ninguém fica para trás!

II – “Massacre” na Praça Luís Ri­beiro
Houve um inusitado “massacre” na nossa despovoada Praça Luís Ribeiro. Um “massacre” em que as vítimas eram árvores e que nem todos tiveram a coragem de assistir até ao fim! É verdade: foram cortadas as antigas árvores que há muito, muito tempo, ajudavam a refrescar a nossa Praça no verão, auxiliadas pelo vento fresco que ainda vem de modo desenfreado pela rua do Dourado! Árvores que estavam em boa forma, mas que, por azar delas e também nosso, não foram incluídas no novo projecto – feito à medida e ao gosto dos que o aprovaram – da nossa Praça.
Não faço ideia se alguma vez, durante a discussão do novo projecto para a Praça, terá sido equacionado a possibilidade das árvores agora cortadas permanecerem intactas no lugar onde estiveram até ao dia do “massacre”! Temo que não. Alguém terá dito: “é para cortar” e pronto!
Andam as crianças, levadas pelos adultos a plantar árvores um pouco por todo o país e depois surgem estes “massacres” à luz do dia e a descobertos dessas mesmas crianças. E há sempre uma que se recorda que os pais, a educadora de infância ou a professora disseram em determinado momento: “Miguel, trata bem das árvores porque são elas que cuidam do ar que respiramos”!
E perante o “massacre”, a criança que assiste pergunta: – Avô, porque é que estão a cortar as árvores? – Não sei, Miguel, não sei… talvez para porem outras…, respondeu-lhe o avô. O Miguel insiste: mas aquelas árvores não servem, não fazem sombra, não tratam do ar que respiramos, avô? O avó, sem resposta, disse: vamos para casa… está na hora do lanche.
Para ser sincero, nos 51 anos e 10 meses que vivo nesta cidade, já se fizeram tantas e tantas transformações na Praça que não tem conta. E o que não falta nem faltará nunca são ideias novas para a nossa Praça. Há sempre quem pense que a sua é a melhor ideia. Pena é quando as ideias, os projectos, tenham como condição a de arrancarem árvores já plantadas e em bom estado de conservação! É o crime consentido!

III – Malhar em ferro frio
Tal como aconteceu na passada semana, vou falar outra vez sobre o novo e privado CTT, correndo o risco de que digam: lá está ele a malhar em ferro frio.
O jornal ‘O Regional’, que me é destinado, é entregue aos correios na quarta-feira no final do dia, com o propósito de que o mesmo me seja entregue no dia seguinte, já que a saída e a entrega é na mesma cidade.
Sabem quando é que recebi o jornal? Na 2.ª feira. Foram precisos dois dias úteis e mais dois do final de semana para o jornal chegar a casa. Um km em quatro dias… Qualquer caracol fazia mais rápido!!!
É isso o serviço prestado por empresa privada?
Por isso, alguém que escreveu uma carta para a Austrália e o entregou nos CTT, terá posto um PS (post scriptum) que dizia: espero que quando leres está carta já estejamos em 2021. Irá acertar?
Com os CTT, nada é surpresa nem mesmo com a chegada do ET (extra-terreste)!

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