Questões da nossa Cidade – DCCCIII

I – É o costume
De alguns anos a esta parte, existem obras municipais de requalificação na cidade que se vão repetindo ciclicamente pelos executivos camarários. São elas: a rua da Liberdade, a rua Júlio Dinis, a Praça e ruas próximas, o Mercado Municipal, o edifício do Rei da Farinha e o edifício da Quinta do Conde. Tem sido aí que, periodicamente, se vai “derretendo” dinheiro do erário público, sem que as outras necessidades da cidade, como a requalificação dos antigos e desconstruídos passeios e construção de novos para uma melhor mobilidade das pessoas e seus bens, por exemplo, bem como a colocação de placas de identificação das ruas, etc., etc., não se faz vai para anos, apesar das promessas feitas!
Na Praça, já toda gente sabe o que vai acontecer. Como o projecto que vai ser executado não é consensual, é provável que o executivo seguinte, se for de cor diferente, desfaça a obra e faça uma outra, se não houver impedimento legal. No Mercado, que ainda há bem pouco tempo beneficiou de grande obra de requalificação, e que pelos vistos não ficou grande coisa, vai ter novas obras “brevemente”. Continuando, segundo o dizer de responsáveis, a manter a venda dos galináceos no seu interior, com os inconvenientes que os maus cheiros dos mesmos provocam aos clientes, em particular aos que sofrem de problemas respiratórios!
Depois, haverá certamente a recuperação dos dois edifícios de referência já mencionados, o do Rei da Farinha e o da Quinta do Conde. E, como é habitual, continuarão abandonados após as obras de recuperação e até que necessitem de novas obras para não caírem de podre. E, uma vez mais, vamos continuar a assistir à já habitual impotência do município no melhor aproveitamento de ambos os edifícios, onde se gasta o dinheiro público sem se dar aos mesmos a utilidade prática conveniente!
A rua de Júlio Dinis, onde, como se sabe, foram retirados há muito os passeios, continuam a estacionar automóveis em ambos os lados da rua em prejuízo dos peões e ninguém intervém! Na rua da Liberdade, o espaço para o estacionamento individualizado próximo da Padaria do Souto é tão pequeno que mal cabe um carro que não seja mini! Grande obra! Particularmente… quando chove e não temos calçadas as galochas! Esqueceram-se da sarjetas para o devido escoamento da água da chuva! São as ditas obras apenas para o tempo seco. Assim, quando chover, não saia de casa ou, se sair, não circule pela rua da Liberdade! Se teimar em ir por ali, use sempre um colete salva vidas se não souber nadar! OK?! Mais vale prevenir que remediar! Se cair, não gaste energias a querer levantar-se depressa. Deixe-se escorregar, de preferência de costas, até à Casa da Criatividade. Aí chegado, seja igualmente criativo(a) e levante-se com dignidade. Já de pé, veja se não está nenhuma criança próxima de si, olhe para o Fórum Municipal, fixe o olhar numa das janelas à sua escolha do quarto piso para cima e diga um palavrão! Vai ver que, apesar de molhado(a), fica aliviado(a) de tanta irritação.
Perante tudo isto, ponho-me a pensar se não seria melhor para a cidade escolher, no futuro, um presidente independente dos partidos políticos, que se preocupasse mais com as pessoas e suas necessidades e menos com os calculismos políticos de interesses partidários? Mas depois lembro-me do ex-presidente e empresário Ricardo Figueiredo, de quem se dizia independente e que depois se politizou e se embrenhou no calculismo político partidário, com a atenção focada na Sanjotec e na Oliva… esquecendo-se das pessoas e de tudo o que prometera, com excepção do dia do passeio dos idosos são-joanenses!
Este executivo, como o anterior, não procura o que está mal na cidade, antecipando-se às queixas das pessoas. Prefere, erradamente, esperar pelas queixas nos respectivos gabinetes, as quais nem sempre são devidamente avaliadas e resolvidas a contento da população.
Resta-me acreditar que um dia, numa eleição autárquica qualquer, apareça alguém mais focado nas pessoas e na sua qualidade de vida! Que faça apenas promessas que sejam possíveis de cumprir e que não minta na pré campanha! Que não seja um político puramente calculista e que não ponha os seus interesses particulares à frente dos interesses colectivos dos são-joanenses! Se calhar estou a pedir demasiado! Mas é suposto haver gente boa na cidade com estas características! Ou não?

II – Perguntar não ofende
Há dias, dizia-me uma pessoa amiga: tu és contra um Parque Infantil na Praça, mas, diz-me lá, onde estão na cidade a maioria dos parques infantis? Fiquei calado a pensar, mas ela não esperou pela minha resposta e disse: a maioria dos parquesinfantis estão nos Bairros de Habitação Social ou muito afastados do Centro da cidade!
É verdade, ela tem razão! Não há parque infantil no Jardim da cidade junto ao Fórum Municipal, não há parque infantil perto ou mesmo na Praça Berbezieux e o parque que existia no Parque das Travessas foi retirado!
Senhor presidente: não estará interessado em reparar esta falha, relativamente aos meninos que não vivem nos bairros de habitação social, que necessitam também de um parque próximo de suas casas para poderem brincar na companhia de irmãos e amigos?
Já agora, senhor presidente: a exemplo do que já começou nas escolas e vai ser feito igualmente em pavilhões gimnodesportivos municipais, está V. Exa. a pensar em mandar retirar também as placas de fibrocimento que contêm amianto e que cobre os apartamentos de habitação social em Fundo de Vila, Orreiro e no Parrinho, que, como se sabe, é considerado cancerígeno?
Se a resposta for positiva, quando é que está a pensar fazê-lo? Neste seu decorrente mandato ou vai deixar a resolução para quem vier a seguir?

Adé

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Fernanda Gomes
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Fernanda Gomes

Caro senhor Adé. Pedidos de desculpa são para os que têm o poder de lhe fazer frente. Os outros, os fracos, ficam com os socos na cara. Não haverá justiça?