Questões da nossa Cidade DCCCLXVII

I – É para levar a sério
Como não há como duvidar do que disse no Porto Canal, e transcrito no jornal ‘O Regional’ da passada semana, o Dr. Henrique Oliveira, matemático do Instituto Superior Técnico, sobre o facto de S. João da Madeira ser o concelho português onde existe maior probalidade de contágio do covid-19, devemos entender essa opinião de forma séria. Diria mesmo de muito séria.
Ninguém desconhece que, neste nosso minúsculo território concelhio, somos 23 mil habitantes confinandos num espaço de apenas 8 km2! Tudo muito apertado, comparativamente aos nossos concelhos vizinhos que, apesar do número elevado de habitantes – 140 mil na Feira e 70 mil em Oliveira de Azeméis – têm, ambos, um vasto território – 213 km2 no concelho da Feira e 161 km2 no concelho de Oliveira de Azeméis – que lhes garante uma densidade populacional mais folgada.
Sendo assim, teremos que suplantar esta circunstância com alguma inteligência, respeitando as indicações da DGS (Direcção Geral de Saúde) e, disciplinarmente, as indicações e orientações das autoridades. Devemos continuar a ter os mesmos cuidados na lavagem das mãos, usar e abusar do uso da máscara e da viseira. Saídas à rua apenas em caso de extrema necessidade. Usar luvas para poder utilizar os corrimãos ou corrimões – vale das duas formas – no caso de utilizar os transportes públicos. Porque, se não nos protegermos para protegermos os outros que connosco vivem neste nosso bem povoado território concelhio, poderemos vir a ter grandes e graves problemas que, à partida, ninguém de nós deseja: ter muitas mais pessoas da cidade infectadas!

II – Do mal o menos
Afinal, o executivo da Câmara Municipal sempre decidiu – e bem – suspender temporariamente algumas tarifas, entre elas a absurda taxa de disponibilidade que era cobrada na factura da água, abragendo as empresas e instituições sem fins lucrativos e de solidariedade social, nos meses de Março, Abril e Maio, para já.
O impacto financeiro é de 46.500 euros, verba que a empresa pública/privada Águas de S. João, ao que lemos, não irá abdicar, uma vez que a Câmara Municipal terá que compensá-la desta não cobrança de tarifas. Fica assim bem expressa a falta de solidariedade da empresa parceira do nosso município na parceria para o negócio da água, relativamente às nossas instituições desportiva e de solidariedade social, como a Santa Casa, a Cruz Vermelha, a CERCI, os Bombeiros, a ADS, etc., etc.!
Sei que a coligação política do centro direita, PSD/CDS-PP, apresentou uma proposta mais ousada relativamente a quem deveria usufruir da suspensão temporária das tarifas e que iria abranger todos os membros que participam na linha da frente neste combate contra a pandemia. Todavia, a Câmara rejeitou a proposta da coligação, com a justificação de que não aprovaria nenhuma proposta do género sem primeiramente fazer o estudo do impacto financeiro. Penso que, como forma de evitar que tal proposta viesse a interferir na sustentabilidade dos benefícios e apoios sociais anteriormente determinados. Se assim foi, tem inteira razão. Como escreveu o Dr. Manuel Sérgio: “Ver as coisas por fora / É fácil e vão / Por dentro das coisas / É que as coisas são”.

III – Estagnado, pois claro: a cidade, o país e o mundo!
Li os pequenos apontamentos que o jornal publicou, relativamente aos discurso proferidos pelos partidos locais, na sessão solene do passado dia 25 de Abril, que terá decorrido no Salão Nobre do Fórum Municipal.
É claro que se vai notando algumas alterações e aburguesamentos nos discursos proferidos por cada um dos partidos em particular. Por exemplo: houve um tempo em que um desses partidos utilizava mais a frase “na defesa dos trabalhadores”. Hoje ouve-se, mais repetidamente, o apelo ao apoio às pequenas e médias empresas, e eu pergunto: o que mudou ou estará a mudar, para esta alteração? Aburguesamento ideológico?
Leram o apontamentos sobre o discurso da Dr.ª Susana Lamas, que normalmente costuma a ser muito assertiva? Acusou o executivo da Câmara Municipal como culpado pela estagnação da cidade! Mas será que com os dois confinamentos já executados e mais este anúncio do Estado de Calamidade, algumas das nossas cidades conseguiu livra-se da estagnação? Será que a Senhora Drª. Susana Lamas não se terá apercebido que não é apenas a nossa cidade que se encontra estagnada? O país está estagnado! O mundo está estagnado! E tudo motivado pela pandemia global!
Julgo que ninguém estaria à espera que o município organizasse concertos com porco no especto e muito gin, para agitar a cidade e tirá-la da estagnação, pois não senhora, Drª Susana Lamas? Julgo que desta vez não foi justa nem escolheu o melhor momento nem o melhor motivo para se queixar da estagnação da cidade. A coisa é séria e temos que estar todos focados no problema que nos aflige, que é um grande e grave problema de saúde pública! E a estagnação de que se queixa é consequência desse mesmo problema.
Desculpem-me, mas tentar tirar dividendos políticos de um mal estar proveniente de uma pandemia como a actual, em que o município não é minimamente responsável por isso, é, de todo, lamentável e criticável!

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