A Cidade dos Eventos
Na nossa cidade houve dois eventos culturais no mesmo dia e quase à mesma hora. Às seis teve início a Exposição de Fotografia Criativa que Paulo Coimbra iniciou há alguns anos – e sempre em crescendo. Foi bonito ver que alguns quadros foram disputados por várias pessoas, designadamente o que leva por título “O Sol Brilhará Novamente” e que é um espanto de cor e luminosidade. Abração ao Paulo e a sua esposa, a distinta colega Fernanda Castro, todo um mundo de alegria, iniciativa e bondade. A mostra está patente na Biblioteca Municipal e o mínimo que se pode dizer é que merece uma visita sem demora. Para melhor apetitar, o evento foi abrilhantado com uma estupenda interpretação a solo do maestro José Américo Ferreira Belinha que desde Novembro de 2015 está à frente da banda de S. João da Madeira.
Meia hora depois deu-se a apresentação do livro de poesia de Flores Santos Leite, sob o título “Penas da Minha Pena”. Um título duplamente feliz, pelo livro e pela assistência que lotava por completo o emblemático espaço dos Paços da Cultura. Também por que o autor se fez acompanhar por alguns dos amigos de longa data (Francisco Costa e Emídio Costa, por exemplo) que ajudaram à festa na declamação de poemas do livro. Cereja no topo do bolo, a noite foi enriquecida pelo neto José Maria, ainda muito jovem, mas que se deu ao lustre de executar Bach à maneira de Bach: arco seguro e amplo, som escuro e mão esquerda viajante das estrelas – seguramente um talento em floração a ter em conta.
Tudo bem quando acaba bem, este tipo de reuniões dá para nos encontrarmos com pessoas cuja amizade vem dos tempos em que os filhos eram pequenos (Saravá, irmãos, lá longe e aqui tão perto!) E que bom encontrar pessoas de prol e preito como o conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça António Nunes Girão, que iniciou aqui a sua carreira na magistratura, criou os seus filhos e ficou dos nossos para sempre. Celestino Portela, criador e editor da revista Literária “Villa da Feira” verdadeira face da cultura em Terras de Santa Maria, única no país pelo género, pela excelência dos seus colaboradores e pela qualidade de que tenho dado notícia aqui mesmo, nas páginas atentas d”O Regional”.
Para fechar com substância e bom proveito, nada melhor do que dar a palavra ao poeta Flores Santos Leite, à sua vasta cultura e à vertente humanística digna de nota: “Amemo-nos uns aos outros, tentando adiar o futuro ameaçador com a poesia, a música, os encontros, os natais, os aniversários, tudo menos violência, agressão, intolerância, excessos fundamentalistas científicos ou religiosos, ou então não se fazer nada, absolutamente nada, pois a primeira coisa que se faça implica de imediato o nosso sofrimento e dos outros.”
Cá em casa o que floresce é um sentimento de louvor e simpatia que deve ser estendido à esposa do laureado, dentro do princípio que marido e esposa mais do que dar soma multiplicam, além do milagre maior de que duas pessoas que envelhecem juntas – nunca envelhecem.
Uma referência e um Bem-haja dirigido ao apresentador do livro, Joaquim José Magalhães dos Santos, pessoa de quem se pode dizer com segurança: melhor do que ele e do seu humor genuíno – só ele próprio.
Abração para todos – e que digo eu, a cidade dos eventos? Para não ser redutor melhor direi em oitava maior: S. João da Madeira, a Cidade dos Prodígios.
Manuel Córrego
